| Administração Pública |
ANA AVOILA Membro do Conselho Nacional ANA AVOILA Membro do Conselho Nacional
XI Congresso da CGTP-IN
Camaradas, A permanente e crescente escalada, nos últimos 30 anos, contra os direitos dos trabalhadores da Administração Pública e contra a própria Administração Pública, no sentido do seu desmantelamento e da subversão da orientação progressista e socialista consagrada na Constituição da República, mesmo depois dos ataques e alterações a que esta foi sujeita pelo PS/PSD/CDSW, agravou-se de forma brutal com o actual Governo de maioria absoluta do PS. Esta opção política põe em causa as próprias liberdades democráticas, como o demonstra o recente exemplo da condenação de um sindicalista, sem que se tenha procedido à sua audição – aproveitamos também esta tribuna para daqui o saudarmos e para lhe manifestarmos todo o apoio, em nome dos trabalhadores da Administração Pública. Perante tal situação, os trabalhadores da Administração Pública não têm ficado de braços cruzados e têm desenvolvido grandes acções de luta. Numa demonstração de forte consciência de classe, de maturidade sindical, persistência e mobilização, ao longo de 2007 (e no seguimento da participação de milhares de trabalhadores no Protesto Geral da CGTP de 12/Outubro e da Greve de 9 e 10 de Novembro do ano anterior) desenvolveram grandiosas acções de massas, de que saliento:
Camaradas, Todas estas acções de lutas não foram em vão! Elas impediram o Governo de ir mais longe nos seus objectivos contra os trabalhadores da Administração Pública:
Foi importante termos lutado e conseguido estes objectivos, mas os trabalhadores da Administração Pública não se iludem e sabem que têm de continua a lutar pelos seus direitos. E têm razão nas razões da sua luta!
Camaradas, O Governo vai apresentar aos sindicatos da Administração Pública um projecto de diploma sobre o Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas (RCTFP) que, pelo que já é conhecido, exigirá uma grande mobilização e luta, para rechaçar os novos ataques contra os seus direitos e pela dignificação da sua profissão. Escudado na sua maioria absoluta, o Governo continua a manter os mesmos objectivos: · Introduzir, de facto, a flexi-segurança na AP, consagrando despedimentos sem justa causa e reduzindo a protecção dos trabalhadores; · Generalizar a precariedade laboral para todos os trabalhadores da AP; · Tornar residual o vínculo de nomeação, generalizando os contratos individuais e denegando o direito à contratação colectiva; · Degradar os salários e as pensões e, em geral, as condições de vida e de trabalho; · Acabar com as carreiras, impor a desqualificação profissional e a polivalência; · Institucionalizar a omnipotência dos dirigentes, potenciando e fomentando a partidarização, a arbitrariedade, o clientelismo e a delação; · Fazer depender a evolução salarial da disponibilidade orçamental e da opção do dirigente máximo do serviço, ao mesmo tempo que pretende avançar para a individualização da relação de trabalho; · Limitar a liberdade sindical, de expressão, de comunicação e de manifestação; · Impedir o acesso da população a serviços e funções sociais que o Estado está obrigado a prestar – designadamente na saúde, na educação, na justiça ou na segurança social – quer com a sua extinção quer com a imposição de custos incomportáveis, sobretudo para os mais desfavorecidos; · Aprofundar as assimetrias regionais e sociais do país; · Consagrar o emagrecimento e a desfuncionalização do Estado, acentuando a criação das condições exigidas pelo capital financeiro para a privatização dos serviços públicos rentáveis; · Pôr em causa a segurança jurídica, que impõe a previsão e determinabilidade das leis, bem como a legalidade dos actos administrativos; · Impor um violento retrocesso social, atacando direitos que constituem valores universais da civilização. Mas os trabalhadores da AP vão continuar a exigir que o Governo cumpra a Constituição da República Portuguesa, respeite os direitos fundamentais que ela consagra e respeite também os direitos do povo português a usufruir dos serviços e funções sociais que, constitucionalmente, o Estado deve prestar, em condições de dignidade, eficácia e qualidade, o que é incompatível com a destruição da Administração Pública e a sua privatização, para favorecimento do grande capital. E vão continuar a luta pelo vínculo público, pelo direito aos aumentos salariais anuais, que reponham e melhorem o seu poder de compra, pelo direito à mudança de escalão para todos, pela dignidade dos aposentados, em defesa da ADSE e contra o diploma de vínculos, carreiras e remunerações. Cabe aqui fazer uma curta referência à perda do poder de compra dos salários e pensões na AP - mais de 10% nos últimos 8 anos – enquanto aumentaram brutalmente os preços de bens de primeira necessidade e Portugal é o país da União Europeia com o maior fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres; e o grande capital financeiro e especulativo continua a apresentar lucros escandalosos e a ser “premiado” com uma taxa efectiva de IRC de cerca de metade da que pagam as micro, pequenas e médias empresas. Esta política contra os trabalhadores, com a inerente degradação dos serviços públicos e a retirada da prestação de funções sociais pelo Estado, tem em vista a privatização dos serviços públicos rentáveis, com o inevitável aumento de custos para as populações e um ainda maior aumento de lucros para o capital. Os trabalhadores da AP, perante a insistência do Governo em desmantelar a Administração Pública e atacar os direitos dos trabalhadores, vão continuar a intensificar a luta,
A luta dos trabalhadores da AP é para defender uma Administração Pública de qualidade, que valorize os seus trabalhadores e concretize os comandos constitucionais, proporcionando um atendimento mais digno e eficaz ao povo português.
VIVA A CGTP VIVA O XI CONGRESSO
Lisboa, 15 de Fevereiro de 2008-02-16
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Conferência Sindical Internacional


ANA AVOILA