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		<title>Relatório de Actividades </title>
		<description>XII CONGRESSO DA CGTP-IN
 CGTP-IN, organização sindical de classe, unitária, democrática, independente e de massas</description>
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			<title>Relatório de actividades - mandato 2008/2011</title>
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			<description><![CDATA[<p style="text-align: left;"><a href="/congressos/xiicongresso/images/00/relatorio-xii-congresso.pdf">ver Documento PDF</a></p>
<p style="text-align: center;">RELATÓRIO DE ACTIVIDADES<br />Mandato 2008 / 2011</p>
<p style="text-align: justify;"><br />ÍNDICE<br />1. O CONTEXTO POLÍTICO, ECONÓMICO E SOCIAL 3<br />1.1. A evolução da situação ao nível internacional 3<br />1.2. Os caminhos da UE da reacção tardia à crise global, à ameaça de implosão do euro 4<br />1.3. A situação nacional: da recessão em 2009 ao programa da Troika e ao Governo da direita 6<br />1.4. A intervenção Sindical e a Luta dos Trabalhadores e das Trabalhadoras 9</p>
<p style="text-align: justify;">2. BLOQUEIOS AO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL 12<br />2.1. No Desenvolvimento Económico 12<br />2.2. A Estrutura do Estado, os Serviços Públicos e a Administração Pública 13<br />2.3. O Regional 15<br />2.4. O Desenvolvimento Sustentável 16<br />2.4.1. O Meio-Ambiente 16<br />2.4.2. A Economia Social e o “Consumidor” 16</p>
<p style="text-align: justify;"><br />3. O TRABALHO E OS DIREITOS DOS/AS TRABALHADORES/AS 17<br />3.1. O Direito do Trabalho, o Quadro Jurídico-laboral e a Efectividade dos Direitos 17<br />3.2. O Emprego 18<br />3.3. Os Salários 19<br />3.4. A Formação e a Qualificação Profissional 20</p>
<p style="text-align: justify;"><br />4. A NEGOCIAÇÃO COLECTIVA E O SISTEMA DE RELAÇÕES DE TRABALHO 22<br />4.1. A Contratação Colectiva 22<br />4.2. A Actividade do CES e a Participação Institucional 25<br />4.2.1. A Actividade do CES e a Concertação Social 25<br />4.2.2. A Participação Institucional 25<br />4.3. A Negociação Colectiva Europeia 26<br />4.4. Os Conselhos de Empresa Europeus 26<br />4.5. A Acção Sindical Transfronteiriça 27</p>
<p style="text-align: justify;"><br />5. AS POLÍTICAS SOCIAIS E A POLÍTICA FISCAL 27<br />5.1. Políticas Sociais 27<br />5.2. Política Fiscal 34<br />5.3. O Sistema de Justiça 35</p>
<p style="text-align: justify;"><br />6. SEGURANÇA, HIGIENE, E SAÚDE NO TRABALHO, IGUALDADE, CULTURA E TEMPOS LIVRES36<br />6.1. Segurança, Higiene e Saúde no Local de Trabalho 36<br />6.2. Igualdade entre mulheres e homens 37<br />6.3. Igualdade e combate às discriminações 37<br />6.4. Cultura e Tempos Livres 38<br />6.4.1. Centro de Arquivo e Documentação 39</p>
<p style="text-align: justify;"><br />7. A ACTIVIDADE INTERNACIONAL 40<br />7.1. Confederação Europeia de Sindicatos (CES) 41<br />7.2. Restante Movimento Sindical Europeu 42<br />7.3. Comunidade Sindical dos Países de Língua Portuguesa (CSPLP) 42<br />7.4. África 42<br />7.5. Espaço Euro-Mediterrânico (EUROMED) 42<br />7.6. Espaço Latino-Americano 42<br />7.7. Outros Espaços Sindicais 43<br />7.8. Movimento Sindical Mundial 43<br />7.9. Paz, Cooperação e Solidariedade Internacional 43<br />7.10. Globalização e Movimentos Sociais 44<br />7.11. Actividades Comunitárias 44<br />7.12. Organização Internacional do Trabalho (OIT) 44</p>
<p style="text-align: justify;"><br />8. AS MIGRAÇÕES 45<br />8.1. Imigração 45<br />8.2. Emigração 45</p>
<p style="text-align: justify;"><br />9. A ORGANIZAÇÃO SINDICAL E OS QUADROS 46<br />9.1. A Organização de Base 46<br />9.1.1. Sindicalização 46<br />9.1.2. Delegados Sindicais 46<br />9.1.3. Representantes para a SHST 46<br />9.1.4. Comissões de Trabalhadores 48<br />9.2. Eleições Sindicais 48<br />9.3. A Estrutura e a Reestruturação Sindical 48<br />9.3.1. Sindicatos 48<br />9.3.2. Uniões de Sindicatos 52<br />9.3.3. Federações de Sindicatos 52<br />9.4. As Organizações Especificas 52<br />9.4.1. Interjovem/CGTP-IN 52<br />9.4.2. Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens/CGTP-IN 54<br />9.4.3. Inter-Reformados 57<br />9.5. A Gestão Financeira e os Contratos Programa 59</p>
<p style="text-align: justify;"><br />10. A FORMAÇÃO SINDICAL 60<br />10.1. Apoio à Estrutura 60<br />10.2. Desenvolvimento do Sistema de Formação 61<br />10.3. Formação Pedagógica de Formadores 62<br />10.4. Instrumentos Pedagógicos Inovadores 62<br />10.5. Cooperação Internacional 64</p>
<p style="text-align: justify;"><br />11. A INFORMAÇÃO E PROPAGANDA SINDICAIS 65</p>
<p style="text-align: justify;"><br />12. A COMUNICAÇÃO SOCIAL E AS RELAÇÕES PÚBLICAS 66</p>
<p style="text-align: justify;"><br />13. OS ÓRGÃOS ESTATUTÁRIOS E O CUMPRIMENTO DO MANDATO 67<br />13.1. Plenário de Sindicatos 67<br />13.2. Conselho Fiscalizador 67<br />13.3. Conselho Nacional 67<br />13.4. Secretariado do Conselho Nacional 68<br />13.5. Comissão Executiva do Conselho Nacional 68<br />13.5.1. Secretário-Geral 69<br />13.6. Apreciação geral 70</p>
<p style="text-align: justify;"><br />1. O CONTEXTO POLÍTICO, ECONÓMICO E SOCIAL</p>
<p style="text-align: justify;"><br />1.1. A evolução da situação ao nível internacional<br /><br />O panorama internacional foi dominado neste período (Janeiro de 2008 a Janeiro de 2012) pela<br />“crise económica de 2008-2009”, que na União Europeia se projectou para a situação de<br />descalabro em que hoje se vive e pelos riscos de uma nova recessão; pelo aprofundamento de<br />diversas dimensões da crise e das contradições do sistema capitalista; pelos conflitos e<br />instabilidade na zona do Médio Oriente com dimensões significativas de ingerências<br />estrangeira; pelo surgimento, em 2010/2011, de fortes convulsões sociais e políticas em países<br />do norte de África (alguns casos com características de revolução e outros processos também<br />com forte intervenção estrangeira); pelo agravamento do desemprego, o abaixamento da<br />retribuição do trabalho e a apropriação dos lucros dos grandes grupos económicos e financeiros<br />por parte dos seus accionistas, diminuindo o investimento; pelo falhanço das políticas no<br />domínio ambiental; pelo acentuar das desigualdades.</p>
<p style="text-align: justify;"><br />Neste cenário internacional ressalta, igualmente, o protesto e a luta crescente dos trabalhadores<br />e dos povos contra a exploração, as políticas anti-sociais, o desemprego, a fome, a pobreza e por<br />reais alternativas às condições em que vivem.</p>
<p style="text-align: justify;"><br />A mais grave crise económica desde os anos 30 do século XX, ainda que originada nos EUA e<br />tendo uma relação próxima com empréstimos imobiliários de alto risco, teve causas mais<br />profundas: concentração de capital e sobreproduções localizadas reforço do domínio do<br />capitalismo financeiro face à economia real; especulação e desregulação dos mercados<br />financeiros. Num contexto de aumento das desigualdades na distribuição da riqueza e de<br />perigosos desequilíbrios globais, regista-se a perda de preponderância de antigos centros e<br />espaços de produção e a afirmação crescente da importância e do papel dos grandes países ou<br />blocos emergentes, como a China, a Índia e o Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;"><br />Em 2008/2009 só a intervenção dos Estados com sucessivas injecções de dinheiro (dos<br />orçamentos dos estados, do povo) ao sector financeiro evitou o colapso. Em 2010 e 2011 houve<br />retoma económica à escala global, mas manteve-se o desemprego elevado (que aliás cresceu em<br />muitos países), emergiu a crise da “dívida soberana” na Europa, a instabilidade financeira e o<br />agravamento dos desequilíbrios globais. As perspectivas para 2012 são de grande incerteza e<br />preocupação com a desaceleração global do crescimento e riscos fortes de recessão na zona<br />euro.</p>
<p style="text-align: justify;"><br />Os países em desenvolvimento saíram reforçados da recessão, enquanto muitos países<br />desenvolvidos acumularam pesadas dívidas. Ainda que afectados pela crise, muitos deles, em<br />diferentes regiões do globo, souberam implementar políticas e medidas que impediram que os<br />povos e a economia sofressem os seus efeitos mais devastadores. Acentuou-se a contradição<br />entre este poder económico e um sistema de regulação que reflecte, no fundamental, no plano<br />político formal, a distribuição do poder existente no fim da 2ª Guerra Mundial, completamente<br />desfasado do panorama actual. A regulação global não correspondeu a promessas expressas no<br />início da grande recessão. O mundo continua à mercê de crises provocadas pela especulação<br />financeira.</p>
<p style="text-align: justify;"><br />No plano político, a vitória de Obama (Nov. 2008) não só não correspondeu às expectativas dos<br />optimistas que esperavam mudanças positivas, como originou um sentimento de frustração face<br />a naturais expectativas de sectores sociais decisivos para a sua eleição que viam no processo a<br />possibilidade de se abrir um novo ciclo. Se houve passos pontuais positivos (como a não<br />instalação de um escudo antimíssil no Leste europeu) também houve continuidades nas políticas<br />belicistas recuos e cedências aos republicanos e ao grande poder económico e financeiro, e o<br />não cumprimento de promessas como o encerramento da prisão de Guantánamo ou contradições<br />4 (como no processo relativo à independência da Palestina), ou atitudes de afrontamento à<br />comunidade mundial como a retirada da UNESCO. A retirada de tropas americanas do Iraque<br />(final de 2011) evidencia que não é possível replicar hoje os modelos coloniais do passado. O<br />“imperialismo Norte-americano” mantém-se ofensivo, mas são evidentes fragilidades e perdas<br />do seu poder.</p>
<p style="text-align: justify;"><br />A insegurança e o terrorismo continuaram a ser usados como pretextos para promover agressões<br />e ingerências fazer regredir os direitos humanos e o Estado de direito. A Cimeira da NATO (em<br />Lisboa, Nov. 2010) adoptou o chamado novo “conceito estratégico” o qual representa um<br />perigoso passo da ofensiva militarista. Mantiveram-se ameaças globais como o terrorismo, com<br />perigosos desenvolvimentos. Aumentaram as tensões e conflitos em várias regiões do globo,<br />com destaque para o Médio-Oriente, o Afeganistão, o Iraque e a Líbia, com uma intervenção<br />militar (2011), que a CGTP-IN condenou, manteve-se o bloqueio a Cuba, a ocupação da<br />Palestina por Israel e do Sara Ocidental por Marrocos e prosseguem ingerências em países<br />soberanos. No Norte de África e no Médio Oriente eclodiram fortes movimentos de protesto,<br />que conduziram a alterações no poder, se bem que desenvolvimentos ulteriores, complexos e<br />contraditórios, não permitam, ainda, concluir do real alcance e sentido de vários desses<br />processos.</p>
<p style="text-align: justify;"><br />O desemprego é hoje uma das maiores ameaças à escala mundial. Apesar da recessão ter<br />provocado mais 30 milhões de desempregados, a sua redução continua a não ser considerada<br />como a maior das prioridades. Apesar da generalidade dos trabalhadores serem afectados, a<br />crise de emprego tem maiores impactos nalgumas regiões incluindo os países desenvolvidos e o<br />Norte de África e afecta, de forma desproporcionada e grave, os jovens.<br />A promessa feita em 2000 de alcançar avanços substanciais em oito domínios essenciais (os<br />Objectivos de Desenvolvimento do Milénio), incluindo a redução para metade da pobreza, a<br />educação primária universal, a saúde materna e a redução da mortalidade infantil, teve mais<br />recuos que avanços, existindo uma elevada probabilidade de não serem conseguidos até 2015.<br />Uma das maiores ameaças globais respeita à mudança climática. Este período foi marcado quer<br />por desastres ecológicos (como a explosão em 2010 da plataforma petrolífera da BP no Golfe do<br />México), quer por desastres naturais (Fukushima em 2011, cheias, ciclones, etc.). As Cimeiras<br />realizadas (Copenhaga em 2009, Cancún em 2010, Durban em 2011), com vista a alcançar um<br />novo acordo que substitua o Protocolo de Quioto, falharam no essencial.<br />Uma parte muito significativa da humanidade continua a viver com recursos muito limitados ou<br />é vítima da fome. A crise que emergiu em 2008 e a subida dos preços dos produtos agrícolas,<br />com picos em 2008 e no início de 2011, tiveram forte impacto negativo. Em 2015 haverá ainda<br />cerca de 920 milhões de pessoas que viverão em pobreza (menos de 1,25 dólares por dia),<br />segundo a ONU. As desigualdades tendem a acentuar-se, assim como a injustiça na distribuição<br />da riqueza e a dificuldade de acesso a bens essenciais apesar de haver hoje uma maior<br />consciência global das suas causas e dos seus responsáveis.<br />Esta situação global tem merecido uma resposta de resistência e luta por parte dos trabalhadores<br />e dos povos. Resistência a invasões, a ocupações, a chantagens e bloqueios que se traduziram<br />em inúmeras acções sindicais e populares com manifestações, lutas e greves, um pouco por todo<br />o mundo, incluindo nos EUA (registe-se os extraordinários protestos em Wisconsin, que<br />constituíram uma das maiores mobilizações das últimas décadas; e o movimento “ocupar Wall<br />Street”).<br />1.2 Os caminhos da EU: da reacção tardia à crise global à ameaça de implosão do euro<br />A União Europeia confirmou-se como pólo avançado da ofensiva neoliberal e teve o período<br />mais agitado da sua história – repleto de expressão de contradições, de erradas decisões<br />políticas, de perigosas afirmações de populismo e domínio da direita e da extrema-direita: viu-se<br />mergulhada na crise global após a ter ignorado no seu início; passou duma recessão para uma<br />5<br />crise da dívida havendo a ilusão de que seria limitada a alguns países (pequenos e da periferia)<br />quando hoje paira a ameaça de desintegração da zona euro, que a acontecer terá forte impacto a<br />nível global; aprovou um novo Tratado, à margem dos povos europeus e da sua vontade, num<br />processo que se arrastou por vários anos e mostrou um crescente distanciamento dos cidadãos<br />face ao modo como se tem construído a União Europeia; lançou uma “nova governação<br />económica” em que se aprofunda a perda de soberania dos países e os dos povos; revelou a falta<br />de cooperação e solidariedade entre os países com o domínio de estereótipos e posições por<br />vezes até de carácter xenófobo que rotulam povos do centro-norte da Europa como “virtuosos”<br />face a países do Sul “gastadores”; fez progredir as forças políticas mais conservadoras na<br />generalidade das eleições realizadas; atacou pilares fundamentais do Estado-social, em que os<br />salários e os direitos no trabalho são cada vez mais atacados considerados como meros factores<br />de ajustamento.<br />Na União Europeia, a crise veio revelar quão frágil e contraditório é o modelo e as opções<br />assumidas na construção europeia e quão hipócritas são as considerações e objectivos que,<br />frequentemente, constam dos preâmbulos e articulado dos tratados e de declarações solenes.<br />Coesão económica e social, evolução social no progresso, dimensão social do mercado interno<br />tornaram-se expressões carentes de sentido, nomeadamente, quando países como Portugal,<br />Grécia, Irlanda e outros são submetidos a pressões, ingerências e chantagens inaceitáveis.<br />Mas este processo não é linear nem isento de contradições. Neste mesmo período houve<br />também uma luta social intensa, os sindicatos tiveram uma intervenção activa com a realização<br />de greves gerais e outras lutas de grande dimensão e emergiram novos movimentos de protesto,<br />essencialmente no plano social.<br />No plano político, a Europa é hoje dominada pelas forças políticas de direita e da extremadireita<br />e por forte influência conservadora e neoliberal no plano económico, social e cultural,<br />quer nas instituições europeias, quer ao nível dos países: novo Parlamento Europeu com maior<br />peso dos partidos de direita (Junho 2009); reeleição de Durão Barroso à frente da Comissão<br />Europeia (Set. 2009); forte progressão dos partidos de direita e em alguns casos da extremadireita<br />nas eleições em vários países (como: Reino Unido, Portugal, Espanha, Finlândia,<br />Suécia), enquanto noutros foram formados abertamente governos de tecnocratas (Itália e<br />Grécia); os partidos sociais democratas e socialistas, em geral, estão fora dos governos.<br />A entrada em vigor do Tratado da UE (Dez. 2009), após um período de mais de 8 anos de<br />impasse e de negociações, conduziu a alterações na arquitectura institucional, mas os grandes<br />problemas institucionais e o necessário reequilíbrio de relações de forças continuam por<br />resolver, tendo-se acentuado o centralismo, com transferência de competências para as<br />instituições da UE em vários domínios e perda de soberania dos Estados a favor das grandes<br />potências. O Conselho Europeu que passou, em consequência da aprovação do Tratado, a ser<br />presidido por Van Rompuy, nomeou um alto representante para os negócios estrangeiros e a<br />política de segurança (Catherine Ashton).<br />Foram, porém, os temas económicos (em si mesmos condicionados pelo financeirismo) que<br />dominaram todo este período. A UE reagiu muito tarde à recessão e só em Dezembro de 2008<br />aprovou um insuficiente plano de relançamento económico. Tal posição teve consequências<br />negativas e contribuiu para que a generalidade dos países também respondesse tardiamente. Esta<br />intervenção determinou um agravamento dos défices e da dívida pública nos países da UE. Mas<br />não foi este agravamento em si que originou a crise da dívida, iniciada na Grécia (Nov. 2009),<br />mas antes o modo como as autoridades europeias a enfrentaram permitindo e alimentando a<br />especulação, em benefício do grande capital financeiro, de grandes interesses económicos e das<br />grandes potências, com destaque para a Alemanha – e os condicionalismos colocados aos países<br />– a que se juntou a chantagem dos mercados financeiros.<br />Os programas de “financiamento” da Grécia (2010), Irlanda (2010) e Portugal (2011), com a<br />subserviência dos governos destes países impostos pelas autoridades europeias e pelo FMI,<br />traduziram-se em medidas de austeridade brutais, designadamente, cortes nas despesas públicas<br />e nas prestações sociais, reduções salariais, aumento de impostos, ataque aos direitos laborais, à<br />6<br />contratação colectiva e aos sindicatos ou seja, recessão económica, empobrecimento, mais<br />desemprego e pobreza, acompanhadas de uma intensa campanha ideológica, assente na tese das<br />inevitabilidades, procurando instalar medos e resignação.<br />Avançaram, ao mesmo tempo, com medidas dirigidas a apertar o controlo orçamental da UE no<br />contexto da chamada governação económica, cujo pacote global foi aprovado em Setembro de<br />2011, incluindo o reforço das regras do Pacto de Estabilidade e de Crescimento, a aplicação<br />quase automática de sanções, e um maior controlo da UE em relação às políticas económicas<br />nacionais. Este pacote tem profundas implicações políticas (perdas de soberania), económicas<br />(torna mais difícil o recurso a políticas nacionais para impulsionar o desenvolvimento), sociais<br />(maior pressão sobre a despesa social) e laborais (pressão sobre os custos laborais e sobre a<br />legislação de trabalho a pretexto do reforço da competitividade).<br />As medidas tomadas no sentido de prevenir crises da dívida mostraram-se ineficazes, como a<br />criação em 2010 do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. A sua inadequação, aliada à<br />lógica da austeridade, conduziu a recessões nos países mais afectados pela crise e à deterioração<br />do crescimento a nível global na UE, com perspectivas de nova recessão em 2012. Estes<br />factores foram agravados pela pressão dos mercados financeiros e, em particular, pela acção das<br />agências de notação financeira. A crise acentuou-se em meados de 2011 e, nas várias Cimeiras<br />Europeias, não houve capacidade e muito menos vontade política para a resolver.