Passado praticamente um mês sobre o pedido formal de reunião urgente dirigido às Câmaras Municipais de Mirandela e Vila Flor, o SINTAB denuncia publicamente a total ausência de resposta por parte das autarquias proprietárias do Matadouro Industrial do Cachão.
Recorde-se que, no passado dia 22 de abril, o Sindicato solicitou uma reunião conjunta aos Presidentes de ambas as autarquias, na sequência das declarações públicas relativas a um eventual “projeto de recuperação” para a unidade, exigindo que os Trabalhadores, diretamente afetados pela insolvência, fossem informados sobre as intenções e soluções em estudo.
Quase um mês depois, nem Mirandela nem Vila Flor se dignaram sequer responder.
Esta postura representa um profundo desrespeito pelos Trabalhadores e pelas suas famílias, mas também pela própria população da região, que continua sem qualquer esclarecimento sobre o futuro de uma infraestrutura estratégica para toda a economia agroindustrial transmontana.
O silêncio das autarquias apenas reforça as preocupações já existentes. Ou não existe qualquer verdadeiro plano de recuperação, apesar das declarações públicas produzidas para consumo mediático, ou então pretende-se deliberadamente afastar os Trabalhadores do conhecimento e discussão sobre o futuro da unidade.
Qualquer uma das hipóteses é grave.
Os Trabalhadores continuam profundamente reticentes quanto às verdadeiras intenções do poder local, temendo não apenas pelos seus postos de trabalho, mas também pelo desmantelamento progressivo de uma estrutura absolutamente essencial para os produtores pecuários, comerciantes e economia regional.
Perante esta situação, o SINTAB informa que irá solicitar, com caráter de urgência, uma reunião ao Administrador de Insolvência, procurando obter os esclarecimentos que as autarquias decidiram negar.
O Sindicato apela ainda à intervenção pública e à tomada de posição de todas as associações de criadores de gado que dependem do Matadouro Industrial do Cachão, bem como das associações comerciais representativas dos agentes ligados à comercialização de carne bovina da região.
O futuro desta infraestrutura não pode continuar a ser tratado entre silêncios, omissões e jogos políticos.
O SINTAB reitera que o Matadouro Industrial do Cachão é uma peça fundamental para a subsistência económica de Trás-os-Montes, sendo indispensável não apenas garantir a sua manutenção, mas também reforçar a sua capacidade operacional e produtiva, em defesa dos Trabalhadores, da produção nacional e da economia regional.
Essa responsabilidade deve também ser exigida ao poder central, assim como uma verdadeira política descentralizada, de promoção do equilíbrio territorial, que não se fique pelas reuniões de conselho de ministros deslocalizadas, mas que decida verdadeiramente políticas de promoção e potenciação das economias regionais em cima da exploração das suas particularidades genuínas e do aproveitamento das infraestruturas locais.
Fonte: SINTAB
