"A nossa vida não tem horas extraordinárias" - Enfermeiros expõem carência de profissionais na ‘Praça da Carência’

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) realizou hoje uma conferência de imprensa no Jardim da Casa Inglesa, em Portimão, para apresentar os dados finais da rota "A nossa vida não tem horas extraordinárias". A iniciativa serviu para expor, de forma inequívoca, a grave carência de enfermeiros que afeta o país. A falta de profissionais, já uma realidade incontornável, foi corroborada com os dados recolhidos ao longo da rota de cinco dias. O SEP não só confirmou a escassez, como também denunciou factos até agora fora do domínio público: em algumas unidades funcionais dos centros de saúde, incluindo USF modelo B, são os próprios enfermeiros que compram as suas fardas e material de trabalho para evitar interrupções nas consultas.

O Sindicato recorda que já tinha denunciado o não pagamento dos incentivos institucionais às USF modelo B, verba destinada à aquisição de material e à formação dos profissionais. A questão foi levantada junto de ex-presidentes da ARS do Algarve e do atual presidente do Conselho de Administração da ULS do Algarve, que se comprometeu a dar uma resposta, mas que até à data não foi fornecida.

A carência de enfermeiros, que cresce com a emigração, as rescisões de contrato e até o abandono da profissão, está a atingir diretamente quem precisa de cuidados e quem os presta. O Algarve, em particular, enfrenta uma redução crescente do seu corpo de enfermagem.

O SEP assegura que não se calará e continuará a lutar por um Serviço Nacional de Saúde (SNS) forte, com cuidados de qualidade e uma enfermagem dignificada.