<br />No final deste ano (2011) a zona euro encontra-se em sério risco de colapso e quer a situação de<br />incerteza gerada, quer o possível colapso contribuem para colocam colocar o nosso país numa<br />situação muito delicada.<br />A Europa Social foi posta em causa, sobretudo pela aplicação de programas de austeridade que<br />visaram a redução da despesa social. Não foi, porém, este, o único factor. A Europa tornou-se<br />menos social em resultado: do aumento da concorrência social, em consequência de decisões do<br />Tribunal Europeu de Justiça, que fazem prevalecer as liberdades económicas em relação a<br />direitos dos trabalhadores; da pressão, impulsionada pela Comissão, de aumentar a idade legal<br />de reforma; da diminuição da protecção no emprego (flexigurança) e da maior precariedade.<br />Os trabalhadores reagiram com protestos e greves, incluindo greves gerais, com destaque quer<br />para as lutas desenvolvidas ao nível de países (como a Grécia, Espanha, França, Portugal,<br />Bélgica e Itália) quer para manifestações europeias promovidas pela CES e nas quais a CGTPIN<br />participou.<br />1.3. A situação nacional: da recessão em 2009 ao programa da troika e ao Governo da<br />direita<br />No decurso deste período (Fev. 2008 a Jan. 2012) a situação nacional foi progressivamente<br />dominada pela crise económica profunda e integrada numa crise política e social – que afectou<br />todos os domínios.<br />No plano político, sucederam-se três governos. O primeiro Governo do Partido Socialista<br />(2005-2009) foi seguido por um executivo socialista minoritário (eleições legislativas de Set.<br />2009), o que reflectiu o seu desgaste face a medidas antipopulares. Veio a demitir-se (Março de<br />2011) com a rejeição pelo PSD de um novo pacote de austeridade, já no contexto da presente<br />crise da dívida soberana. Após a realização de eleições legislativas (Junho) e a formação de um<br />governo PSD/CDS-PP, criou-se uma situação nova no país. A direita passou a controlar o poder<br />legislativo e executivo. Cavaco Silva foi reeleito como Presidente da República (Jan. 2011). O<br />PSD foi dominado pela sua corrente mais liberal, na sequência da colocação de Passos Coelho<br />na sua liderança (Março de 2010).<br />A crise económica (com aquelas características) dominou todo o período decorrido desde o XI<br />Congresso. Numa fase inicial (2008-2009), somaram-se aos problemas internos (crescimento<br />económico débil desde o início da década) as consequências da grande recessão global. As<br />medidas de resposta à crise, no contexto do plano aprovado na UE no final de 2008, tendo<br />embora, no imediato, aliviado alguns dos seus efeitos, não impediram uma forte recessão, o<br />7<br />agravamento do desemprego e, nalgumas actividades, com destaque para o sector automóvel, o<br />forte aumento dos trabalhadores com contratos de trabalho suspensos ("lay-offs").<br />As medidas de apoio foram dirigidas sobretudo às empresas (apoios ao automóvel, aos têxteis, a<br />alguns grandes grupos económicos e pontualmente a PMEs), o que, em conjugação com uma<br />forte evasão fiscal, contribuiu para a deterioração das contas públicas.<br />Realce-se que as chamadas medidas de combate à crise se centraram, desde o inicio, no apoio ao<br />sector financeiro e à transferência de buracos resultantes de situações de gestão fraudulenta e<br />roubo (privados) para dívida do Estado, com situações escandalosas como os custos da<br />privatização do BPN e outras. Também foram favorecidos os accionistas de grandes grupos<br />económicos, nomeadamente, de monopólios de prestação de serviços aos portugueses.<br />Entretanto, os accionistas e os “grandes” gestores do sector financeiro e destes grupos<br />continuaram a usufruir de grandes lucros e remunerações e, muitos deles, a usar os paraísos<br />fiscais para não pagar impostos em Portugal.<br />Criando “cortinas de fumo” e usando desinformação, os poderes político e económico criaram<br />nos portugueses e portuguesas a ideia (mentirosa) que só o Estado se endividou (para pagar<br />pensões ou subsídios de desemprego, ou para garantir direitos sociais e pagar salários aos<br />trabalhadores da Administração Pública) e a maldosa noção de que todos os portugueses<br />viveram acima das suas possibilidades e daquilo a que tinham direito.<br />A segunda fase (do início de 2010 até hoje) corresponde ao início e aprofundamento da crise da<br />dívida na Europa, desencadeada no Outono de 2009 na Grécia (ver 1.2). Durante 2010 foram<br />aprovados sucessivos programas de austeridade (o primeiro em Março), que agravaram as<br />condições de vida da maioria da população e que, no plano político, vieram a culminar na<br />rejeição do PEC III (programa de estabilidade e crescimento) na Assembleia da República,<br />conduzindo à queda do Governo de José Sócrates e à marcação de eleições antecipadas (5 de<br />Junho de 2011), donde resultou o Governo da direita PSD/CDS.<br />Foi neste contexto que Portugal pediu ajuda externa (Abril) e foi estabelecido um “empréstimo”<br />ao país (Maio). Na sua origem estão, entre outros, programas de austeridade que não resolveram<br />antes pioraram os problemas; as exigências das autoridades europeias de sempre mais cortes nas<br />despesas; a chantagem dos mercados financeiros, em particular das agências de notação<br />financeira; um processo especulativo que se deslocou para os títulos da dívida pública; a<br />chantagem dos bancos nacionais que declararam não financiar mais o Estado.<br />A CGTP-IN teve uma intervenção activa que se não limitou a denunciar os responsáveis pelo<br />desastre, tendo apresentado medidas alternativas destinadas a conciliar a redução do défice<br />público com o crescimento económico e com maior justiça social e fiscal.<br />O Memorando de Entendimento é um programa de violentos cortes nos direitos e condições de<br />vida dos trabalhadores, ao povo e ao país. É socialmente injusto, nomeadamente, porque<br />penaliza classes e grupos sociais sem responsabilidade na crise, e economicamente<br />contraproducente, pois a recessão agrava a dívida. Esse Memorando, subscrito em Maio, foi<br />actualizado no final do ano com mais medidas gravosas, sobretudo das que se inscrevem no<br />Orçamento de Estado para 2012.<br />Os trabalhadores foram particularmente atingidos: desemprego, corte de salários, redução das<br />prestações, etc. A Iniciativa para a Competitividade e o Emprego (dez. 2010), ao inserir a<br />facilitação dos despedimentos por via da redução das indemnizações e um novo ataque ao<br />direito de contratação colectiva, abriu o caminho para novas e mais graves derivas, como as que<br />constam do Memorando de Entendimento. Pretendem, objectivamente, facilitar mais os<br />despedimentos (novos cortes nas indemnizações e mais motivos de despedimento); aumentar a<br />duração do tempo de trabalho (em mais meia hora por dia) a título gratuito e reduzir dias de<br />férias e feriados; acentuar a ofensiva contra o direito de contratação colectiva e os salários e<br />dificultar a emissão da extensão dos contratos colectivos.<br />Se os direitos dos trabalhadores foram mais atacados na fase final deste período na vigência da<br />governação de direita, não deixa de ser verdade que, no tempo decorrido entre os Congressos,<br />8<br />prevaleceu, com poucas excepções, da parte dos governos e patronato, políticas anti-laborais. A<br />revisão do Código de Trabalho assinalou negativamente todo o ano de 2008, sobretudo pelo<br />aprofundamento do ataque à contratação colectiva, com relevo para a caducidade das<br />convenções colectivas e o princípio da adesão individual dos trabalhadores não sindicalizados a<br />convenções colectivas.<br />Os direitos dos trabalhadores não foram postos em causa apenas no sector privado, o mesmo<br />acontecendo na Administração Pública com as mudanças legislativas, quer no que respeita aos<br />direitos individuais quer aos direitos colectivos (legislação sobre vínculos, carreiras, contrato de<br />trabalho em funções públicas, etc.). A diminuição do poder de compra foi mais violenta e<br />directa na Administração Pública, devido a medidas de congelamentos ou cortes salariais em<br />2010 e 2011.<br />A segurança social foi enfraquecida ao longo do período. O regime do subsídio de desemprego<br />foi revisto para pior (Junho de 2010) e alteraram-se as condições de acesso às prestações sociais<br />não contributivas (idem), o que causou uma forte quebra no número de beneficiários. Com o<br />Memorando de Entendimento e com o programa do Governo da direita do PSD-CDS abriu-se<br />uma fase nova no ataque ao direito de segurança social a favor de concepções assistencialistas,<br />de esmola pública.<br />Por outro lado decorrem desses compromissos/interpretações submissas ao Memorando, as<br />políticas em curso que põem em causa direitos à saúde, ao ensino, bem como outros direitos<br />sociais fundamentais.<br />E de forma criminosa, tentam que a juventude se renda à inevitabilidade de viver pior que os<br />seus pais ou avós e, em nome da interpretação do Memorando, erigido em “interesse do<br />Estado”, chegam ao descaramento de os incentivar à emigração.<br />No final deste período, temos assim uma situação muito complexa com riscos de rupturas<br />diversas na sociedade.<br />Não foram vencidos problemas estruturais da nossa economia, como a ultrapassagem dum<br />modelo baseado em baixos salários e em produções de baixo conteúdo tecnológico. A<br />desindustrialização acentuou-se, houve perdas de competitividade e o défice da balança corrente<br />manteve-se em níveis insustentáveis. O resultado foi um baixo crescimento económico, mais<br />desemprego e menor nível de vida.<br />No plano laboral, os recuos consumados com o Código de Trabalho, o enfraquecimento da<br />contratação colectiva, o aumento da precariedade e imposição de normas de trabalho mais<br />flexíveis tornam os trabalhadores mais desprotegidos face ao empregador.<br />Nas políticas sociais, o enfraquecimento de direitos de Segurança Social, particularmente dos<br />desempregados e dos beneficiários de prestações sociais não contributivas e a imposição de uma<br />política populista “de protecção aos pobrezinhos”, em substituição da garantia, com carácter<br />universalista, dos direitos sociais fundamentais, empobrece aceleradamente a sociedade e tolhe<br />as possibilidades do seu desenvolvimento.<br />Os efeitos convergentes destas políticas económicas, laborais e sociais agravam a informalidade<br />na economia e no trabalho, num contexto em que a economia clandestina tinha já uma dimensão<br />perigosa.<br />Neste contexto, a aplicação de programas de austeridade, agravadas pela acção do Governo da<br />direita (e com um PSD com uma orientação liberal) gera uma situação perigosa porque, a<br />austeridade, ao gerar recessão, conduz a mais austeridade num ciclo destrutivo para o tecido<br />económico e social. O XII Congresso vai pois realizar-se numa situação qualitativamente nova,<br />pelo que é necessário prosseguir e intensificar a luta contra a política de direita e a enorme<br />ofensiva patronal, por uma mudança de rumo política, económica e social, que corresponda às<br />necessidades e anseios dos trabalhadores, do povo e do país.<br />9<br />1.4. A intervenção Sindical e a Luta dos Trabalhadores e das Trabalhadoras<br />Face à evolução da situação política, económica e social, os trabalhadores responderam, de<br />forma determinada, com um significativo aumento de contestação social a aspectos<br />fundamentais das políticas dos governos, de combate à actuação antidemocrática e oportunista<br />de grande parte do patronato, agindo em defesa de legítimos e fundamentais direitos laborais e<br />sociais que são estruturantes da democracia.<br />A CGTP-IN, com os seus sindicatos, os seus milhares de activistas e dirigentes sindicais,<br />assumiu um papel determinante ao conduzir um conjunto de poderosas lutas sindicais a nível<br />das empresas, dos sectores, das regiões e no plano nacional, em que participaram, de forma<br />determinada, centenas e centenas de milhar de trabalhadores. A par desta acção, estabeleceu<br />contactos e reflexões frequentes com os diversos órgãos do poder, com forças políticas, com<br />inúmeras instituições, designadamente, com organizações e movimentos sociais, donde resultou,<br />não apenas a sensibilização e apoio às suas propostas, mas também o surgimento de<br />posicionamentos potenciadores de importantes e indispensáveis alianças sociais. São de destacar<br />as duas greves gerais (Nov. de 2010 e Nov. de 2011) pelo seu significado, enquanto acções<br />maiores de uma luta contra a política de austeridade e da afirmação pela construção de<br />caminhos alternativos para o país, pela adesão verificada nos locais de trabalho dos sectores<br />público e privado, pela imensa participação nas manifestações e concentrações (34 por todo o<br />país) realizadas no mesmo dia, no caso da greve geral do passado dia 24 de Novembro 2011, e<br />pelo apoio expresso pela opinião pública e por sectores políticos e académicos quer a objectivos<br />centrais da greve geral, quer à determinação e formas de luta dos trabalhadores. Das inúmeras<br />acções de massa que a CGTP-IN desenvolveu, a todos os níveis da estrutura, e num<br />extraordinário trabalho de organização, esclarecimento, mobilização e realização de lutas<br />diversificadas – greves, concentrações, manifestações, etc., ao nível dos locais de trabalho,<br />sectores, regiões e nacionais, importa salientar: em 2011, realização de lutas diversificadas e<br />concentrações distritais, na semana de 24 a 29 de Janeiro, “Contra a precariedade e o<br />desemprego – é hora de mudar! + emprego, salários, direitos” para dar continuidade ao protesto<br />dos trabalhadores contra as políticas anti-sociais do Governo e exigir melhores condições de<br />vida e de trabalho; Grande Manifestação Nacional dos trabalhadores dos sectores público e<br />privado, dos jovens e reformados, no dia 19 de Março, em Lisboa, “Dia Nacional de indignação<br />e protesto” contra as injustiças e as desigualdades, pela mudança de políticas; a Grande<br />Manifestação Nacional da Juventude Trabalhadora, no dia 1 de Abril, em Lisboa, assinalando o<br />Dia Nacional da Juventude, sob o lema “Em Luta! Queremos Trabalho! Exigimos Direitos”; a<br />Manifestação de 19 de Maio, “Contra a ingerência da U.E. e do FMI”; Jornada Nacional de<br />Esclarecimento e Mobilização, de 11 a 16 de Julho, designada “Semana de acção, de protesto e<br />de proposta” com acções diversificadas em todo o país, para denunciar os objectivos do<br />Governo, divulgar as propostas da CGTP-IN para o país e reclamar novas políticas e um novo<br />rumo para Portugal; Acção Pública na A.R. no dia 31 de Agosto, para entrega dos pareceres<br />relativos à proposta de lei nº 2/XII (redução das indemnizações por despedimento); iniciativa<br />contra as privatizações, no dia 22 de Setembro, em Lisboa, que envolveu trabalhadores,<br />activistas sindicais e membros de comissões de trabalhadores e camadas da população; no dia 1<br />de Outubro, data do 41º aniversário da CGTP-IN, foi comemorado com um grande Dia de Luta,<br />através de duas Concentrações/Manifestações em Lisboa e Porto, “Contra o empobrecimento e<br />as injustiças – Emprego, Salários, Pensões e Direitos Sociais”; Semana de Luta Nacional, de 20<br />a 27 de Outubro, com greves, paralisações e acções de rua, contra o desemprego, a destruição<br />dos direitos laborais e o roubo dos salários, pela defesa dos postos de trabalho e aumento dos<br />salários; Concentração na A.R. no dia 30 de Novembro, para protestar contra o Orçamento de<br />Estado aprovado nesse dia pelos partidos que suportam o Governo (PSD e CDS) e o apoio do<br />PS; Semana de Protesto e Acção contra o aumento do horário de trabalho e o trabalho forçado;<br />pelo emprego, salários e direitos, que envolveu trabalhadores de todo o país, dos sectores<br />público e privado, de 12 a 17 de Dezembro.<br />10<br />Em 2010, Acção Nacional Descentralizada, que decorreu de Janeiro a Março, sob o lema<br />“Contra a precariedade e o desemprego – É Hora de Mudar! + Emprego, Salários, Direitos”,<br />consubstanciada na realização de um conjunto de lutas sectoriais, distritais e de empresa, tendo<br />como objectivo a resposta aos problemas e reivindicações mais sentidas pelos trabalhadores;<br />dezenas de outras manifestações tiveram lugar no Continente e nas Regiões Autónomas,<br />destacando-se no dia 26 de Março a Manifestação da Juventude Trabalhadora, para a A.R, sob o<br />lema “Geração com Direitos – Garantia de Futuro – Lutamos pela Estabilidade do Emprego –<br />Salários e Horários Dignos”; Grande Manifestação Nacional dos Trabalhadores da<br />Administração Pública, do Sector Privado e das camadas da população vítimas de políticas<br />injustas, realizada em 29 de Maio, para exigir “Um Novo Rumo, com a Luta de quem<br />Trabalha”; Dia Nacional de Protesto e Luta, a 8 de Julho, “Contra o desemprego e a<br />precariedade” com greves, paralisações de trabalho e manifestações na rua, teve também uma<br />grande expressão de massas em todos os distritos do país; Grande Jornada de Luta – pelo<br />Emprego, Salários, Serviços Públicos; contra o desemprego e as injustiças – efectuada em 29 de<br />Setembro, integrada na luta europeia convocada pela Confederação Europeia de Sindicatos (Dia<br />Europeu de Acção), mas com os objectivos próprios da luta nacional, com realização de greves<br />e paralisações dos sectores privado e público e duas grandes concentrações de trabalhadores em<br />Lisboa e Porto.<br />Em 2009, Grande Manifestação Nacional de 13 de Março de 2009, em Lisboa, que sob o lema<br />“Mudar de Rumo, Mais Emprego, Salários e Direitos”, fez convergir os trabalhadores do sector<br />privado e da Administração Pública, numa extraordinária demonstração de força do movimento<br />sindical para continuar a luta em defesa dos direitos sociais dos trabalhadores; Tribunas<br />Públicas realizadas em vários Distritos, sob o lema “Mudar de Rumo: Emprego com Direitos”,<br />de 2 a 8 de Abril; iniciativas realizadas em empresas (plenários de trabalhadores) e diversas<br />localidades, na semana de 3 a 8 de Outubro, inseridas no âmbito da Jornada Mundial pelo<br />Trabalho Digno convocada pela CSI.<br />Em 2008, a Jornada de Aviso Geral, com Manifestações no Porto e em Lisboa, em 16 e 17 de<br />Abril, respectivamente, contra a revisão do código do trabalho e das leis laborais na<br />administração pública, por mais salários e contra a precariedade; Manifestação Nacional em<br />Lisboa, no dia 5 de Junho, “Não a esta revisão das leis laborais! Vida e trabalho digno para<br />todos”; Acção Geral de Protesto e Luta, no dia 28 de Junho, com concentrações em diversas<br />localidades do país, pelo aumento dos salários e das pensões, contra a revisão das leis laborais e<br />a carestia de vida; Cordão Humano, efectuado no dia 10 de Setembro, entre a sede da CGTP-IN<br />e a A.R., para entrega dos pareceres sobre a revisão das leis laborais (proposta de lei nº 216/X<br />que revê o código do trabalho); o dia nacional de luta de 1 de Outubro, por “Melhores salários,<br />emprego sem precariedade, contra a alteração das leis laborais”; realização de Tribunas Públicas<br />na semana de 6 a 10 de Outubro, em vários Distritos do país, inseridas no âmbito da Jornada<br />Mundial pelo Trabalho Digno, convocada pela Confederação Sindical Internacional (CSI); o<br />desfile nacional de dirigentes e activistas sindicais, junto da Assembleia da República, a 6 de<br />Novembro, (aquando da votação do Código de Trabalho).