Intervenção de Manuel Carvalho da Silva Na Manifestação Dos Professores - 14 Junho

 É UM DIREITO E UM DEVER de todos os professores e professoras portuguesas lutarem por um Estatuto Profissional, pela definição de trajectórias profissionais que valorizem a profissão e dignifiquem quem a exerce.
A bem da educação, do ensino e da formação dos portugueses, não abdiqueis dum Estatuto Profissional digno, que valorize currículos mas também, e acima de tudo, o trabalho concreto de cada professor, na sala de aula com os seus alunos.

 

MANIFESTAÇÃO DOS PROFESSORES

Lisboa, 14.06.2006

Manuel Carvalho da Silva
Secretário-Geral

1 – SAUDAÇÃO/APOIO

  • às causas imediatas
  • às causas de maior alcance

  • às causas imediatas
  • às causas de maior alcance

 

  • às causas imediatas
  • às causas de maior alcance

 

  • às causas imediatas
  • às causas de maior alcance

2 – É PRECISO REFORMAS NO ENSINO. Os professores sabem-no e são os primeiros interessados.

Mas não desvirtuemos os factos: O GRANDE DÉFICE DO PAÍS É O DA PERSISTÊNCIA NUMA MATRIZ DE DESENVOLVIMENTO ESGOTADA, QUE NÃO APELA À FORMAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. Entre o défice da Escola e o défice do modelo de desenvolvimento, este é bem pior.

  • Não haverá reformas do ensino que vinguem se não se mudar de políticas e se forem aqueles que enriquecem com este modelo de baixos salários, de desrespeito pelas leis, proliferação de precariedades, de corrupções de diverso tipo, de negociatas com o Estado, de fragilização da democracia a ditarem o que fazer.
  • A ESCOLA PODE DAR UMA AJUDA, MAS NÃO PODE RESPONDER A TUDO!

3 – É UM DIREITO E UM DEVER de todos os professores e professoras portuguesas lutarem por um Estatuto Profissional, pela definição de trajectórias profissionais que valorizem a profissão e dignifiquem quem a exerce.

  • A bem da educação, do ensino e da formação dos portugueses, não abdiqueis dum Estatuto Profissional digno, que valorize currículos mas também, e acima de tudo, o trabalho concreto de cada professor, na sala de aula com os seus alunos.

4 – É PRECISO MOBILIZAR E RESPONSABILIZAR A SOCIEDADE NO FUNCIONAMENTO E ACOMPANHAMENTO DA ESCOLA E DAS SUAS ACTIVIDADES.

Mas Senhora Ministra, é um erro primário mobilizar cada actor (seja ele os pais, a família ou instituições e organizações do meio envolvente), como arma de arremesso contra os professores, como se estes fossem um bando de duvidosa dedicação e empenho.

A forma como foi anunciada e os objectivos colocados no papel que quer atribuir aos pais na avaliação dos professores, só pode provocar dois sentimentos: Tristeza; Repugnação.

5 – Senhora Ministra

Não seja egoísta! Seja determinada, mas não obcecada!

Não jogue sistematicamente no efeito de anúncio.

Haverá membros da sua equipa que nem têm formação científica e cultural para perceber os erros, mas a Senhora tem.

A Senhora Ministra tem, como nós, a obrigação de saber duas coisas fundamentais:

  1. Não há democracia sem contra-poder crítico!
  2. No senso comum pode estar a ideia de que o que passa na televisão é a realidade, mas a senhora sabe que não é assim.
    • Não haverá boas soluções para o ensino sem a participação e valorização dos seus profissionais.

    E muito mal estaríamos se a catadupa de ataques e a falta de alternativas conduzissem a generalidade dos professores a não reagirem. Aí Senhora Ministra, o que teria obtido era uma perigosíssima vitória de Pirro!

    É tempo de alertas.

    O esboço de reformas que o seu Ministério vai anunciando, se não for corrigido, pode transformar-se num dos maiores desastres que o sistema de ensino sofreu no nosso país.

    Senhora Ministra,

    Não caia na prática neo-liberal que Pierre Beurdieu (que a senhora bem conhece) denuncia, quando diz que, "para numerosos ministros, uma medida, ao que parece, só vale se poder ser anunciada e tida por realizada, a partir do momento em que é tomada pública.

    Queremos um Ensino Melhor.

    Queremos que mude de agulha.

  • Não haverá boas soluções para o ensino sem a participação e valorização dos seus profissionais.

E muito mal estaríamos se a catadupa de ataques e a falta de alternativas conduzissem a generalidade dos professores a não reagirem. Aí Senhora Ministra, o que teria obtido era uma perigosíssima vitória de Pirro!

É tempo de alertas.

O esboço de reformas que o seu Ministério vai anunciando, se não for corrigido, pode transformar-se num dos maiores desastres que o sistema de ensino sofreu no nosso país.

Senhora Ministra,

Não caia na prática neo-liberal que Pierre Beurdieu (que a senhora bem conhece) denuncia, quando diz que, "para numerosos ministros, uma medida, ao que parece, só vale se poder ser anunciada e tida por realizada, a partir do momento em que é tomada pública.

Queremos um Ensino Melhor.

Queremos que mude de agulha.

 

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