A CGTP-IN não pode ficar indiferente perante a ocorrência de acidentes de trabalho, alguns dos quais continuam, infelizmente, a ceifar vidas e a deixar marcas profundas nos trabalhadores, nas suas famílias e em toda a sociedade.

Cada acidente de trabalho é muito mais do que um número ou uma estatística.

Por detrás de cada ocorrência existe uma vida, uma família, um futuro e, muitas vezes, consequências que se prolongam durante anos.

Os acidentes mortais constituem a expressão mais dramática de uma realidade que exige respostas firmes e uma mudança de paradigma nas políticas de prevenção e segurança no trabalho.

A Constituição da República Portuguesa estabelece, logo no seu artigo 1.º, que Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana. Contudo, entre este princípio fundamental e a realidade vivida diariamente por muitos trabalhadores permanece uma preocupante distância.

A defesa da vida, da saúde e da segurança no trabalho deve constituir uma prioridade absoluta. Nenhum trabalhador deve perder a vida ou ver a sua saúde comprometida para exercer o seu direito ao trabalho. A prevenção dos riscos profissionais não pode ser reduzida a uma formalidade, nem subordinada a critérios económicos, de produtividade ou de redução de custos.

A CGTP-IN alerta, por isso, para a urgência de uma verdadeira mudança de paradigma, que coloque a prevenção no centro das políticas de saúde e segurança no trabalho. É necessário combater as causas dos acidentes e das doenças profissionais, garantir ambientes de trabalho seguros e saudáveis e assegurar uma intervenção séria, responsável e determinada.

Para isso, é indispensável reforçar a fiscalização, garantir o cumprimento da legislação de segurança e saúde no trabalho, dotar as entidades competentes dos meios necessários e responsabilizar quem, por acção ou omissão, coloque em risco a vida e a integridade física dos trabalhadores.

A CGTP-IN continuará a intervir e a exigir das entidades patronais e dos decisores políticos as medidas necessárias para que nenhum trabalhador seja obrigado a colocar a sua vida ou a sua saúde em risco para trabalhar.

A vida, a saúde e a segurança de quem trabalha têm de estar acima de qualquer interesse económico.

 DIF/CGTP-IN
Lisboa, 19.08.2026