<br />As comemorações do 25 de Abril e 1º de Maio, foram realizadas sempre numa perspectiva de<br />luta, pela defesa dos ideais e direitos que aquelas datas simbolizam e, por isso, constituíram<br />momentos altos da mobilização dos trabalhadores dos sectores privado e público, para<br />afirmarem o seu descontentamento, indignação e protesto face à injustiça das políticas seguidas<br />e num apoio inequívoco às reivindicações e propostas da CGTP-IN.<br />Particular destaque é justificado relativamente às duas extraordinárias Greves Gerais, realizadas<br />em 24 de Novembro de 2010 e, na mesma data, em 2011. A greve geral de 2010 culminou um<br />ano de intensas lutas, constituindo um grande êxito, não apenas porque nela estiveram<br />envolvidos mais de 3 milhões de trabalhadores, mas sobretudo porque a partir desta grandiosa<br />acção de massas foram potenciadas futuras movimentações políticas e sociais, que haveriam de<br />conduzir à demissão do Governo do PS/Sócrates. Quanto à greve geral de 2011, convocada<br />contra o pacto de agressão do Governo PSD/CDS, em defesa do sector produtivo, da<br />valorização do trabalho, pela construção do futuro com direitos, pela defesa da Democracia e<br />11<br />salvaguarda da Soberania Nacional, a extraordinária adesão dos trabalhadores superou a greve<br />geral do ano passado em número de trabalhadores e de empresas totalmente paralisadas. Obteve<br />adesões excepcionais em todo o país, seja no Continente seja nas Regiões Autónomas; abrangeu<br />todos os sectores da administração pública central, regional e local e a generalidade das<br />actividades do sector privado; foi transversal a homens e mulheres, aos jovens, aos<br />trabalhadores com vínculo efectivo e com vínculo precário, ficando para sempre assinalada<br />como um marco notável dos trabalhadores portugueses em defesa dos direitos e condições de<br />vida dignas para o presente, mas também para o futuro das novas gerações.<br />Apesar das chantagens e arbitrariedades de algumas entidades patronais e o Governo ter<br />recorrido a meios ilegais para tentar impedir os trabalhadores de exercerem o direito de greve,<br />nomeadamente através dos denominados “serviços mínimos” nas empresas de transportes, esta<br />alcançou pleno êxito em todas as suas dimensões. Nem a utilização das forças de segurança,<br />visando criar um clima de intimidação e impedir a presença e acção dos piquetes de greve em<br />algumas empresas, o que revela a natureza autoritária e repressiva do actual Governo do PSDCDS,<br />fez recuar os trabalhadores perante tais práticas antidemocráticas. Regista-se, por outro<br />lado, a forma como os trabalhadores e outras camadas da população responderam com<br />entusiasmo à decisão da CGTP-IN de convocar concentrações e manifestações, em 35 distritos e<br />localidades de todo o País, do Continente e das Regiões Autónomas. Sendo o objectivo destas<br />iniciativas dar visibilidade à greve geral, mostrando nas ruas a força organizada dos<br />trabalhadores em luta, muitas dezenas de milhares de trabalhadores compareceram nestas acções<br />espalhadas por todo o País, a que se juntaram desempregados, reformados e estudantes,<br />mostrando a todo o país a grandiosidade da luta que neste dia foi realizada, ao mesmo tempo<br />que possibilitou redobrar a denúncia e o protesto, reafirmar as propostas da CGTP-IN e alargar a<br />compreensão e disponibilidade para as lutas futuras<br />O balanço efectuado da magnífica participação dos trabalhadores nas greves gerais mostra que<br />o movimento sindical realizou importantes avanços qualitativos no plano da organização, da<br />unidade e da solidariedade entre os trabalhadores. Estas lutas, no seguimento das anteriores,<br />deram importantes indicações de que com coragem, firmeza e determinação é possível<br />prosseguir a luta de massas, alcançar os nossos objectivos e abrir um novo caminho de Futuro<br />para Portugal.<br />No quadro da revisão do Código de Trabalho, a CGTP-IN desenvolveu um trabalho intenso,<br />cujo processo dominou todo o ano de 2008. A CGTP-IN visou não apenas impedir a redução<br />dos direitos, mas também corrigir os aspectos mais gravosos do Código de Trabalho de 2003,<br />sobretudo no que respeita à contratação colectiva, bem como consagrar a melhoria dos direitos<br />dos trabalhadores na lei. Embora os objectivos propostos não tenham sido atingidos, a CGTP-IN<br />viu a sua argumentação reforçar-se na sociedade, engrossando a resistência necessária para o<br />futuro. E, apesar de não impedir uma revisão gravosa do Código: foi pedida a fiscalização da<br />constitucionalidade de algumas dessas normas por partidos políticos e por alguns deputados;<br />sendo declarada inconstitucional a norma do período experimental de 180 dias para os<br />trabalhadores indiferenciados.<br />Perante este cenário, em 2008, a intervenção sindical foi abrangente envolvendo: para além da<br />participação na concertação social; a realização de acções de protesto supra mencionadas (5 de<br />Junho, 1 de Outubro, 6 de Novembro); a acção legal, tendo sido apresentadas duas queixas na<br />OIT por violação da convenção nº 87 sobre a liberdade sindical e a protecção do direito sindical;<br />a pressão para que normas gravosas fossem sujeitas à apreciação da sua constitucionalidade.<br />Toda esta ampla e rica intervenção sindical, desenvolvida num contexto político, económico e<br />social muito difícil, colocou e coloca ao movimento sindical a necessidade de constante e<br />aprofundada análise sobre a definição das suas propostas, reivindicações e objectivos imediatos<br />e estratégicos, bem como a condução eficaz de cada luta.<br />No plano sectorial são de salientar a acção na contratação colectiva, abrangendo igualmente<br />empresas, e a Administração Pública. Apesar de mais difícil, os sindicatos não deixaram de<br />exercer o direito de contratação colectiva e de obter pela negociação, pela mobilização e pela<br />12<br />luta aumentos de salários e melhorias nas convenções. No plano salarial há igualmente a<br />sublinhar a luta pelo aumento do salário mínimo, exigindo a aplicação integral do Acordo<br />estabelecido em 2006, o que apenas não foi conseguido em 2011.<br />Na Administração Pública houve uma intervenção intensa tendo em conta a resposta às medidas<br />restritivas impostas no domínio salarial, nas carreiras profissionais, no emprego, na Segurança<br />Social e na negociação colectiva. Esta intervenção, por vezes difícil e com novos e complexos<br />desafios à capacidade de contacto com os trabalhadores e acção e aos objectivos estratégicos<br />dos sindicatos do sector, foi articulada com a defesa de serviços públicos de qualidade, sendo de<br />referir o importante Encontro sobre Estado, Administração Pública e Direitos Sociais, realizada<br />em Lisboa, em 3 de Nov. de 2011. Em toda esta acção estiveram envolvidos trabalhadores no<br />âmbito da administração central, regional e local e em grupos profissionais, com destaque nestes<br />para as grandes manifestações realizadas pelos professores (Março e Novembro de 2008). O<br />acordo alcançado neste sector (Jan. 2010) sobre a avaliação traduz um resultado positivo das<br />lutas efectuadas, embora transitório e com contradições face à actual situação política.<br />No plano das empresas, onde não param de aumentar as dificuldades de desenvolvimento da<br />actividade sindical, o trabalho sindical teve uma forte incidência na melhoria dos salários e das<br />condições de trabalho, na salvaguarda do emprego e na passagem a efectivos de trabalhadores<br />com vínculos precários, bem como nas tarefas de organização.<br />A CGTP-IN teve uma intervenção muito activa na apresentação de propostas, de reivindicações,<br />na realização de iniciativas de carácter muito diverso (incluindo uma petição sobre o fim dos<br />paraísos fiscais) direccionadas para novas políticas, debates especializados com a participação<br />de destacados juristas, economistas, personalidades da vida social e política de várias áreas, e<br />encabeçou fortes protestos sociais. São ainda de destacar nas iniciativas levadas a cabo, a V<br />Conferência sobre a Igualdade entre Mulheres e Homens (Maio de 2009) e a Conferência sobre<br />Diálogo Social e a Negociação Colectiva (Setembro 2009).<br />Ficou reconfirmado que os sindicatos e o sindicalismo, com as suas propostas e a sua acção,<br />continuarão a ser uma fonte de esperança e de confiança, obreiros indispensáveis da resistência<br />ao neoliberalismo e às violências da crise e das contradições insanáveis do capitalismo, de<br />defesa da democracia, de construção de políticas e caminhos alternativos.<br />Os sindicatos são um importante instrumento de todos os trabalhadores e trabalhadoras e, em<br />particular, dos mais jovens, para a transformação social, para a construção de um futuro melhor<br />com mais progresso e justiça social.<br />2. BLOQUEIOS AO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL<br />2.1. No Desenvolvimento Económico<br />A CGTP-IN teve uma preocupação constante de articulação das reivindicações laborais e sociais<br />com a defesa do desenvolvimento económico, social e ambientalmente sustentável. Podem<br />distinguir-se três fases na evolução económica, as quais balizaram a intervenção sindical.<br />A primeira corresponde ao período entre 2008 e o fim de 2009. O país acumulou nesta fase as<br />consequências de políticas que prolongaram a tendência de baixo crescimento ou estagnação<br />económica, que remonta ao início da década e se traduziu num elevado desemprego, com o<br />impacto da crise global de 2008-2009. O Governo começou por negar a crise económica, a<br />exemplo do que sucedeu ao nível da UE, e só interveio no final de 2009 com medidas que se<br />dirigiram sobretudo às empresas (como foi o caso do plano de apoio ao sector automóvel em<br />Dezembro de 2008). Destacam-se as irregularidades no sistema bancário (casos do BPP,<br />nacionalização do BPN, fraudes no BCP) que acabaram por ser suportadas com o dinheiro dos<br />contribuintes.<br />Em 2009, a situação económica degradou-se, o desemprego agravou-se e dispararam os<br />processos de suspensão de contratos de trabalho, sobretudo em empresas da indústria<br />automóvel. A CGTP-IN entreviu com acções de massas e com propostas para responder aos<br />13<br />problemas económicos e sociais sendo de realçar: a apresentação de uma proposta para minorar<br />os custos dos encargos com os empréstimos á habitação para as famílias de menores<br />rendimentos (Julho de 2008); a apresentação de propostas na concertação social no âmbito das<br />medidas de combate à crise; o lançamento de uma petição sobre o fim dos paraísos fiscais<br />(Junho de 2009); a intervenção a nível dos sectores e de empresas, em particular das empresas<br />com processos de suspensão de contratos de trabalho; a exigência do alargamento das medidas<br />de apoio aos desempregados.<br />A segunda fase corresponde ao início da crise da dívida soberana, no período decorrido até ao<br />pedido de intervenção externa (início de 2010 a Abril de 2011). Este período foi marcado pelos<br />Programas de Estabilidade e de Crescimento com pacotes de austeridade sucessivos entre Março<br />de 2010 e Março de 2011. A CGTP-IN denunciou estes programas por serem profundamente<br />injustos, fazendo recair o grosso dos sacrifícios sobre os trabalhadores, os pensionistas e os<br />grupos sociais mais desfavorecidos, como os beneficiários de prestações sociais não<br />contributivas. Aliou essa denúncia com a apresentação de propostas para superar a crise. Desde<br />o início (PEC de Março de 2010) definiu três eixos principais: a conciliação entre uma redução<br />realista do défice público com o desenvolvimento e o crescimento sustentável, fixando prazos<br />suficientemente amplos; o corte de despesas desnecessárias, a eliminação de desperdícios e a<br />adequada utilização de recursos públicos; o aumento das receitas do Estado através da redução<br />do nível da fraude e de evasão fiscal e contributiva e de mais justiça fiscal, através de uma<br />tributação mais progressiva.<br />A CGTP-IN defendeu que os apoios aos desempregados e às famílias no contexto das medidas<br />de combate à recessão de 2008-2009 deviam ser mantidos pois a crise não tinha terminado no<br />país; contestou a política de mais privatizações alertando para a perda de instrumentos<br />necessários a uma política de desenvolvimento económico; defendeu a melhoria do poder de<br />compra dos salários e das pensões para dinamizar a procura interna, criar empregos e<br />desenvolver o país.<br />Esta fase culminou na demissão do Governo socialista, no pedido de ajuda externa e na<br />convocação de eleições antecipadas. A CGTP-IN apresentou uma proposta alternativa, em que<br />defendeu nomeadamente a redução da dívida num prazo longo, denunciou uma “ajuda” que<br />beneficia os credores (que se financiam a juros irrisórios e emprestam a juros altos) e alertou<br />contra o risco de rupturas sociais.<br />O período que se iniciou com o Governo de direita prolongou e agravou a política de<br />austeridade, a qual está a mergulhar o país na pior crise vivida desde o 25 de Abril. O Programa<br />e a acção governativa do Governo PSD-CDS/PP integrou, completou e aprofundou o Acordo<br />com a troika: reforço da austeridade, forte ataque aos direitos dos trabalhadores, subversão da<br />segurança social, profunda transformação do Estado e das suas funções nas esferas social e<br />económica. O país denunciou o sério risco da entrada do pai num ciclo destrutivo de<br />austeridade, recessão, deterioração orçamental e maior austeridade e exigiu uma renegociação<br />do acordo com a troika, insistindo no alargamento do prazo para a redução do défice público, na<br />redução da taxa de juro cobrada e em medidas de estímulo à economia.<br />2.2. A Estrutura do Estado, os Serviços Públicos e a Administração Pública<br />Num a altura em que os serviços públicos e a administração pública estão a ser alvo de uma<br />ofensiva sem precedentes, a CGTP-IN juntamente com as estruturas sindicais da Administração<br />Pública desenvolveu uma acção de mobilização de massas e denúncia junto da opinião pública<br />das opções dos governos PS e, na fase actual, do governo PSD\CDS-PP. Foi neste quadro que se<br />realizou em 3 de Novembro de 2011, a Conferência sobre Serviços Públicos, na qual se apontou<br />para a necessidade de salvaguarda das Funções Sociais e dos Serviços Públicos. A importância<br />de Funções Sociais e Serviços Públicos de acesso universal, gratuitos e de qualidade, prestados<br />pelo Estado e por trabalhadores ao seu serviço, com vínculos estáveis que garantam a<br />independência e o cumprimento dos objectivos para os quais foram criados, de servir e garantir<br />14<br />aos trabalhadores e a toda a população o acesso à Saúde, à Educação, à Protecção Social, à<br />Justiça e, entre outros, de um Poder Local de proximidade com, são princípios para os quais a<br />acção da CGTP-IN se direcciona.<br />O processo de degradação e ataque aos Serviços Públicos e à Administração Pública<br />intensificado ao longo dos últimos anos, assume uma nova dimensão com a assinatura do<br />chamado “Memorando de Entendimento” que assenta numa redução brutal das despesas do<br />Estado com implicações directas para os trabalhadores do Estado, para os utentes e para o país,<br />e visa transformar direitos sociais em negócio dos detentores dos grandes grupos económicos e<br />financeiros. A concretizarem-se tais medidas, conjuntamente com as restantes opções políticas<br />do actual governo, estaríamos perante uma reconfiguração do Estado que o colocaria em<br />definitivo como instrumento vocacionado em exclusivo para garantir o poder dos grandes<br />grupos económicos e financeiros, afastando da esfera publica a provisão de quaisquer bens e<br />serviços, pondo em causa as principais conquistas de Abril. Seria um Estado mínimo para os<br />trabalhadores e generalidade da população e um Estado máximo para a protecção do capital e de<br />quem o detém, ou seja, a população mais rica.<br />Para além da extinção de serviços, do encerramento de escolas, da retirada, redução e/ou<br />encerramento de unidades de saúde, os últimos quatro anos foram marcados pela aplicação do<br />PRACE (agora denominado PREMAC), da Lei de Vínculos Carreiras e Remunerações e do<br />Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas, que vieram degradar ainda mais as<br />condições de trabalho, introduziram a instabilidade e desregulamentação de horários e<br />aceleraram as condições para os despedimentos e redução de efectivos no Estado. Os<br />trabalhadores da Administração Pública foram alvo de uma acentuada redução do poder de<br />compra, quer pelo corte dos salários, quer pelo seu congelamento (conforme o vencimento<br />auferido) que, se situou entre 8% e 15% ao longo dos últimos dez anos.<br />Ao nível da Administração Local, está em curso um programa que visa reconfigurar toda a<br />estrutura do poder local, com a intenção de reduzir Freguesias e Autarquias, a par do seu<br />estrangulamento financeiro, ao mesmo tempo que são transferidas mais responsabilidades para a<br />esfera local.<br />Entre as inúmeras acções desenvolvidas pela CGTP-IN e pelas Federações e Sindicatos que<br />representam os trabalhadores da Administração Pública, destacam-se a participação nas Greves<br />Gerais de 24 de Novembro de 2010 e 2011, bem como nas acções de Greve de toda a<br />Administração Pública e nas paralisações sectoriais; a mobilização para as Manifestações<br />nacionais, bem como para as desenvolvidas pela Administração Pública e suas estruturas<br />sindicais ao nível geral e sectorial, onde se destaca: em 2008 – Março – Manifestação Nacional<br />de Professores, do STAL e a Greve na Administração Pública; Agosto – Manifestação Nacional<br />de Professores; em 2009 – Janeiro – Greve dos Professores; Maio – manifestação Nacional de<br />Enfermeiros; em 2010 – Fevereiro – Manifestação da Administração Pública; Março e Junho –<br />Greve da Administração Pública; em 2011 – Dezembro – Manifestação da Administração<br />Pública.<br />A intenção de continuar o processo de privatização das mais importantes e rentáveis empresas<br />do Estado, que se destacam pela prestação de Serviços Públicos fundamentais, desde os<br />transportes, à informação e, entre outros, na área da energia, para além de se revelar desastrosa<br />no plano financeiro, perigosa no plano político pelo crescente domínio dos grandes grupos<br />económicos e financeiros, tem repercussões sociais graves para os trabalhadores e generalidade<br />da população. A luta pela manutenção das principais empresas na esfera do Estado realizou-se<br />com os sindicatos dos diferentes sectores abrangidos na intenção de privatização, bem como das<br />comissões de trabalhadores, quer ao nível das empresas, quer juntando comissões e movimentos<br />de utentes na defesa dos Serviços Públicos. As acções de protesto passaram pela mobilização<br />para as Greves Gerias e paralisações sectoriais, onde se destaca as semanas de Luta no sector<br />dos transportes e a Manifestação, em Novembro de 2011 dos trabalhadores deste sector;<br />realização de tribunas públicas de denuncia e proposta para o conjunto do SEE e cada uma das<br />15<br />empresas que nele se incorporam; pela realização de uma petição que juntou mais de 12 mil<br />assinaturas contra as privatizações, pelo reforço da intervenção do Estado nos sectores<br />estratégicos da economia nacional, entregue na AR em Dezembro de 2011.<br />2.3. O Regional<br />Neste período 2008-2011 acentuou-se a tendência, que já se vinha sentindo anteriormente, de<br />perda de população nas regiões mais deprimidas, evolução que não se pode dissociar do<br />aprofundamento das assimetrias regionais, do encerramento de empresas e até do fecho de<br />serviços públicos levado a cabo pelo governo PS/Sócrates.<br />No sentido de dar melhor resposta aos problemas regionais, a CGTP-IN aprofundou o apoio às<br />Uniões Distritais, prosseguindo com o envio de dados e análise relativa ao desemprego<br />registado por concelho, mas também prestando apoio técnico na elaboração de documentos de<br />caracterização sócio-económica regional, usados quer nos congressos das uniões, quer em<br />iniciativas descentralizadas de enfoque regional como foram a Tribuna sobre o Trabalho Digno<br />em 2008 e a Tribuna “Mudar de rumo. Emprego com direitos” em 2009.<br />Prosseguiu-se a participação nos Conselhos Consultivos Regionais do IEFP e nos Conselhos<br />Regionais das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e ainda nos órgãos de<br />acompanhamento do QREN, designadamente nas comissões de aconselhamento estratégico e<br />nas comissões de acompanhamento dos programas operacionais temáticos e nos programas<br />operacionais regionais.<br />Constatou-se que a maioria dos fundos comunitários de que o país dispõe até 2013 não está a ser<br />usada pelas regiões que mais deles necessitam. O peso das verbas atribuídas ao interior do país<br />no total dos projectos aprovados por programa operacional é baixo, o mesmo acontecendo com<br />o PIDDAC, programa que tem como objectivo combater as assimetrias regionais, mas que tem<br />vindo a sofrer cortes significativos por parte dos últimos governos.<br />Nesses organismos chamámos a atenção para várias questões relacionadas com a execução do<br />QREN. Até 31 de Março de 2011, não tinham sido utilizados 7.071 milhões € dos fundos<br />comunitários disponíveis até essa data (utilização de apenas 44,8% do programado). Isto<br />verifica-se em todos os programas, incluindo o Programa Operacional Valorização do Território<br />(38%) e nos regionais (entre 17% e 65%). A causa mais importante é a falta de meios<br />financeiros dos beneficiários públicos e privados para suportar a sua parte na despesa total. Só o<br />POPH onde o financiamento é a 100% a execução é mais elevada (62%).<br />Temos referido a falta de dados para avaliar os resultados dos diferentes programas: impacto da<br />formação; repercussões no emprego, nas carreiras profissionais, no aumento da produtividade<br />ou competitividade das empresas; número de postos de trabalho em projectos de investimento;<br />alterações no perfil produtivo para bens de intensidade tecnológica alta ou média-alta;<br />contribuição para a substituição das importações e redução do défice externo.<br />Denunciámos que os apoios têm sido canalizados fundamentalmente para as empresas<br />exportadoras, mas que a eficácia tem sido reduzida, não conseguindo alterar o perfil de<br />intensidade tecnológica das exportações.<br />Para melhor articular a nossa acção em torno do QREN, realizaram-se várias reuniões com os<br />representantes da CGTP-IN nos órgãos de acompanhamento, e ainda encontros com as<br />Federações, Sindicatos de âmbito nacional e Uniões, com vista à dinamização de uma estratégia<br />reivindicativa junto do Ministério da Economia para dar resposta a problemas do sector<br />produtivo e do emprego, em diversas regiões do país, e exigir uma reorientação das verbas do<br />QREN, priorizando a reindustrialização e a dinamização da economia.<br />Ainda no âmbito da defesa do emprego e em articulação com algumas uniões distritais, foram<br />apresentados planos especiais (Operações Integradas de Desenvolvimento) para dar resposta a<br />problemas sociais, particularmente, nas zonas mais marcadas pela degradação económica e<br />social.<br />16<br />2.4. O Desenvolvimento Sustentável<br />Na área do meio ambiente, a CGTP-IN esteve representada em vários eventos e actividades em<br />participação e cooperação ao plano nacional e internacional ou tomando iniciativas próprias no<br />sentido da formação de activistas e quadros sindicais para um maior aprofundamento temático e<br />activo.<br />2.4.1. O Meio-Ambiente<br />A CGTP-IN esteve representada em órgãos de participação institucional, nomeadamente no<br />CNADS – Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, onde interveio<br />activamente com pareceres e tomadas de posição.<br />Foi realizado um inquérito sindical (2008) para aferir e sensibilizar as estruturas sindicais para a<br />utilização de boas práticas ambientais especialmente dentro das delegações e sedes. Os<br />resultados ficaram aquém do desejável, mas demonstraram já haver boas práticas sendo preciso<br />alargá-las, por isso concluímos que este trabalho ainda tem muito que fazer e deve continuar.<br />Realizaram-se várias acções de formação, destinada aos membros do Grupo para o<br />Desenvolvimento Sustentável. Destaca-se uma acção, em Janeiro de 2011, sobre o meio<br />ambiente e a biodiversidade, com o apoio QUERCUS. Foram também realizadas acções de<br />formação e esclarecimento no âmbito da defesa do consumidor e da Economia Social.<br />A CGTP-IN participou em diversos debates promovidos por organizações ambientais ou por<br />entidades oficiais.<br />2.4.2. A Economia Social e o “Consumidor”<br />Para a sensibilização e formação foi mantida uma intervenção escrita no site da CGTP-IN na<br />janela “Sociedade” sobre as questões do meio ambiente e sustentabilidade. E na esfera do<br />direito do consumidor através do Link, no site INTERCONSUMIDORES. Foi mantida a<br />representação no Conselho Nacional do Consumo.<br />Foi realizado um Encontro Nacional sobre “O Trabalho Digno – Emprego Verde” (Junho de<br />2011), com a participação da CES em que defendemos um conceito novo para Emprego verde<br />no âmbito dos princípios do trabalho digno. Defende-se também que os Representantes dos<br />Trabalhadores para a Segurança e Saúde no Trabalho tenham competências sobre o meio<br />ambiente e desenvolvimento sustentável.<br />Teve-se uma participação empenhada na Campanha a “ Água é de todos – Não o negócio de<br />Alguns” e na sua continuidade com a presente campanha “ Água de Todos “ Iniciativa<br />Legislativa de Cidadãos “, visando impedir a privatização da água.<br />A CGTP-IN acompanhou as actividades na área do ambiente a nível europeu e internacional,<br />particularmente as que se referem aos problemas do aquecimento global, da biodiversidade, da<br />transição energética e dos impactos no emprego (o chamado “emprego verde”), nomeadamente<br />no quadro da preparação das cimeiras internacionais sobre o clima (como as de Copenhaga,<br />Cancún e Durban). É de destacar a nossa participação activa no Grupo de Trabalho<br />Desenvolvimento Sustentável da CES.<br />O nosso Grupo para o Desenvolvimento Sustentável participou activamente em dois projectos<br />internacionais. O Projecto “EPMEC – Educação Permanente como Método para uma Europa da<br />Cidadania”, no quadro do programa europeu GRUNDTVIG, está totalmente concluído, tendo<br />sido atingido o resultado visado. Realizámos, numa parceria com parceiros Belgas, Franceses e<br />Romenos, uma Mala Pedagógica com Módulos de formação sobre a Cidadania participativa e<br />activa e o Desenvolvimento Sustentável, além das temáticas de educação intercultural e direitos<br />sociais. Neste quadro, realizámos em 2011 dois Cursos de formação experimental sobre o<br />Módulo de Desenvolvimento Sustentável, em Portalegre e Lisboa, e uma Vídeo-conferência<br />17<br />europeia de avaliação. Perspectiva-se um novo projecto europeu na área da cidadania e direitos<br />políticos dos imigrantes.<br />No projecto “APENACH – Agir Preventivamente, Antecipando a Mudança”, foi realizado um<br />estudo, com organizações sindicais e universidades em cinco Países parceiros (Portugal,<br />Bélgica, França, Itália e Malta) sobre as reestruturações de empresas em dificuldades e a<br />intervenção e papel dos sindicatos. Em Portugal, o estudo foi realizado no têxtil e vestuário em<br />colaboração com a FESETE/Federação dos Sindicatos do Trabalhadores do Têxtil e Vestuário.<br />Os intercâmbios permitiram reflectir sobre as questões relacionadas com as práticas e<br />experiências dos sindicatos em cada país sendo que para Portugal propusemos novas medidas<br />incluindo questões ambientais e a redução de desperdícios, bem como a produção de micro<br />energias substituindo custos por produção e organização próprias. Foram aprovadas novas<br />linhas de orientações gerais, com exemplos de boas práticas, que deverá servir para uma acção<br />futura de formação sindical nesta área no quadro de uma nova parceria europeia.<br />3. O TRABALHO E OS DIREITOS DOS/AS TRABALHADORES/AS<br />3.1. O Direito do Trabalho, o Quadro Jurídico-laboral e a Efectividade dos Direitos<br />Ao longo destes quatro anos, a actividade sindical foi desenvolvida num quadro profundamente<br />marcado pela fragilização ou eliminação dos direitos no trabalho num ataque sem precedentes<br />ao valor do trabalho e à dignidade dos trabalhadores, que obrigou à intensificação da luta de<br />todos os trabalhadores com vista a evitar a perda de direitos.<br />A revisão do Código de Trabalho operada em 2008/2009 veio acentuar e agravar os aspectos<br />negativos da legislação laboral, especialmente no que respeita à contratação colectiva e à<br />organização do tempo de trabalho, entre outras matérias.<br />Assim:<br />- Foi agravado o regime da sobrevigência e caducidade das convenções colectivas,<br />prevendo-se novas formas de caducidade das convenções que incluem cláusulas que<br />fazem depender a cessação da sua vigência da sua substituição por outro<br />instrumento de regulamentação colectiva, com o objectivo de não deixar nenhuma<br />hipótese de sobrevigência;<br />- Foi criado o regime da arbitragem necessária;<br />- Previu-se a possibilidade de adesão individual às convenções colectivas de trabalho;<br />- Foram admitidas a adaptabilidade grupal, os bancos de horas e os horários<br />concentrados;<br />- Facilitaram-se e tornaram-se mais baratos os despedimentos, nomeadamente através<br />da simplificação do processo disciplinar e do pagamento dos salários intercalares<br />pelo Governo sempre que o processo dure mais de 1 ano.<br />Os trabalhadores da Administração Pública foram igualmente atingidos por uma ofensiva<br />legislativa que pôs termo ao vínculo tradicional de emprego público, substituindo o regime de<br />nomeação pelo regime de contrato de trabalho em funções públicas enquanto modalidade<br />principal de constituição da relação jurídica de emprego público. Esta alteração consubstancia<br />uma fragilização do vínculo de emprego público, a que acrescem outras medidas como sejam o<br />enfraquecimento do sistema de protecção na doença, a alteração do regime de pensões e a<br />imposição de um sistema de avaliação pouco objectivo e bastante penalizador, além de<br />sucessivos anos de congelamento de salários e progressões na carreira.<br />Durante o último ano, o ataque aos direitos dos trabalhadores quer do sector privado, quer do<br />sector público intensificou-se fortemente a pretexto da crise económico-financeira e estamos a<br />viver uma violenta ofensiva contra o direito do trabalho, sem precedentes no pós-25 de Abril,<br />que visa liberalizar os despedimentos, aumentar o tempo de trabalho sem compensação<br />retributiva por várias vias, que vão desde o aumento do horário de trabalho em 1/2 hora por dia<br />e 2h 30 por semana com possibilidade de acumulação de modo a obrigar os trabalhadores a<br />trabalhar um sábado por mês, à supressão de feriados e de dias de férias, reduzir a remuneração<br />18<br />do trabalho, não só através do referido aumento do tempo de trabalho, mas também pela<br />redução do pagamento das horas de trabalho suplementar, e enfraquecer a contratação colectiva<br />por várias formas, nomeadamente prevendo a possibilidade de as comissões de trabalhadores<br />negociarem instrumentos de regulamentação colectiva, enfim, arrasar por completo os direitos<br />fundamentais dos trabalhadores, duramente conquistados ao longo de décadas de luta.<br />Por seu lado, os trabalhadores da Administração Pública, além de serem igualmente atingidos<br />por algumas das medidas acima referidas, sofreram cortes salariais directos, que se irão agravar<br />no próximo ano com o corte total ou parcial dos subsídios de férias e de Natal.<br />A precariedade das relações laborais, por outro lado, cresceu como nunca, tendo surgido a par<br />dos contratos a termo, dos contratos temporários e dos falsos recibos verdes, outras formas<br />contratuais precárias, quer institucionalizadas como os contratos de muito curta duração e os<br />contratos de muito curta duração, quer completamente à margem da lei.<br />O número e tipo de vínculos laborais precários aumentou exponencialmente nestes anos e a sua<br />vulgarização tem sido favorecida pela crise, sobretudo entre os jovens que dificilmente<br />conseguem um vínculo laboral estável.<br />O incumprimento da legislação laboral é prática generalizada e os patrões praticamente fazem o<br />que querem, usando o medo do desemprego e o fantasma da crise como formas de pressão sobre<br />os trabalhadores para os obrigar a aceitar condições de trabalho cada vez mais duras e injustas.<br />3.2. O Emprego<br />Em consequência das políticas seguidas pelo Governo PS e depois pelo Governo do PSD-CDS,<br />o mercado de trabalho deteriorou-se profundamente entre 2008 e 2012: Ao invés dos 150 mil<br />empregos prometidos, o nível de emprego baixou fortemente, o desemprego disparou, a<br />precariedade acentuou-se, e a emigração ressurgiu em força com a saída do país de muitos<br />trabalhadores, nomeadamente, de jovens com qualificações superiores.<br />Em todo este período, o crescimento ou foi débil (2008 e 2010) ou houve recessão (2009 e<br />2011).<br />Uma das características da primeira fase foi o forte aumento dos trabalhadores abrangidos pela<br />redução ou suspensão dos contratos de trabalho ("lay-off"), cujo regime foi facilitado. Este<br />regime foi em muitos casos aproveitado pelo patronato para promover despedimentos, perante a<br />conivência dos Governos e a cumplicidade das entidades inspectivas. A intervenção sindical<br />tendo como objectivos a garantia do emprego, foi determinante para impedir situações de abuso,<br />reforçar a intervenção sindical na decisão e acompanhamento dos processos e no aumentar da<br />percentagem da retribuição a receber pelos trabalhadores. Num plano regional, as Uniões<br />Distritais em articulação com a CGTP-IN, exigiram a implementação de Operações Integradas<br />de Desenvolvimento, no âmbito do QREN, para dar resposta a problemas sociais,<br />particularmente, nas zonas mais marcadas pela degradação económica e social. A CGTP-IN<br />teve, ainda, uma intervenção activa aos vários níveis – nas regiões, sectores e empresas, no<br />Plano Nacional de Emprego (2008-2010), na concertação social e nos diversos órgãos de<br />participação institucional – na defesa e promoção do emprego. A segunda fase (2010-2011) foi<br />dominada pela crise da dívida e pelo agravamento das condições económicas com reflexos na<br />destruição de empregos. A taxa de desemprego atingiu os níveis mais elevados depois do 25 de<br />Abril de 1974, aumentou o desemprego de longa duração e o número de desempregados sem<br />subsídio de desemprego e, foi, também, acelerada a diminuição de emprego na Administração<br />Central, Regional e Local. Apesar disso, o Governo decidiu terminar com as medidas de apoio<br />aos desempregados para atenuar os efeitos da crise económica; reviu o regime do subsídio de<br />desemprego (Junho 2010), tendo como finalidade a redução do seu valor e forçar os<br />desempregados a aceitarem empregos pior remunerados; alterou as regras de acesso a prestações<br />sociais não contributivas, tendo como resultado a diminuição rápida do número de beneficiários,<br />incluindo do subsídio social de desemprego.<br />19<br />A intervenção sindical esteve, neste período, mais centrada na exigência da articulação da<br />renegociação da dívida e do prolongamento no tempo para a redução do défice público, de<br />forma a assegurar o crescimento da economia visando a garantir o emprego. A CGTP-IN reuniu<br />inclusivamente com a troika (Abril 2011) apresentando, entre outras, estas propostas e alertando<br />ainda para o risco de rupturas sociais caso as mesmas não fossem consideradas. No plano<br />sectorial, foi dada prioridade à defesa e desenvolvimento do sector produtivo como instrumento<br />de manutenção e criação de emprego com direitos, a criação de riqueza e de redução do défice<br />da balança comercial. Com estas propostas e objectivos, ao nível interno, foram realizadas<br />várias reuniões e Encontros para disseminação das nossas propostas com as Federações e<br />Sindicatos de âmbito nacional, bem como com as Uniões Sindicais Distritais, ao nível externo,<br />com estes objectivos e exigiu-se, também, a intervenção activa do Ministério da Economia e do<br />Emprego na reorientação das verbas do QREN, de modo a priorizar a reindustrialização e a<br />dinamização da economia, simultaneamente, com o combate às assimetrias e à desertificação do<br />país.<br />Na concertação social, a CGTP-IN apresentou propostas no quadro da discussão dos vários<br />processos como o Pacto para o Emprego (2009), a Competitividade e Emprego (2010-2011) e o<br />Compromisso para o Crescimento, a Competitividade e o Emprego (2011). A CGTP-IN<br />interveio ainda activamente contra a facilitação dos despedimentos, a redução das<br />indemnizações e a redução do período de atribuição do subsídio de desemprego. A problemática<br />dos créditos dos trabalhadores que perderam os postos de trabalho em consequência do<br />encerramento das empresas e cujo montante ultrapassa os 300 milhões de euros, mereceu uma<br />particular atenção do Movimento Sindical com iniciativas diversas junto dos trabalhadores, da<br />Assembleia da República, do Governo e do Supremo Tribunal de Justiça.<br />No que respeita ao financiamento do IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional e<br />dos Centros de Emprego denunciámos a promiscuidade existente com as empresas de trabalho<br />temporário e exigimos um acompanhamento e apoio adequados aos desempregados.<br />A CGTP-IN exigiu também dos sucessivos governos que, todos os desempregados colocados<br />em empresas e serviços ao abrigo da iniciativa “emprego-inserção” passassem ao quadro de<br />efectivos dessas instituições, desde que se provasse que estavam a ocupar postos de trabalho<br />permanentes.<br />No âmbito do combate à precariedade, e no quadro do acompanhamento dos locais de trabalho<br />referenciados como prioritários, foram obtidos resultados positivos em algumas empresas e<br />serviços. Neste sentido, foi decidido imprimir uma nova dinâmica a esta frente, integrando a<br />precariedade como prioridade a ter presente no Plano Integrado da Acção Reivindicativa, com o<br />reforço da Organização.<br />Foi dado relevo à difícil situação dos jovens no mercado de trabalho, através de várias acções<br />promovidas pela Interjovem (incluindo manifestações, tribunas públicas contra a precariedade e<br />outras iniciativas) e foi realizado um Seminário sobre o emprego e o estatuto social dos jovens<br />(dez. 2011)<br />3.3. Os Salários<br />A CGTP-IN definiu em Setembro de cada ano a Política Reivindicativa para o ano seguinte com<br />a indicação de critérios ou de referenciais para os aumentos salariais na contratação colectiva. O<br />objectivo central foi a melhoria do poder de compra e uma distribuição mais justa na repartição<br />do rendimento entre o capital e o trabalho.<br />A evolução dos salários contratuais (tabelas salariais) mostra que no sector privado houve<br />melhoria do poder de compra entre 2008 e 2010 nas convenções acordadas. Essa melhoria foi<br />significativa em 2009, em resultado da resistência sindical a uma redução do ritmo de aumento<br />salarial que foi conjugada com a diminuição da inflação. No entanto, o número de convenções<br />acordadas diminuiu existindo um elevado número de contratos com processos bloqueados.<br />20<br />O panorama foi diferente na Administração Pública pois só em 2009 houve aumento do poder<br />de compra. Em 2010, o Governo não actualizou os salários, no quadro da política de<br />austeridade, e em 2011 determinou uma redução salarial, a qual abrangeu também os<br />trabalhadores do Sector Empresarial do Estado. A redução incidiu sobre os salários acima de<br />1500 euros e situou-se entre 3,5% e 10%.<br />Aumentos salariais na contratação colectiva<br />2008 2009 2010 2011<br />Contratação colectiva 3,0 3,0 2,4 1,5<br />Administração Pública 2,1 2,9 0 -5,0<br />Inflação 2,6 -0,8 1,4 3,5<br />Poder de compra (geral) 0,4 3,8 1,0 -1,9<br />Poder de compra (Admin. Pública) -0,5 3,7 -1,4 -8,2<br />Fonte: CGTP-IN, a partir de dados oficiais<br />O aumento da carga fiscal, com agravamentos no IRS, incluindo cortes em deduções e a criação<br />de uma sobretaxa extraordinária em 2010, teve efeitos directos na redução do poder de compra<br />dos salários. Esta é uma situação que se agravou em 2011 com a retirada de 50% do subsídio de<br />Natal a todos os trabalhadores.<br />A CGTP-IN bateu-se pelo cumprimento do Acordo sobre a Fixação e Evolução da Retribuição<br />Mínima Mensal Garantida (RMMG), firmado pelo Governo e confederações sindicais e<br />patronais, em Dezembro de 2006. O patronato procurou romper o acordo, firmado na<br />concertação social, ao usá-lo como moeda de troca para obter apoios do Estado. Esta pressão<br />aumentou em 2010 e em 2011. Em 2011, o Salário Mino Nacional (SMN) que deveria atingir os<br />500 euros foi fixado em 485 euros, não tendo sido igualmente cumprido o compromisso de, a<br />meio do ano, ser feita nova avaliação, com vista a que a que se atingisse o valor de 500 euros<br />em 2011. Deste modo, o salário mínimo voltou a perder poder de compra.<br />Salário Mínimo Nacional (SMN)<br />2008 2009 2010 2011<br />Aumento do salário mínimo (%) 5,7 5,6 5,6 2,1<br />Valor (euros) 426 450 475 485<br />Salário médio – sector privado (euros) 892,9 916,0 926,0*<br />SMN/salário médio do sector privado (%) 47,7 49,1 51,3<br />Inflação (%) 2,6 -0,8 1,4 3,5<br />Variação real (%) 3,0 6,4 4,1 -1,4<br />Fontes : INE, MTSS e CGTP-IN; * Abril; inflação prevista em 2011<br />A CGTP-IN considera que a revisão do Salário Mínimo Nacional constituiu não só uma medida<br />justa mas também um elemento indispensável para, em conjugação com o aumento dos salários<br />e das prestações sociais, dinamizar o mercado interno, combatendo deste modo a crise<br />económica.<br />3.4. A Formação e a Qualificação Profissional<br />No ano de 2009 o governo PS/Sócrates introduziu alterações, ainda que pontuais, nas normas<br />relativas ao direito à formação contínua, que vieram a diminuir as garantias de formação anual.<br />As alterações que se introduziram foram no sentido de fazer prescrever o direito à formação de<br />35 horas anuais a todos trabalhadores se a entidade patronal não realizar aquela no período de 3<br />anos, o que significa um retrocesso no direito consagrado no Código de Trabalho de 2003, que<br />resulta do acordo tripartido de 2001 sobre a formação profissional.<br />No mandato foi também revogado, pelo Governo do PS/Sócrates, já depois de ter perdido as<br />eleições em Maio de 2011, através do DL 92/2011, de 27 de Junho, todo o sistema de<br />certificação profissional que tinha sido construído entre a década de noventa e a primeira década<br />21<br />do século XXI, apenas ficando para avaliação as profissões e actividades regulamentadas. A<br />destruição desse sistema foi feita sem que a CGTP-IN tenha sido consultada, apesar de ser<br />invocado o Acordo Tripartido para a Competitividade e Emprego, acordo que a CGTP-IN não<br />subscreveu.<br />Já no final do ano de 2011 entrou em funcionamento a Comissão de Regulação do Sistema da<br />Acesso às Profissões (CRAP) para analisar em cada sector de actividade quais as profissões que<br />deviam ser regulamentadas, tendo em conta os critérios de protecção da vida, da saúde e da<br />segurança de pessoas e bens.<br />A partir do ano de 2008 a formação profissional dos trabalhadores no activo deixou de ser uma<br />prioridade das políticas do governo, pois o orçamento do Instituto de Emprego e Formação<br />Profissional nas receitas próprias, garantidas através do orçamento da Segurança Social, foi<br />amputado em cerca de 140 milhões de euros.<br />O Orçamento de Estado dos anos de 2010 e 2011 desviou receitas das políticas de emprego e<br />formação profissional para outros fins, não se cumprindo deste modo o consagrado em lei,<br />designadamente no Código Contributivo, quanto à transferência de 5% das receitas da<br />Segurança Social para políticas activas de emprego e valorização profissional. Em consequência<br />houve uma quebra na execução da formação profissional por parte deste organismo em 2010 e<br />2011 (o número de abrangidos diminuiu 12% face a 2009).<br />Na contratação colectiva também se fizeram sentir os problemas da crise no que respeita a<br />concretização do direito à formação profissional dos trabalhadores. O patronato ao bloquear a<br />contratação colectiva também impediu que a este nível se discutisse e regulamentasse o direito à<br />formação profissional e o seu conteúdo.<br />Face, por um lado, à pressão do patronato que recusou o exercício do direito à contratação<br />colectiva e a negociar aumentos salariais, e por outro, à ameaça que pairava sobre a caducidade<br />das convenções colectivas de trabalho, os sindicatos tiveram enormes dificuldades para que o<br />direito à formação profissional se efectivasse.<br />Os ataques aos direitos dos trabalhadores que se verificaram no mandato de 2008 a 2011<br />também tiveram efeitos negativos no direito à formação profissional dos trabalhadores e na<br />aprendizagem ao longo da vida. Se numa primeira fase houve alguma melhoria em alguns<br />indicadores, a partir de 2010 houve retrocesso: (i) 61% da população empregada tinha apenas o<br />3º ciclo do ensino básico no 3º trimestre de 2011 (ii) a população dos 25 aos 64 anos a participar<br />em actividades de aprendizagem ao longo da vida aumentou até 2009, mas diminuiu em 2010<br />(apenas 5,8% face a 9,1% na UE27), havendo indicações de agravamento em 2011; (iii) persiste<br />um elevado nível de abandono escolar precoce (28,7% em 2010, o dobro da UE 27).<br />A CGTP-IN participou na discussão das políticas sobre Competitividade e Emprego no âmbito<br />da Comissão Permanente da Concertação social e que levou à celebração de um Acordo que não<br />subscrevemos por não responder às propostas que apresentámos e por ser negativo para os<br />direitos dos trabalhadores no que respeita, nomeadamente, à concretização direito à formação<br />profissional.<br />A CGTP-IN participou aos diversos níveis nos órgãos relativos à educação e formação<br />profissional, designadamente participou na Comissão de Acompanhamento da Agência<br />Nacional para as Qualificações (ANQ), nas comissões sectoriais da ANQ, no Conselho de<br />Administração do IEFP e na Comissão de Acompanhamento da Edução e Formação da União<br />Europeia (ACVT).<br />A CGTP-IN acompanhou o processo de desenvolvimento dos CNO´s e acompanhou o sistema<br />de Reconhecimento Validação e Certificação de Competências, que até ao ano de 2007 teve um<br />grande crescimento, no sentido de dar resposta às necessidades de elevar os níveis de educação<br />e qualificação da população portuguesa.<br />Com tomada de posse do governo PSD/CDS saído das eleições de Maio de 2011, conjugado<br />com os acordos de agressão (iniciados pelo PS) com o FMI/BCE/Comissão Europeia, todo o<br />22<br />sistema de educação e formação, está posto em causa e mais uma vez a formação profissional<br />como elemento da melhoria dos conhecimentos dos trabalhadores e do povo está votada ao<br />insucesso.<br />4. A NEGOCIAÇÃO COLECTIVA E O SISTEMA DE RELAÇÕES DE TRABALHO<br />4.1. A Contratação Colectiva<br />Os últimos quatro anos ficam marcados, no campo da contratação colectiva e da luta<br />reivindicativa, por uma forte agudização sem precedentes após a Revolução de Abril de 1974,<br />do confronto entre os trabalhadores e o movimento sindical, de um lado, e o patronato e os<br />Governos do PS e do PSD/CDS, de outro. A evolução da situação do país, neste período,<br />reflecte o acentuar do confronto de classes, nos domínios económico, social e político, com as<br />forças do capital a procurarem encaminhar a sociedade portuguesa para um acelerado processo<br />de deterioração e empobrecimento, atingindo principalmente e, mais uma vez, os direitos<br />laborais e as condições de vida dos trabalhadores e suas famílias.<br />Com o primeiro Governo do PS/Sócrates, foram introduzidas alterações ao código do trabalho<br />no sentido de mutilar o pleno exercício do direito de contratação colectiva. Mas, foi sobretudo<br />com o segundo Governo de José Sócrates (de Setembro de 2009 a Maio de 2011), que foram<br />definidas as principais linhas da ofensiva contra os salários, com particular violência sobre os<br />trabalhadores da Administração Pública e das empresas do Sector Empresarial do Estado, a par<br />do aprofundamento das normas do Código de Trabalho, destinadas a tornar mais eficaz o<br />mecanismo da caducidade, a facilitar a precariedade dos vínculos laborais, e a flexibilizar os<br />horários através dos diversos regimes de adaptabilidade (individual, grupal, banco de horas,<br />intermitências, etc.).<br />Confirmando tudo o que a CGTP-IN afirmou e denunciou quanto às consequências nefastas das<br />normas gravosas do Código do Trabalho na contratação colectiva, a revisão operada em 2009,<br />não só não dinamizou a negociação colectiva desmentindo em toda a linha as declarações<br />propagandísticas do Governo, como conduziu à redução do número de convenções acordadas,<br />para além de se ter tornado num instrumento privilegiado do Patronato para aumentar os<br />bloqueios à negociação e contratação colectiva, tornando inviável a realização de acordos em<br />muitos processos negociais e, também, como forma a prosseguir e aprofundar as políticas que<br />visam manter os baixos salários, precarizar o emprego e desregulamentar os horários de<br />trabalho. A estratégia patronal contou, ainda, com a ineficiência dos serviços inspectivos do<br />trabalho, complacentes com as arbitrariedades, violações e incumprimentos da lei, por parte das<br />entidades patronais,<br />No último trimestre de 2010, o Governo do PS apresentou na Concertação Social um projecto<br />para um acordo tripartido, denominado “iniciativa para a competitividade e o emprego”. Tal<br />“iniciativa” contou, logo à partida, com o apoio do patronato e da UGT, mas teve a firme<br />oposição da CGTP-IN que combateu e denunciou os seus principais objectivos: preparar<br />alterações profundamente negativas no Código do Trabalho, tendo em vista a facilitação dos<br />despedimentos; a diminuição das indemnizações aos trabalhadores; o aprofundamento de novas<br />vias de fragilização da contratação colectiva; a obstaculização da implementação e acção da<br />organização sindical no local de trabalho; o aprofundamento da desregulamentação dos horários<br />e outros aspectos importantes da protecção dos direitos dos trabalhadores, procurando perpetuar<br />a precariedade laboral, nomeadamente, dos jovens trabalhadores. A acção e luta sindicais foram<br />determinantes para agravar as contradições no campo do Governo, tendo levado à sua demissão,<br />em Março de 2011.<br />Porém, o Governo do PSD/CDS que o substituiu, não só retomou as mesmas intenções dos<br />Governos anteriores, como aprofundou todos os problemas que são a causa da crise,<br />reproduzindo com maior violência, as principais linhas da ofensiva antilaboral. Os acordos<br />efectuados entre a troika portuguesa (PS, PSD e CDS) e a troika estrangeira (UE, BCE e FMI),<br />23<br />consubstanciados no famigerado “Memorando de Entendimento”, representam tudo o que de<br />mais grave e subversivo tem sido concebido pelas políticas de desastre nacional prosseguidas<br />por aqueles partidos do “arco da governação”.<br />As medidas de austeridade, implementadas vezes sem conta por aqueles Governos, tiveram<br />sempre um único e mesmo objectivo: aumentar a exploração dos trabalhadores, através do<br />roubo ignóbil dos salários, do agravamento dos impostos e brutais aumentos dos preços de bens<br />essenciais; reduzir drasticamente o subsídio de desemprego e diminuir ou até mesmo eliminar<br />outras prestações sociais; atacar os direitos contratuais e sociais, com particular relevância para<br />a tentativa de destruição da Segurança Social solidária e universal e para os cortes brutais na<br />educação e na saúde.<br />Entretanto, a “austeridade” não chegou às classes dominantes, pois as desigualdades<br />continuaram a crescer, através de uma ainda maior concentração da riqueza nos grandes grupos<br />económicos e financeiros, os quais acumularam, nestes quatro anos, milhares de milhões de<br />lucros.<br />Por outro lado, o actual Governo, na linha dos que o antecederam, também apresentou na<br />concertação social um “novo” documento, intitulado “compromisso para o crescimento,<br />competitividade e emprego”, por meio do qual manteve todas as malfeitorias contra os<br />trabalhadores. Representando uma farsa de negociação, o Governo tem procurado concretizar de<br />forma unilateral os seus objectivos, através da imposição de medidas legislativas, muitas delas<br />inconstitucionais, inseridas numa nova fase da ofensiva para aumentar a exploração,<br />nomeadamente com as alterações introduzidas no Código de Trabalho, em Outubro de 2011,<br />relativas a um novo sistema de “compensações” por despedimento a aplicar aos novos contratos<br />de trabalho (mas sob a ameaça de vir a ser extensivo a todos os contratos) que mais não<br />significam que diminuir o valor das indemnizações para tornar mais fácil e barato os<br />despedimentos, outros projectos estão também na forja, com intenção de aumentar o horário de<br />trabalho sem qualquer retribuição, eliminar dias feriados e de férias, liberalizar os<br />despedimentos individuais e criar mais obstáculos ao exercício da negociação colectiva. A<br />opção política de prosseguir no caminho do retrocesso social, consagrando mecanismos que<br />possibilitem o aumento da exploração e o trabalho forçado, revela que este Governo não põe<br />limites à sua acção criminosa.<br />O balanço da contratação colectiva nestes últimos quatro anos, tanto no sector privado como no<br />da Administração Pública, mostra claramente que o patronado, com a conivência e acção<br />concertada dos Governos do PS e do PSD/CSD, apostaram no bloqueamento dos processos<br />negociais, usando essa estratégia como chantagem para introduzir alterações inaceitáveis nas<br />convenções colectivas mas, também, impor medidas arbitrárias e ilegais nas empresas,<br />particularmente quanto aos horários de trabalho, polivalência de funções e vínculos contratuais.<br />Ou seja, o patronato procurou subverter o próprio Código do Trabalho para, dessa forma, fazer<br />letra morta do exercício do direito fundamental de contratação colectiva. Em consequência desta<br />situação, verificou-se, neste período, um menor crescimento salarial, enquanto foi retomado o<br />agravamento dos preços, o que provocou uma diminuição do poder e compra dos salários.<br />A percentagem de trabalhadores, por conta de outrem, que são abrangidos pelo SMN passou de<br />cerca de 6%, em Janeiro de 2008, para mais de 11% em 2011. Tal facto, mostra que as<br />melhorias alcançadas pela actualização do SMN não se reflectiram num correspondente impulso<br />salarial nos salários imediatamente acima do mínimo legal pelo contrário, é por via da<br />contenção salarial que uma parte do pouco emprego criado tem, como referência salarial, o<br />valor do SMN. Ao mesmo tempo, manteve-se o bloqueio patronal sobre uma parte importante<br />da contratação colectiva que se reflectiu, novamente, num baixo número de convenções<br />publicadas. De facto, das 296 convenções publicadas em 2008, estas passaram para 251 em<br />2009, para 230 em 2010 e para apenas 170 em 2011.<br />Assim, a ofensiva dos Governos, quer do PS, quer do PSD/CDS, articula-se, por um lado, com<br />os posicionamentos de boicote e recusa de negociação assumidos pelo patronato na mesa de<br />negociações, particularmente com a utilização do mecanismo da caducidade como instrumento<br />24<br />de chantagem para alcançar os seus objectivos: de aprofundamento da política de baixos<br />salários, alargamento os períodos de horários de trabalho, generalização do emprego precário e<br />imposição da desregulamentação das condições de trabalho contratualmente estabelecidas.<br />Por outro lado, a complacência dos Governos com as posições anti-negociais do patronato<br />manifestou-se, ainda, na indisponibilidade para reunir com os sindicatos, assim como no<br />propositado mau funcionamento dos serviços da DGERT/MTSS, nomeadamente, numa<br />primeira fase, no atraso da publicação das convenções e na morosidade dada à publicação das<br />portarias de extensão, a que se seguiu o total congelamento das publicações das PE´s, com o<br />consequente aumento da vigência média das tabelas salariais, bem como numa acção passiva<br />perante processos de conciliação, arbitragem ou outros em situação de conflito.<br />Apesar dos graves retrocessos no plano social, podemos afirmar que a situação seria hoje muito<br />pior, se não fosse a luta de resistência dos trabalhadores para defender os seus direitos e<br />interesses, particularmente quanto à contratação colectiva que decorre da ofensiva, em toda a<br />linha, desencadeada pelo patronato e caucionada pelas medidas do Governo.<br />A acção da CGTP-IN foi, assim, dirigida a todas as frentes possíveis de intervenção sindical,<br />mas assumindo como prioridades o esclarecimento, o reforço da unidade e a mobilização<br />convergente de todos os trabalhadores para a luta em defesa dos salários, do combate à<br />precariedade, da contratação colectiva e contra a aplicação nas empresas das matérias gravosas<br />contidas no Código do Trabalho.<br />A associação entre a luta reivindicativa com a obtenção de acordos negociados, assente em<br />fortíssimas acções de massa, teve reflexos positivos, por exemplo, no ano de 2008, (número de<br />acordos, convenções publicadas e número de trabalhadores abrangidos) e em 2009, ano em que<br />os salários contratuais evoluíram favoravelmente, quer no sector privado quer, principalmente,<br />na Administração Pública, onde os trabalhadores obtiveram um aumento real, depois de vários e<br />sucessivos anos de contenção salarial imposta pelos governos de direita e do Partido Socialista.<br />A Conferência Sindical sobre o Diálogo Social e a Contratação Colectiva, realizada em<br />Setembro de 2009, assim como os dois Encontros sobre a Contratação Colectiva, realizados<br />respectivamente em Setembro de 2010 e 2011, com a presença de muitas centenas de quadros<br />sindicais, confirmou a vitalidade do movimento sindical, tendo constituído momentos<br />privilegiados de debate sobre a evolução da contratação colectiva nos últimos anos, no contexto<br />da grande conflitualidade que se está a viver na sociedade portuguesa; reafirmar as prioridades<br />de acção e dos objectivos reivindicativos; perspectivar a melhoria do trabalho dos quadros<br />sindicais, integrando a acção na contratação colectiva com o reforço da organização sindical;<br />relançar a luta pela contratação colectiva e intensificar a luta reivindicativa como a trave mestra<br />de toda a acção sindical imediata para a mudança de políticas.<br />No âmbito da coordenação cometida para a implementação das linhas orientadoras referentes à<br />definição da política reivindicativa, a ligação do Departamento aos sectores, a CGTP-IN<br />envolveu toda a estrutura na participação, discussão, decisão e implementação das orientações,<br />constituindo uma preocupação permanente e de importância fundamental para o reforço da<br />coesão e para o aumento das nossas potencialidades de acção e de luta. No decurso do mandato,<br />efectuaram-se vinte reuniões com as Federações, Uniões e Sindicatos Nacionais para análise e<br />debate sobre a situação económica e social, balanço da contratação colectiva e acção<br />reivindicativa, perspectivas de desenvolvimento da luta reivindicativa e articulação da acção<br />reivindicativa com o reforço da organização sindical de base. Efectuaram-se diversas reuniões<br />sectoriais especializadas e reuniões de apoio a processos de contratação colectiva. Também se<br />realizaram reuniões entre os Departamentos de Contratação Colectiva e Acção Reivindicativa e<br />de Organização, com vista a concretizar as conclusões da Conferência Sindical, designadamente<br />a elaboração do Plano Integrado de Acção Sindical e debater a sua implementação nas empresas<br />e serviços dos sectores privado e público. Com o mesmo objectivo, foram ainda realizadas<br />reuniões com a Interjovem.<br />25<br />4.2. A Actividade do CES e a Participação Institucional<br />4.2.1. A Actividade do CES e a Concertação Social<br />A CGTP-IN acompanhou as várias actividades do CES, nas quais se destacou a elaboração de<br />pareceres sobre temas económicos e sociais.<br />O CES pronunciou-se sobre as propostas de Orçamento de Estado para os vários anos neste<br />período, sobre as Grandes Opções do Plano (anuais e de médio-prazo) e sobre a Conta Geral do<br />Estado. Emitiu ainda outros pareceres: o futuro da zona euro (parecer de iniciativa); o Plano<br />Nacional de Acção para a Inclusão 2008-2010; Iniciativa para o Investimento e o Emprego; e<br />Pessoas com deficiência (pessoas com iniciativa).<br />A CGTP-IN teve uma intervenção activa e qualificada defendendo as suas posições em diálogo<br />com as várias entidades representadas no CES. Esta postura teve resultados positivos nos<br />conteúdos dos Pareceres aprovados, ainda que nalguns casos se tenha abstido devido a<br />desacordos sobre matérias específicas. Foi o que aconteceu sobre a Proposta de OE para 2012 e<br />sobre as Grandes Opções do Plano 2012-2015 (pareceres de Nov. 2011) porque entendemos que<br />a aplicação do Memorando de Entendimento conduz ao empobrecimento e apenas agrava o<br />problema da dívida. No parecer sobre o futuro da zona euro (Jul. 2011) a CGTP-IN absteve-se<br />devido, entre outras razões, à insuficiência da análise sobre os efeitos do euro e à perspectiva de<br />alienação de funções de soberania. No Parecer sobre o Orçamento de Estado para 2011 (Out.<br />2010) a CGTP-IN discordou da proposta de redução da Taxa Social Única para as empresas<br />exportadoras de trabalho intensivo e no parecer sobre as Grandes Opções do Plano para 2011<br />exprimiu reservas sobre o conteúdo relativo à transposição da directiva dos serviços.<br />Na generalidade e para além dos aspectos específicos referidos, os pareceres aprovados tiveram<br />conteúdos positivos, mas constatou-se terem sido, em regra, ignorados pelos Governos, pelo que<br />a sua influência na determinação das políticas públicas foi muito reduzida.<br />No que respeita à Concertação Social esta continuou a ser usada para tentar credibilizar e<br />legitimar medidas governamentais e patronais de índole regressiva dos direitos laborais e<br />sociais.<br />A CGTP-IN teve um papel extremamente activo na denúncia desta política, bem como das<br />propostas retrógradas a que consubstanciaram. Para o efeito apresentou propostas alternativas<br />em simultâneo com o apelo à resistência e luta contra o programa de agressão do Governo do<br />PSD-CDS aos trabalhadores, ao povo e ao país.<br />Neste contexto opusemo-nos aos dois acordos celebrados entre o Governo, patrões e UGT.<br />O primeiro sobre a revisão do Código de Trabalho (Jun. 2008), no qual se destacou o<br />aprofundamento da caducidade das convenções colectivas, a flexibilização dos horários de<br />trabalho, a simplificação dos processos de despedimento e a não reposição do princípio do<br />tratamento mais favorável ao trabalhador. O segundo sobre a competitividade e o emprego<br />(Março 2011) o qual prevê, designadamente, a redução das indemnizações de despedimento e a<br />descentralização da contratação colectiva.<br />A CGTP-IN acompanhou e participou em todos os processos com propostas alternativas, apenas<br />tendo decidido abandonar processos específicos quando entendeu ser essa a melhor solução pata<br />defender os interesses dos trabalhadores.<br />4.2.2. A Participação Institucional<br />A CGTP-IN participou em órgãos de participação institucional em domínios muito<br />diversificados, como a economia, emprego e formação, educação, ambiente, desenvolvimento<br />regional, fundos comunitários, estatísticas, etc.<br />26<br />Defendemos que esta actividade fosse efectiva já que em muitos casos a participação funcionou<br />mal: actividade irregular, ou mesmo não funcionamento, governamentalização, não<br />cumprimento das missões instituídas, etc. Um caso específico respeitou ao não funcionamento<br />dos órgãos de participação relativos à segurança social. Nalguns casos, os órgãos de<br />participação tiveram uma actividade regular e cumpriram os objectivos para os quais foram<br />criados.<br />A necessidade de melhorar o diálogo social e a participação institucional foi uma das conclusões<br />da Conferência Sindical sobre o Diálogo social e a Contratação Colectiva realizada em<br />Setembro de 2009.<br />4.3. A Negociação Colectiva Europeia<br />A CGTP-IN acompanhou a actividade na CES na área da negociação colectiva europeia por via<br />quer da participação nos seus órgãos de decisão quer da participação no Comité do diálogo<br />social e no acompanhamento directo de negociações específicas. Por outro lado, algumas das<br />Federações tiveram intervenção na negociação colectiva europeia de âmbito sectorial no âmbito<br />da Federações Europeias em que estão filiadas.<br />Destacaram-se, no período decorrido, três processos: a revisão da directiva sobre a licença<br />parental (2009); o acordo sobre os mercados de trabalho inclusivos (2010); a negociação sobre o<br />tempo de trabalho (iniciada em 2011). Merece também ser salientado, pela negativa, o processo<br />relativo aos casos Laval, Viking e outros.<br />A negociação sobre a revisão da licença parental foi acompanhada directamente pela CGTP-IN.<br />Procedeu-se a alterações a um acordo de negociação colectiva europeia de 1996, o qual foi<br />aplicado por directiva. Estas alterações permitiram algumas melhorias, ainda que pouco<br />substanciais, da directiva em vigor.<br />O acordo sobre os mercados de trabalho inclusivos, ainda que contenha intenções louváveis e<br />princípios válidos, tem conteúdos fracos, excessivamente genéricos, existindo um baixo grau de<br />compromisso concreto das organizações patronais. A sua aplicação é feita em cada país pelos<br />próprios subscritores e não por directiva.<br />O processo relativo à revisão da directiva do tempo de trabalho decorreu ao longo de todo o<br />período. A tentativa da Comissão e do Parlamento Europeu para flexibilizar mais os horários de<br />trabalho fracassou em 2009. A mobilização dos trabalhadores no âmbito nacional e europeu,<br />nomeadamente com a realização de diversas manifestações convocadas pela CES teve eco no<br />Parlamento Europeu, que se pronunciou pela eliminação da actual derrogação à semana de 48<br />horas de trabalho (incluindo as horas suplementares) e rejeitou a proposta do Conselho. Esta foi<br />uma decisão importante que contudo está a ser questionada de novo pela Comissão Europeia<br />com a apresentação de uma nova comunicação com vista à sua revisão.<br />O terceiro processo respeitou a uma discussão com o patronato, com vista à adopção de uma<br />posição conjunta, sobre decisões do Tribunal Europeu de Justiça (TEJ) que puseram<br />directamente em causa aspectos basilares da Europa Social. O TEJ pronunciou-se pela primazia<br />dos direitos das empresas sobre os dos trabalhadores em casos que envolvem a prestação de<br />serviços e a chamada liberdade de estabelecimento. Deste processo não resultou acordo sobre as<br />questões de fundo (Março 2010).<br />A CGTP-IN esteve igualmente envolvida na aplicação de outros acordos europeus cuja<br />vigência decorreu neste período: stress no trabalho e assédio e a violência no trabalho.<br />4.4. Os Conselhos de Empresa Europeus<br />Durante o mandato, os representantes dos trabalhadores portugueses nos Conselhos de Empresa<br />Europeus (CEE) viram-se confrontados com inúmeros processos de encerramentos,<br />27<br />deslocalizações e despedimentos colectivos, em unidades de empresas multinacionais instaladas<br />em Portugal. Em regra, a sua intervenção foi coordenada com os sindicatos da CGTP-IN que<br />representam os trabalhadores afectados.<br />A CGTP-IN, as Federações e os Sindicatos representativos de trabalhadores em empresas com<br />CEE instituídos deram o acompanhamento possível aos membros dos CEE, à dinamização da<br />eleição de novos representantes e desenvolveram acções de formação.<br />Em 2009, foi publicada uma nova Directiva Europeia sobre os CEE, que foi já transposta para o<br />direito interno português através da Lei 96/2009. A nova Directiva comporta algumas melhorias<br />pontuais, mas não resolve os problemas essenciais que se colocam aos representantes dos<br />trabalhadores destas empresas.<br />4.5. A Acção Sindical Transfronteiriça<br />A acção sindical transfronteiriça encontra expressão na actividade dos Conselhos Sindicais<br />Inter-regionais (CSIR), estruturas regionais da Confederação Europeia de Sindicatos, em que<br />participam representantes locais das Centrais nela filiadas.<br />A CGTP-IN, através dos seus dirigentes regionais, participa activamente nas actividades dos<br />CSIR e, ao longo deste mandato, assumiu a Presidência de três, dos quatro, Conselhos<br />existentes nas regiões fronteiriças de Portugal e Espanha.<br />Diversas iniciativas – seminários, conferências, acções de sensibilização – foram desenvolvidas,<br />nas quais participaram representantes da estrutura central da CGTP-IN.<br />A criação de macro-regiões, que abrangem uma parte importante do território de Portugal<br />Continental, com funções até agora da responsabilidade dos Estados-membros da União<br />Europeia, nomeadamente na gestão de recursos, planificação, meio ambiente, fluxos<br />migratórios, colocaram aos nossos representantes problemas novos.<br />A CGTP-IN exigiu o funcionamento de todos os órgãos e organismos de composição tripartida<br />para uma informação e consulta precisa e atempada dos temas em debate, não prescindindo da<br />sua participação e intervenção na luta por um desenvolvimento económico sustentado e a<br />salvaguarda dos direitos e interesses dos trabalhadores e das populações.<br />5. AS POLÍTICAS SOCIAIS E A POLÍTICA FISCAL<br />5.1. Políticas Sociais<br />Segurança Social<br />Na Segurança Social, a luta neste mandato foi pela exigência de melhoria da protecção social,<br />revogação de medidas que lesaram os trabalhadores e pensionistas impostas pelo Governo do<br />PS, os planos de austeridade dos PEC’s e, no último ano, contra o pacto de agressão da Troika e<br />a política reaccionária do Governo PSD-CDS, demolidora do Estado Social, que tiveram grande<br />contestação social,<br />O factor de sustentabilidade que entrou em vigor em 1 de Janeiro de 2008 teve a oposição total<br />da CGTP-IN, dado que o seu objectivo, por demais evidente, é a redução do valor das pensões.<br />Os trabalhadores que se reformaram após a sua entrada em vigor tiveram uma redução de 0,56%<br />no valor da pensão, mas a partir de 1 de Janeiro de 2012 a redução já representa 3,92%. O<br />mesmo aconteceu com o Indexante de Apoios Sociais (IAS), a rejeição da proposta que a<br />CGTP-IN apresentou na altura, por parte do Governo PS, e de levar por diante o seu projecto, já<br />penalizou duramente os reformados e pensionistas, tal facto por não ter havido crescimento<br />económico, e por as pensões não terem sido aumentadas. EM 2009, foram congeladas as<br />28<br />pensões de valor igual ou superior a 12 IAS e só foram actualizadas as pensões até 1.500 euros,<br />sendo que em 2011 foi suspenso o regime de actualização. A denuncia e a pressão que a CGTPIN<br />tem exercido sobre esta matéria, levou-nos a reunir, por diversas vezes, com os Grupos<br />Parlamentares e levou a que o Governo de Passos Coelho tivesse anunciado que as pensões<br />sociais, agrícolas e do 1º escalão do regime geral terão um aumento de 3,1% em 2012, as<br />restantes não serão aumentadas. Apesar deste aumento não corresponder à perca do poder de<br />compra sofrido, este deve-se à luta da CGTP-IN. As restantes pensões estão congeladas, assim<br />como o IAS até 2014.<br />A CGTP-IN desenvolveu, neste mandato, três petições, em 2009 e em 2010, que foram<br />discutidas na Assembleia da República sem terem obtido o sucesso pretendido, ou seja, a<br />revogação do factor de sustentabilidade e alteração das regras de actualização das pensões,<br />foram inviabilizadas, na altura, pelo Grupo Parlamentar do PS, manifestando discordância com<br />a matéria.<br />A CGTP-IN, em 15 de Abril de 2008, apresentou uma queixa ao Provedor da Justiça, dado que<br />o Governo PS não cumpriu o período de transição em relação ao cálculo das pensões até 2016,<br />conforme estava previsto no D.L. 35/2000, o que afectou os reformados com mais baixas<br />pensões. A União dos Sindicatos de Braga desenvolveu um exemplar trabalho de denúncia e<br />mobilização dos reformados para repor a opção do cálculo sobre toda a carreira contributiva.<br />Centenas de reformados concentraram-se em Lisboa, em 23 de Abril de 2008, e o Estado de<br />2009, veio ao encontro da nossa reivindicação, o que traduziu numa significativa vitória<br />melhorando as pensões de milhares de reformados.<br />Em Junho de 2008, foi criado o subsídio social de maternidade/paternidade, reivindicado pela<br />CGTP-IN, para quem não tinha acesso ao regime contributivo.<br />Em 1 de Maio de 2009 entrou em vigor o novo regime jurídico sobre a parentalidade, que<br />alargou o período de concessão do subsídio parental (até 150 dias), incentivando, deste modo,<br />uma maior partilha da licença entre os progenitores.<br />O alargamento da rede pública de equipamento para as crianças e idosos, por nós exigido, levou<br />o Programa Pares a aumentar a oferta, mas continuam a existir enormes défices, o mais grave, e<br />cada vez mais os equipamentos sociais dependem da iniciativa das instituições de solidariedade<br />social porque o Estado deixou em grande parte de ter iniciativa. A CGTP-IN reuniu com a CNIS<br />e outras instituições para chamar a atenção dos riscos futuros da demissão do Estado nesta<br />matéria e os apertos financeiros a que as organizações vão estar sujeitas e as responsabilidades<br />cada vez maiores que vão assumir perante os utentes e as famílias.<br />A protecção social do desemprego teve sempre presente nas reivindicações da CGTP-IN, ao<br />longo deste mandato, designadamente a redução do período de garantia do subsídio de<br />desemprego e do subsídio social de desemprego e a alteração do valor do rendimento per/capita<br />para acesso ao subsídio social de desemprego. Com a nossa insistência e persistência obtivemos,<br />em parte, resposta do Governo, em 2009, relativamente ao prolongamento do subsídio social de<br />desemprego, já sobre o número de desempregados sem protecção social, nunca se obteve<br />resposta.<br />O ano 2009 foi marcado pela discussão do Código Contributivo apresentado pelo Governo. A<br />CGTP-IN, há alguns anos que tem posições muito consolidadas sobre esta matéria. A<br />modelação da taxa social patronal, ao tipo de contrato de trabalho (de agravamento no caso do<br />trabalho precário e de diminuição referente aos trabalhadores efectivos), teve um combate firme<br />e persistente da CGTP-IN.<br />A CGTP-IN reclamou ao Presidente da República que não promulgasse o diploma, por os<br />motivos atrás referidos, pois punha em causa a sustentabilidade da Segurança Social, mas este<br />acabou por promulgar em 16 de Setembro de 2009. O diploma em Dezembro acabou por ser<br />suspenso pelos partidos da oposição na Assembleia da República num processo contraditório.<br />29<br />A Lei 55-A/2010 vem ao encontro da posição da CGTP-IN que suspendeu a modelação da taxa<br />contributiva à modalidade do contrato de trabalho, pelo menos até 2014. Mais uma vez a acção<br />da CGTP-IN foi essencial em todo este processo.<br />Foram promovidas reuniões distritais nas Uniões a fim de discutir todo o processo do Código<br />Contributivo e as propostas da CGTP-IN, em que participaram centenas de quadros.<br />Dada a situação social estar a agravar-se, cabia à Segurança Social desempenhar ainda mais um<br />papel de estabilizador social e com esse objectivo apresentámos as nossas reivindicações. No<br />ano 2010, a viabilização dos PEC’s pelo Governo PS, e com o apoio do PSD, levou à contenção<br />das despesas sociais.<br />As medidas excepcionais anteriormente conseguidas para os trabalhadores desempregados<br />foram todas elas revogadas, aumentando o número de desempregados sem protecção social. O<br />Governo PS também criou novas regras para o acesso às prestações sociais do regime de<br />solidariedade e de protecção da família, que assentam em dois vectores: a capitação e o conceito<br />de agregado familiar, o que foi devastador, dado os beneficiários de prestações e apoios sociais<br />excluídos (abono de família, RSI, subsídio social de desemprego, acção social escolar, etc.), e<br />acabou com o 4º e 5º escalão do abono de família.<br />A CGTP-IN opôs-se contra estas medidas e reuniu com todos os grupos parlamentares, solicitou<br />a análise do Provedor de Justiça sem sucesso, dirigiu-se à Comissão Nacional de Dados.<br />O Governo do PSD-CDS pretende limitar ainda mais estas prestações em nome dos que<br />necessitam. Está claramente em marcha uma política com uma visão assistencial/caritativa, em<br />vez de direitos, que tem de ser denunciada e combatida.<br />No plano financeiro é preocupante a situação do Fundo de Estabilização Financeira da<br />Segurança Social, dado os reflexos da situação financeira internacional, em 2008 houve<br />impactos negativos motivados pela aplicação dos activos em dívida pública nacional e de países<br />da OCDE e acções e, em 2011 a redução nos activos teve significado. A CGTP-IN reuniu<br />recentemente com os Grupos Parlamentares para discutir este assunto e intervir para contrariar a<br />intenção do Governo de usar o Fundo para outros fins.<br />Reparação dos Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais<br />Em 2009 foi publicado o novo Regime Reparatório dos Acidentes de Trabalho e Doenças<br />Profissionais (lei n.º 98/2009). A CGTPIN tem travado uma forte batalha junto do poder político<br />em relação ao regime de reparação, dado que a sua filosofia, até hoje, não repara integralmente<br />o trabalhador por os danos causados.<br />Pela luta travada, o regime tem sofrido alguma evolução, mas não conseguimos atingir esses<br />objectivos.<br />Pela primeira vez, após décadas de absoluto esquecimento, foi regulamentada a matéria de<br />reabilitação e reintegração profissional dos trabalhadores. A CGTP-IN enviou, na altura, ao<br />Governo e à Assembleia da República, uma exposição sobre as dúvidas que se colocam na<br />aplicação da mesma, sem resposta.<br />Quanto ao Centro de Riscos Profissionais, fazendo a avaliação da reforma feita, consideramos<br />que foi muito negativa em todos os aspectos. Várias iniciativas foram realizadas, públicas e<br />institucionais, durante o mandato, sem êxito, pelo contrário, a situação tem-se vindo a agravar.<br />As Comissões Permanentes da Tabela de Incapacidades e Doenças Profissionais não têm<br />funcionado desde 2008.<br />Só a intervenção, todos os anos, da CGTP-IN, tem levado a que as pensões por acidente de<br />trabalho e doença profissional tenham sido aumentadas, porque o Ministério das Finanças se<br />esquece. Em 2011, as pensões por doença profissional também foram congeladas, dadas estarem<br />integradas no regime de Segurança Social.<br />30<br />A CGTP-IN, no âmbito do POPH, lançou um programa sobre a protecção dos trabalhadores<br />vítimas de acidentes de trabalho, realizando em 2010 e 2011 várias iniciativas, como debates em<br />Lisboa, Coimbra, Aveiro, Porto e Setúbal, onde participaram centenas de quadros sindicais, e<br />publicou um guia de direitos “Reparação dos Acidentes de Trabalho” e está a ultimar a<br />publicação e o lançamento de um estudo sobre a temática, realizado por investigadores do<br />Centro de Estudos Sociais de Coimbra.<br />Política Inclusiva/Combate à Pobreza<br />Para o XI Congresso realizou-se um trabalho sobre as desigualdades que abrangeu vários<br />âmbitos de análise, que foi de extraordinária importância em termos sociais e políticos, e mais,<br />pôs em evidência a pobreza nos meios laborais.<br />Até a esse momento relacionava-se a pobreza quase exclusivamente com as pessoas idosas ou<br />com os beneficiários do rendimento social de inserção. Dado os baixos salários, a precariedade<br />existente e o desemprego, o trabalho realizado demonstrou o que a CGTP-IN há já algum tempo<br />alertava da existência de famílias trabalhadoras que viviam abaixo do limiar da pobreza ou<br />próximo.<br />Com o objectivo de combater a pobreza, dado que no espaço da U.E. existem muitos milhões de<br />pobres, muitos deles trabalhadores, a U.E. propôs aos diversos Estados a existência de Planos<br />Nacionais para a Inclusão, no nosso país, foram apresentados vários planos, sendo o último para<br />o período de 2008-2010, a CGTP-IN foi muito critica sobre os diversos planos elaborados, pela<br />falta de objectivos concretos e planos de concretização e de avaliação, e produziu vários<br />documentos sobre os mesmos e realizou várias reuniões com os coordenadores nacionais.<br />Apesar das críticas e das várias iniciativas que a CGTP-IN tomou para alterar o quadro<br />legislativo, o complemento social das pessoas idosas foi das medidas com mais impacto depois<br />do Rendimento Social de Inserção, porque foi colocado um limiar mínimo de rendimentos,<br />tendo abrangido até 2010, 206.700 mil idosos.<br />O ano de 2010 foi consagrado como o Ano de Combate à Pobreza e à Exclusão Social, o<br />balanço feito pela CGTP-IN é que resultou num falhanço e, mais grave, foi neste ano que o<br />Governo PS concretizou políticas que empobreceram os trabalhadores e largas camadas da<br />população, promovendo um aumento das desigualdades.<br />A CGTP-IN apresentou no órgão nacional, que acompanhou o Ano Europeu, um projecto para a<br />realização de estudos focalizados no emprego jovem, que se veio a concretizar, tendo sido<br />realizado por uma equipa do Observatório das Desigualdades/Centro de Investigação e Estudos<br />de Sociologia do ISCTE-IUL, em articulação com a CGTP-IN e o Instituto de Segurança Social.<br />Este estudo foi apresentado nos dias 14 e 20 de Dezembro de 2011 em Lisboa e Porto,<br />respectivamente, onde participaram dezenas de quadros, nomeadamente jovens.<br />Como a CGTP-IN tem referido, há um empobrecimento acelerado dos trabalhadores e da<br />população, aliás foi o tema central das últimas acções de massas e da greve geral de 24 de<br />Novembro de 2011. O empobrecimento é o resultado das políticas neo-liberais seguidas e da<br />ofensiva do capital que promovem o desemprego, a precariedade, os baixos rendimentos e a<br />redução das prestações sociais e o ataque às funções sociais e que se têm vindo a acentuar<br />perigosamente, observando-se famílias com escassez de alimentos, senão mesmo fome, que não<br />se observava há muito no nosso país. Um estudo, recentemente publicado pela Comissão<br />Europeia, refere que Portugal, em comparação com 5 países da União Europeia, é o País que<br />regista um dos maiores aumentos de risco de pobreza devido às medidas de consolidação<br />orçamental adoptadas essencialmente nas famílias com filhos, e que o nosso País, em<br />comparação com outros cinco países da U.E., é o único onde as medidas de austeridade<br />exigiram um esforço financeiro aos pobres, superior ao que foi pedido aos ricos.<br />O Governo PSD-CDS perante o aumento da pobreza e de graves carências respondeu com um<br />Plano de Emergência Social, sem calendário de concretização e com financiamento limitado,<br />31<br />marcadamente assistencialista/caritativo. A CGTP-IN, referiu a propósito, que estas políticas<br />não conduzem à inclusão. Era fundamental a existência de um plano de inclusão que<br />promovesse o emprego, melhorasse os rendimentos e uma política alternativa ao modelo<br />económico e financeiro instituído.<br />Saúde<br />Revitalizar e investir no SNS para todos os cidadãos foi uma orientação saída do XI Congresso<br />que continua actual.<br />Os cuidados de saúde primários constituem uma questão estratégica para a CGTP-IN para a<br />promoção da saúde e prevenção da doença e para uma boa organização de serviços.<br />A reivindicação saída do Congresso de que a cada família fosse garantido médico e enfermeiro<br />de família enquadradas em equipas multi-profissionais, foi um objectivo central. A CGTP-IN,<br />após o Congresso, publicou um cartaz sobre este tema, e em Novembro de 2008, no Porto,<br />realizou um Encontro Regional sobre Cuidados de Saúde Primários e as Unidades de Saúde<br />Familiares, e em Abril de 2009, em Setúbal, que avaliaram os aspectos positivos e negativos<br />para os utentes e profissionais.<br />A reforma dos cuidados primários de saúde iniciada ainda não se concretizou totalmente até a<br />aposta governativa nas Unidades de Saúde Familiar, está longe ainda de atingir os seus<br />objectivos. Actualmente, segundo dados oficiais, há 316 unidades de saúde familiar em<br />actividade, abrangendo cerca de 4 milhões de pessoas; os profissionais envolvidos ascende a<br />6.168. A região Norte é a que tem mais unidades (168), seguida por Lisboa e Vale do Tejo com<br />(96).<br />Continua a haver um défice enorme; o número de cidadãos sem médico de família continua a<br />ser mais de um milhão e meio, o que é totalmente inaceitável, tanto mais que se trata dos<br />cuidados de saúde de proximidade e é a porta de entrada do SNS.<br />O Governo PS, pela mão do Ministro Correia Campos, encerrou centros de saúde, urgências e<br />maternidades e vários pontos do país, o que levou a uma forte contestação popular, acabando<br />com a substituição do Ministro, mas a sua sucessora manteve na essência a estratégia<br />governativa.<br />Uma das marcas das políticas de direita é a desresponsabilidade do Estado pela prestação dos<br />cuidados de saúde e o favorecimento do sector privado através das parcerias público-privadas<br />que constituem um sorvedor dos dinheiros públicos. O relatório do OE para 2009 referia que<br />entre 2008-2032 este custo é de 32 mil milhões de euros. Um bom exemplo disso continua a ser<br />o Hospital Amadora-Sintra, que desde 2008, a quando da decisão do Governo de retirar ao<br />Grupo Mello a sua gestão reivindicado desde a sua construção pela CGTP-IN, no final de 2011<br />ainda não está resolvido o conflito que opõe o Estado e este grupo económico e que envolve<br />milhões de euros reclamados pelo Estado.<br />Novos hospitais durante este nosso mandado foram entregues a grupos privados: Cascais, Braga<br />e Loures, tendo já, por diversas vezes sido denunciada pelas nossas estruturas, e pelos sindicatos<br />dos profissionais de saúde e comissões de utentes, vários défices tanto no funcionamento como<br />na qualidade de prestação de cuidados de saúde.<br />A CGTP-IN tem-se oposto e denunciado ao longo dos tempos a promiscuidade e a parasitagem<br />existente entre o Estado e o privado que lesa profundamente o Estado e tem contribuído para o<br />aumento das despesas públicas, luta que tem de não só continuar, como intensificar.<br />A CGTP-IN, durante este mandato, denunciou o forte crescimento do sector privado hospitalar<br />ligado aos grupos financeiros, muito há custa de convenções feitas pelo Estado, nomeadamente<br />à ADSE e de outros subsistemas. E tomou posição ainda perante a saída dos profissionais de<br />saúde, nomeadamente médicos para o sector privado, a redução dos salários e o congelamento<br />32<br />das carreiras na Administração Pública e a aposentação, podem contribuir para este<br />esvaziamento.<br />A CGTP-IN comemorou condignamente os 30 anos da constituição do SNS, promovendo dois<br />debates: “Impõe-se revitalizar e investir no SNS para todos os cidadãos”, em Lisboa e no Porto,<br />onde participaram dezenas de quadros e diversas personalidades e instituições, e lançou um<br />Manifesto.<br />A CGTP-IN lutou pelo acesso universal dos cidadãos à saúde oral em 2008, o Governo avançou<br />com um Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, que considerámos minimalista, dado<br />que a maioria da população tem de recorrer ao sector privado, despendendo avultados recursos,<br />assim como nos cuidados continuados há avanços a considerar, mas está longe de responder às<br />necessidades, assim como as respostas no domicílio. Os cortes previstos no PEC e no<br />Memorando da Troika nos apoios sociais comprometem seriamente o desenvolvimento destes<br />cuidados, tão necessários para uma população cada vez mais envelhecida.<br />Os utentes da saúde, como já foi referido, são obrigados a despender dos seus orçamentos cada<br />vez mais dinheiro para os medicamentos, dado que houve por parte dos governos do PS,<br />PSD/CDS medidas que diminuíram as comparticipações do Estado, mesmo no caso de doenças<br />crónicas. O Governo PSD/CDS aumentou as taxas moderadoras para o dobro e as isenções<br />diminuíram para muitos desempregados e reformados e milhares de utentes que estavam isentos<br />pela sua condição de saúde que pode por em causa a acessibilidade dos utentes ao SNS e<br />promover a doença e ser abandonada a promoção da saúde.<br />O Governo PSD/CDS está a desencadear uma poderosa ofensiva, aumentando os custos para os<br />utentes, a CGTP-IN opor-se-á a qualquer política que vise duplamente o financiamento do SNS,<br />a estratégia política está a ser nesse sentido, que é necessário combater.<br />A CGTP-IN realizou no dia 3 de Novembro de 2011 um Encontro sobre o Estado,<br />Administração Pública e Direitos Sociais, em que abordou a Saúde, Segurança Social, Educação<br />e Poder Local, onde participaram centenas de quadros e diversos convidados, onde foi avaliada<br />a brutal ofensiva contra as funções sociais, contra o Estado e Administração Pública e a<br />mobilização sindical necessária para lhe dar resposta.<br />Para este Encontro foi realizado um Estudo pela CGTP-IN sobre a política do medicamento,<br />dada a importância do seu acesso como elemento fundamental do direito à saúde, por outro<br />lado, o peso que estes têm na despesa pública em saúde deve-se ao facto de em Portugal<br />produzir apenas 30% das suas necessidades e de termos de importar 70% dos medicamentos,<br />dado de se ter destruído unidades produtivas que forneciam o mercado nacional, por outro lado<br />não há uma unidade de produção pública relevante.<br />A política do medicamento seguida pelo PS e PSD/CDS tem um traço geral, como já tinha sido<br />referido, que se caracteriza por uma crescente transferência para os utentes da despesa com<br />medicamento, mantendo intocáveis os privilégios da indústria farmacêutica e muitas vezes das<br />farmácias, o que coloca a exigência da luta para o acesso universal ao medicamento.<br />A CGTP-IN durante este mandato manteve uma intervenção activa no âmbito da Plataforma<br />Laboral contra a Sida. Depois de um trabalho moroso a Plataforma promoveu o Código de<br />Conduta que foi subscrito por muitas empresas e vários materiais de sensibilização.<br />Assim como desenvolvemos o projecto Euridice “Prevenção das Toxicodependências em Meio<br />Laboral”.<br />Este projecto tem sido, em parceria com o Instituto de Drogas e Toxicodependências e com<br />várias empresas e organizações, o que consideramos muito positivo para a promoção da saúde.<br />Educação<br />No período 2007/2011, o sector da Educação foi dos mais fortemente atacados, com políticas<br />que fragilizaram a Escola Pública e Democrática em alguns dos seus pilares fundamentais.<br />33<br />Assim debilitada, a Escola Pública terá maiores dificuldades para resistir à violenta ofensiva<br />neoliberal em curso que, com a justificação da crise, se orienta explicitamente para a<br />substituição do paradigma constitucional da Escola Pública pelo da designada liberdade de<br />escolha.<br />Nestes quatro anos, o movimento sindical respondeu aos ataques com grandes acções e lutas<br />que marcaram indelevelmente este tempo. Os professores promoveram duas grandes<br />manifestações, juntando mais de 100.000 docentes em cada uma, bem como greves com adesão<br />elevada; também os demais profissionais e trabalhadores das escolas se mobilizaram e levaram<br />por diante as mais diversas lutas em defesa da Escola Pública e das condições indispensáveis ao<br />seu normal funcionamento, nomeadamente no que concerne aos seus recursos humanos. Várias<br />foram as acções e lutas que, pela adesão que mereceram, provocaram o encerramento dos<br />próprios estabelecimentos de educação e ensino.<br />Alguns dos aspectos em que se tornaram mais visíveis os efeitos negativos das políticas<br />educativas desenvolvidas foram, entre outros, as sucessivas quebras de financiamento das<br />escolas e das instituições de ensino superior, a perda de democraticidade da gestão escolar, o<br />retirar de apoios devidos a milhares de crianças e jovens com necessidades educativas especiais,<br />a crescente precariedade e instabilidade do corpo docente das escolas, o agravamento das<br />condições e dos horários de trabalho nas escolas… prepara-se, agora, uma forte intervenção ao<br />nível dos currículos, visando o seu esvaziamento, centrando as aprendizagens num designado<br />núcleo essencial de conhecimentos e aligeirando-os no que respeita à construção de<br />competências e ao desenvolvimento de valores democráticos orientados para o exercício pleno<br />da cidadania.<br />A CGTP-IN, como organização mais representativa dos trabalhadores portugueses, não pode<br />ficar alheia à progressiva desvalorização dos níveis de apoio social que são prestados aos alunos<br />e às famílias. O seu empobrecimento, a par do encerramento de escolas e consequente<br />deslocação das crianças, bem como dos sucessivos cortes orçamentais impostos às autarquias<br />(que assumem competências importantíssimas no domínio do apoio social), resultaram na perda<br />de apoios fundamentais ou, no mínimo, na sua desvalorização, não permitindo que fosse dado o<br />combate necessário a chagas educativas que residem, em boa parte, em fragilizações sociais que<br />têm vindo a crescer – o insucesso e o abandono escolares – e tornam muito difícil fazer face a<br />desafios imediatos como sejam o do alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos.<br />Também a inexistência de uma política que garanta a gratuitidade dos manuais escolares, assim<br />como a não valorização da acção social escolar no ensino superior que, no mínimo,<br />acompanhasse o aumento dos custos de frequência confirmam essa ausência de preocupação e<br />de uma política social que transforme a escola num espaço a que todos, em condições de<br />igualdade de oportunidades e independentemente da sua origem ou das dificuldades que<br />apresentam, têm acesso e poderão ter sucesso.<br />No que respeita à Ciência e Investigação, nestes quatro anos assistiu-se a algum<br />desenvolvimento mas nunca de forma sustentada, de forma a que fosse possível a sua<br />consolidação. Foi criado um sistema assente na precariedade – em particular, dos seus recursos<br />financeiros e humanos – que, por esse facto, conhecerá agora uma brusca contracção e um<br />relevante retrocesso.<br />Nestes quatro anos foram ainda evidentes diversos atropelos cometidos contra os direitos<br />sindicais e o seu exercício no sector da Educação, reflexo de medidas que foram tomadas contra<br />a generalidade dos trabalhadores da Administração Pública. A imposição de limites aos créditos<br />sindicais, a proibição de realização de reuniões sindicais fora das escolas com recurso aos<br />créditos horários dos docentes, a intromissão na autonomia da organização sindical, os<br />constrangimentos colocados ao exercício dos direitos, nomeadamente por força dos regimes de<br />avaliação de desempenho, mas também a desvalorização da negociação foram medidas e<br />posturas que tiveram por objectivo enfraquecer a actividade e a vida sindical nas escolas.<br />Ao longo do mandato que agora termina, as organizações sindicais com intervenção específica<br />na Educação, se forma autónoma ou em articulação no quadro de estruturas de coordenação<br />34<br />superior, responderam com determinação e veemência aos ataques a que estiveram sujeitos. A<br />violência desses ataques, contudo, e a forma autocrática e prepotente como, por regra, agiram os<br />governantes, tornaram este tempo muito difícil, mas nunca retiraram esperança e confiança à<br />acção sindical.<br />5.2. Política Fiscal<br />A luta por uma maior justiça fiscal para assegurar uma mais justa distribuição de rendimentos e<br />o financiamento de serviços públicos de qualidade foram os objectivos do XI Congresso.<br />Uma das reivindicações saídas do Congresso foi a redução gradual do IVA da taxa máxima,<br />tendo sido reduzido de 21% para 20%, mas não houve as compensações da quebra de receitas<br />por outros impostos, conforme a CGTP-IN proponha, nem houve reflexos nos preços dos bens e<br />serviços, tendo sido absorvida pelas empresas.<br />Os governos do PS e do PSD/CDS perfilharam sempre do princípio de que a obtenção de<br />receitas de forma mais rápida era por via dos impostos indirectos por um lado, e por outro para<br />defender os rendimentos singulares e patrimoniais de determinadas elites sociais e das<br />empresas. Como é sabido, os impostos indirectos têm um carácter regressivo provocando<br />desigualdades porque penaliza os rendimentos mais baixos.<br />Durante o Governo de Sócrates as taxas do IVA voltaram a ser aumentadas situando-se a taxa<br />mais elevada em 23%, ao mesmo tempo houve alterações da taxa em bens essenciais. Na<br />vigência já do Governo PSD-CDS em 2011, a electricidade, o gás natural passaram da taxa<br />mínima de IVA (6%) para a taxa máxima (23%), assim como de alguns bens alimentares e a<br />restauração passou da taxa intermédia (13%) para 23% no OE para 2012.<br />O agravamento dos impostos indirectos reduz o poder de compra de grande parte da população<br />e pode contribuir ainda para o aumento de desemprego e diminui a competitividade externa.<br />A CGTP-IN condenou sempre esta via de obtenção de receitas imediatas à custa do aumento<br />dos impostos indirectos, nomeadamente do IVA.<br />Dado o carácter progressivo dos impostos directos, sempre considerámos que a via mais justa de<br />obtenção de receitas é sobre o IRS, IRC e impostos sobre o património imobiliário e mobiliário.<br />A CGTP-IN, aquando da discussão do OE 2009, propôs a criação de dois novos escalões do IRS<br />(43% e 45%), o que vieram a ser concretizados de forma a aumentar a tributação dos<br />rendimentos mais elevados, assim como o aumento da tributação do património mobiliário cujo<br />valor estivesse acima de 500 mil euros, a tributação e das mais-valias.<br />As taxas do IRS dos rendimentos 2011 para concretizar os Planos de Estabilidade e<br />Crescimento sofrem um agravamento de 1,5%, ou seja, todos os oito escalões agravaram,<br />situando-se actualmente o mais baixo em 11,5% e o mais elevado em 46,5%. Os dois últimos<br />escalões mais elevados foram afectados ainda pela limitação das deduções por despesas<br />efectuadas com saúde, educação, encargos com lares e habitação.<br />Os rendimentos das pensões gradualmente, tendo visto a sua base tributária a igualizar-se aos<br />trabalhadores no activo, o que tem levantado descontentamento, dado os benefícios fiscais<br />existentes até então.<br />A CGTP-IN, ao longo da sua história, sempre deu especial atenção ao combate à fraude e<br />evasão fiscal, à economia paralela, à corrupção e ao branqueamento de capitais e sempre<br />saudámos as medidas que foram preconizadas nesse sentido. No relatório de actividades de<br />2008, dávamos conta de que as receitas do IRC tinham vindo a crescer, mas começava a dar<br />sinais de quebra, e no relatório de actividades de 2009 registávamos que o ano ficou marcado<br />por uma quebra de receitas fiscais na ordem dos 15% e o IRC teve uma redução de 23,8%.<br />Aliás, o valor do défice foi muito influenciado pela quebra de receitas, que se justificou numa<br />parte pela recessão económica, mas também pela enorme fraude e evasão fiscal.<br />35<br />A CGTP-IN sempre exigiu meios e modernização dos serviços fiscais da Administração<br />Pública, para haver recursos e eficiência, nomeadamente na acção inspectiva.<br />No Relatório de 2011, dávamos conta de que os avanços anteriormente realizados neste combate<br />estavam a regredir, dado que muitos trabalhadores destes serviços com experiência foram para a<br />aposentação e não foram substituídos.<br />A CGTP-IN, em 2009, lançou uma petição “Pelo fim dos paraísos fiscais”, que recolheu uns<br />milhares de assinaturas, tendo sido entregue ao Presidente da Assembleia da República em<br />Janeiro de 2010. A mesma, por incrível que pareça, passados dois anos não foi ainda discutida<br />em plenário.<br />Os paraísos fiscais continuam a ser um tema actual, dado que são fortes impulsionadores da<br />fraude e evasão fiscal, o que exige um combate da CGTP-IN. Aliás, 20 empresas cotadas em<br />Bolsa em Portugal criaram empresas em paraísos fiscais para não serem tributadas, entre elas<br />estão empresas públicas.<br />Outra luta ao longo dos anos que a CGTP-IN sempre travou foi contra o sigilo bancário. A Lei<br />94/2009 e a Lei 37/2010 vieram introduzir alterações com algum significado, assim como a Lei<br />36/2010, onde é criado no Banco de Portugal uma base de contas bancárias existentes no<br />sistema bancário e com os procedimentos a realizar por essas entidades há muito reclamadas.<br />O Governo do PSD-CDS criou um imposto extraordinário sobre o Subsídio de Natal de 2011,<br />de 3,5% acima do SMN, tendo sido arrecado próximo de mil milhões de euros, o que foi um<br />autêntico roubo a quem trabalha. Mas em relação às mais-valias, a atitude política já é bem<br />diferente, tirando as pessoas individuais, a quem foi aumentada a tributação para 25%, a maioria<br />esmagadora (+60%) continuam totalmente isentos, como as sociedades gestoras de<br />participações sociais e os não residentes.<br />5.3. O Sistema de Justiça<br />A justiça do trabalho continua a ser tratada como o “parente pobre” do sistema de justiça no<br />nosso país. Não porque o sistema em geral tenha tido uma evolução no sentido de proporcionar<br />aos cidadãos uma resposta em tempo e disponibilizado um acesso nos termos previstos pela<br />Constituição, mas porque continua a ser vista e tratada como um obstáculo á “flexibilidade” tão<br />desejada pelo patronato e pelos governos de direita.<br />Esta desvalorização da aplicação do direito do trabalho e da contratação colectiva, em favor de<br />uma “flexibilidade” desregulamentadora das relações laborais, justifica que os tribunais de<br />trabalho sejam os que ocupam as instalações menos adequadas, algumas mesmo decrépitas,<br />onde as condições para o exercício da justiça ou não existem ou estão reduzidas ao mínimo.<br />Instalações onde as barreiras arquitectónicas impedem as vítimas de acidentes de trabalho de a<br />elas acederem e com reduzidas condições de trabalho para os magistrados e funcionários<br />judiciais.<br />Por outro lado, o acesso à justiça não é igual para todos e é extremamente lenta; os processos<br />urgentes (que aumentaram em número com a última alteração do Código de Processo do<br />Trabalho) correm a um ritmo inaceitável quando se quer fazer justiça e ela se torna, muitas<br />vezes condição de sobrevivência, como quando está em causa um acidente de trabalho greve ou<br />um despedimento arbitrário. Estes processos continuam a demorar anos para serem resolvidos<br />deixando, quase sempre, as vítimas sem condições de sobrevivência. A morosidade continua a<br />ser um problema grave que teima em não ser resolvido.<br />Por outro lado, o acesso à justiça, em condições de igualdade, não está minimamente<br />assegurado, verificando-se situações em que os trabalhadores não recorrem aos tribunais por<br />falta de meios económicos. Urge resolver este problema.<br />Por outro lado, também o sistema de fiscalização e sancionamento das infracções laborais não<br />funciona ou, quando funciona, revela muitas fragilidades. O deficiente funcionamento da ACT e<br />36<br />a orientação não sancionatória predominantemente seguida, conduz a que muitos problemas não<br />sejam resolvidos com prejuízo para os trabalhadores, e outros vão sobrecarregar o sistema de<br />justiça, com prejuízo da morosidade. Um bom funcionamento da ACT/IGT, poderá contribuir<br />para uma melhoria do sistema de justiça, o que não se verificou nos últimos anos,<br />essencialmente por falta de vontade politica.<br />6. SEGURANÇA, HIGIENE, E SAÚDE NO TRABALHO, IGUALDADE, CULTURA E<br />TEMPOS LIVRES<br />6.1. Segurança, Higiene e Saúde no Local de Trabalho<br />Ao longo do último mandato, o Departamento de Segurança, Higiene e Saúde no Local de<br />Trabalho da CGTP-IN procedeu a uma reformulação da sua actividade. Essa reformulação<br />concretizou-se ao nível do carácter, âmbito e número das actividades desenvolvidas, com a<br />definição de objectivos que melhoraram a actividade da CGTP-IN nesta área de intervenção,<br />desenvolveu um conjunto de actividades concretas que permitiram a criação de importantes<br />instrumentos para a actividade dos representantes dos trabalhadores para a SST. Uma dessas<br />actividades foi a Campanha Nacional de Promoção da Segurança e Saúde nos Locais de<br />Trabalho, desenvolvida através de um projecto executado no âmbito do POPH.<br />Actividades e projectos<br />Durante a Campanha Nacional de Promoção da Saúde e Segurança nos Locais de trabalho de<br />2008-2010 foram realizados 5 Workshops temáticos de sensibilização, em colaboração com<br />diversas estruturas sindicais, reunindo várias centenas de sindicalistas, sobre temas como a<br />Eleição de Representantes dos Trabalhadores (RT’s), Equipamentos de Trabalho, Actividades<br />Técnicas de SST, SST no Comércio e Serviços, entre outros. Organizámos um Encontro<br />Nacional de RT’s para a SST e um seminário de lançamento da campanha. Estas iniciativas,<br />com as centenas de quadros mobilizados, saldaram-se em importantes momentos de reflexão e<br />mobilização em matéria de SST.<br />A dinamização da campanha e das actividades do Departamento foi sustentada pelo sítio Web<br />da Campanha, que serviu (e servirá, após a remodelação de que está a ser alvo) de Portal da<br />Segurança e Saúde no trabalho no site da CGTP-IN (<a href="http://shst.cgpt.pt">http://shst.cgpt.pt</a>). Com o mesmo intuito<br />foi criada uma E-newsletter, a E-segurança, para a divulgação de informação de interesse geral<br />em matéria de SST, enviada a milhares de quadros, trabalhadores e trabalhadoras.<br />A produção e divulgação de instrumentos informativos práticos foram, também, uma<br />preocupação constante do Departamento. No quadro da Campanha, foram editados 2<br />importantes guias: o Guia para a Participação consciente na área da SST e o Guia de<br />Acompanhamento do Processo Eleitoral dos RT’s. Além disso, foi traduzido e adaptado à<br />realidade portuguesa um guia da CES/ETUI, o Guia para a Avaliação dos Riscos nos Locais de<br />Trabalho. De referir que os guias em causa permitiram uma visibilidade sem precedente da<br />actividade da CGTP-IN sendo, um deles, inclusive, constante de bibliografias recomendadas em<br />algumas universidades em Portugal.<br />Para finalizar, foi realizado um estudo sobre o stress no local de trabalho, que envolveu os<br />sectores dos transportes e do comércio e serviços, com a realização de acções de sensibilização<br />nos dois sectores.<br />Foi elaborado com o Instituto Bento de Jesus Caraça (IBJC), um KIT de Formação para cursos,<br />de 25h, dirigidos a RT’S e delegados sindicais. Estes cursos serão experimentados a partir de<br />2012.<br />37<br />Formação<br />Aqui importa referir o importante contributo do IBJC, entidade com a qual o Departamento<br />desenvolveu uma colaboração frutífera, que permitiu o desenvolvimento de importantes<br />sinergias. Essa cooperação manifestou-se, nomeadamente, na oferta de cursos de formação de<br />diversos tipos: Cursos de Formação para os RT’s e Candidatos a RT’s; Seminários de<br />Sensibilização para quadros Sindicais; Cursos de Formação de Formadores de RT’s,<br />O mesmo sucedeu com a Fiequimetal e o acompanhamento da sua actividade formativa de<br />RT’s, incluindo, até, a dispensa de técnicos do Departamento para o efeito.<br />Por outro lado, o STAL realizou uma campanha de SST, sectorial, inspirada na da CGTP-IN, ao<br />abrigo da qual efectuou uma diversidade de acções formativas e de sensibilização.<br />Outros sectores, pontualmente, contaram também com a participação de técnicos do<br />Departamento, como a FEVICCOM, Corticeiros e outros, em encontros sobre SST.<br />Actividade política e representativa<br />Este reforço de recursos e competências permitiu garantir à CGTP-IN um importante<br />protagonismo, em linha com a nossa história, ao nível da representação da CGTP-IN nas<br />estruturas em que participa como parceiro social. Ao nível nacional, assegurámos a participação<br />e intervenção da CGTP-IN no Conselho Consultivo para a Promoção da SST e em diversos<br />seminários temáticos organizados pela ACT, pela revista Segurança e por outras entidades.<br />Nessas situações, os nossos representantes foram sempre o reflexo da actividade sindical em<br />matéria de SST, fazendo sentir as preocupações, quer gerais, quer sectoriais, nesta área.<br />Ao nível europeu, a CGTP-IN iniciou uma fase de maior participação e contribuição nas<br />estruturas tripartidas (Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho e no Comité<br />Europeu, bem como na CES, através de um maior envolvimento nos Grupos de Trabalho ad<br />hoc, criados para o estudo de diversas matérias.<br />Apoio à actividade sindical<br />O Departamento desenvolveu, igualmente, um esforço crescente no apoio que presta e deve<br />prestar ao MSU, designadamente, participando em iniciativas, divulgando informação,<br />promovendo a participação de quadros sectoriais em eventos nacionais e internacionais, fazendo<br />o levantamento dos responsáveis sectoriais em matéria de SST e respondendo, sempre que<br />solicitado, às necessidades de emissão de pareceres, pequenas análises, informação estatística e<br />legal e dispensa de técnicos para o desenvolvimento de actividades de interesse sindical.<br />6.2. Igualdade entre mulheres e homens<br />Ao longo do mandato e dos relatórios anuais, a actividade desenvolvida no âmbito deste<br />departamento sempre constou na área de organização e no espaço dedicado à Comissão de<br />Igualdade entre mulheres e homens.<br />A decisão tomada pelos órgãos da CGTP-IN após o último Congresso levou a esta situação,<br />tendo a CGTP-IN, em termos políticos perdido espaço de intervenção que resulta desta<br />separação, entre a actividade concreta da CIMH e a discussão política mais geral.<br />6.3. Igualdade e combate às discriminações<br />A actividade desenvolvida nesta área, teve, nos últimos quatro anos, como fulcro central a<br />afirmação de combate – que continua a ser necessário desenvolver – às discriminações no<br />trabalho e na sociedade, das pessoas com deficiência, portadores de HIV e toxicodependentes, e<br />ainda com base na orientação sexual e na religião ou credo, tendo como preocupação o<br />38<br />desempenho de um papel essencial na difusão de informação, sensibilização, formação e<br />educação para a cidadania neste âmbito.<br />Participámos em diversas iniciativas que tiveram como objectivo a discussão dos problemas que<br />afectam os trabalhadores e trabalhadoras vítimas de discriminação ou a dar visibilidade a estas<br />discriminações, nomeadamente, nas marchas LGBT, na Conferência Internacional sobre<br />“Políticas Integradas contra as Discriminações das Pessoas LGBT”, e ao longo do mandato<br />foram tomadas várias posições, entre as quais, sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo<br />e sobre o dia mundial de luta contra a homofobia e transfobia,<br />Podemos afirmar que muito trabalho ficou por fazer, nomeadamente, na sensibilização das<br />estruturas sindicais sobre estas temáticas, mas como em todas as áreas de trabalho da CGTP-IN<br />há um caminho a percorrer e uma certeza, a CGTP-IN está sempre na luta contra todo o tipo de<br />discriminações, quer seja nos locais de trabalho, quer seja na sociedade.<br />6.4. Cultura e Tempos Livres<br />No período compreendido entre Fevereiro de 2008 e Janeiro de 2012, o Departamento de<br />Cultura e Tempos Livres deu continuidade à promoção da criação e divulgação cultural entre os<br />trabalhadores, através da organização de concursos literários, de exposições, da edição de livros<br />e boletins. O enfoque recaiu, contudo, na recuperação e tratamento do seu acervo documental,<br />privilegiando a documentação cujo estado de conservação inspirava maiores cuidados e a<br />criação de ferramentas de trabalho que permitam dar continuidade ao trabalho de descrição e<br />divulgação do património documental desta central sindical. Neste sentido, realizaram-se as<br />seguintes actividades:<br />Edições publicadas<br />• Rocha Chenaider, de João Silva, ex-repórter fotográfico da CGTP-IN (apresentação a 2<br />de Outubro de 2008, no Centro Cultural de Belém);<br />• Conto e poesia: concurso CGTP-IN: publicação dos trabalhos premiados no âmbito do<br />concurso Conto e Poesia (apresentação a 18 de Setembro de 2009, na Casa do Alentejo,<br />Lisboa);<br />• Contributos para a história do movimento operário e sindical: das raízes até 1977<br />(apresentação a 27 de Janeiro de 2011, no Museu da Electricidade, Lisboa, no Porto a<br />03 de Março, na Casa Sindical/União dos Sindicatos do Porto);<br />• CGTP-IN: 40 anos de luta com os trabalhadores (1970-2010) (apresentação a 11 de<br />Maio de 2011, na Casa Sindical/União dos Sindicatos do Porto, e a 14 do mesmo mês<br />na Feira do Livro de Lisboa);<br />• CGTP Cultura (boletim): publicação de 6 números (Fevereiro e Novembro de 2008;<br />Março e Dezembro de 2009; Outubro de 2010; e Janeiro de 2011).<br />Concursos<br /> Conto e poesia: concorreram 330 obras, de 240 participantes (163 em conto e 167 em<br />poesia), provenientes de todos os distritos de Portugal, do Brasil, de França, do Reino<br />Unido e da Suíça. A entrega de prémios decorreu a 11 de Abril de 2008, no auditório da<br />CGTP-IN.<br />Projecto “Tardes de cinema CGTP-IN”<br /> Organização e projecção de um ciclo de cinema intitulado “Controversos e Polémicos”,<br />realizado entre Junho e Setembro de 2008, no auditório da CGTP-IN, tendo em vista a<br />promoção do debate e convívio entre funcionários, dirigentes e outros camaradas do<br />MSU;<br /> No âmbito deste ciclo, foram exibidos os seguintes filmes: “Irreversível”, de Gaspar<br />Noé; “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick; e “O Ódio”, de Mathieu Kassovitz.<br />39<br />Colaboração com o MSU<br /> Apoio técnico e logístico à organização da exposição 100 Anos com os Trabalhadores,<br />inaugurada a 26 de Junho de 2008, por ocasião da celebração dos 100 anos do Sindicato<br />dos Trabalhadores na Indústria da Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul.<br />Colaboração/apoio a instituições externas<br /> Participação no colóquio “Trabalho, Memória e Oportunidades”, organizado pelo<br />Museu Michel Giacometti, a 26 de Abril de 2008, tendo participado como conferencista<br />Maria José Maurício, com a comunicação intitulada “A Geração de Abril e as<br />Perspectivas de Trabalho e Oportunidades para Mulheres e Jovens no Contexto Actual”;<br /> Colaboração na edição de um catálogo de cartazes alusivo aos 35 anos do 25 de Abril,<br />editado por José Gualberto A. Freitas, em 2009, tendo-se autorizado, em Fevereiro, a<br />publicação de alguns cartazes produzidos pela CGTP-IN;<br /> Empréstimo de cartazes, alusivos ao 25 de Abril e 1.º de Maio, para a exposição “Dias<br />da História e da Cidadania”, patente na Escola Básica e Secundária de Santo António,<br />Cidade Sol, Barreiro, entre Abril e Maio de 2009;<br /> Sessões de apresentação do CAD e noções básicas de arquivística nas turmas da<br />disciplina de Técnicas de Arquivo, leccionada pela professora Fernanda Botelho, na<br />Escola Profissional Bento de Jesus Caraça, Lisboa, realizadas em Julho de 2009 e em<br />Maio de 2010;<br /> Apoio técnico à exposição comemorativa dos 130 anos do jornal A Voz do Operário,<br />em Novembro de 2009;<br /> Participação no colóquio “Crise cultural: um olhar sindicalista sobre o futuro”, realizado<br />a 14 de Dezembro de 2011, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo<br />como oradores Américo Nunes, Carlos Galiza e Fernando Gomes.<br />Fundação INATEL<br /> Acompanhamento da actividade da Fundação, nomeadamente através da participação<br />nas reuniões do seu Conselho Consultivo e do Conselho Geral.<br />6.4.1. Centro de Arquivo e Documentação<br /> Assinalou-se o Dia Mundial do Livro, a 23 de Abril de 2008, com a publicação e oferta<br />aos funcionários e dirigentes da CGTP-IN de cerca de 200 separadores/marcadores de<br />livros alusivos ao mundo do livro e da escrita.<br /> Participação no I Seminário Internacional O Mundo dos Trabalhadores e Seus Arquivos,<br />realizado em São Paulo, entre 9 e 11 de Setembro de 2008, e organizado pelo Centro de<br />Documentação e Memória da Central Única de Trabalhadores (CUT), pelo Arquivo<br />Nacional do Brasil e pela Associação Latino-Americana de Arquivos. O CAD interveio<br />com a comunicação intitulada: O Centro de Arquivo e documentação da CGTP-IN<br />(Portugal).<br /> Participação na jornada internacional “Arxius sindicals europeus: un model plural”,<br />realizada em Barcelona, a 24 de Novembro de 2011, numa organização do Arquivo<br />Histórico das Comisiones Obreras da Catalunha. O CAD interveio com a comunicação<br />intitulada: O Centro de Arquivo e Documentação da CGTP-IN e o Projecto de<br />Preservação, Organização e Valorização do Acervo Documental da CGTP-IN.<br />Projecto de Preservação, Organização e Valorização do Acervo Documental da CGTP-IN<br />(Setembro 2009 – Agosto 2011)<br /> Arquivo fotográfico: inventariação de 88 000 negativos; selecção, conservação e<br />acondicionamento de 12 000; selecção, descrição, digitalização e disponibilização no<br />portal Web do CAD online de 1200;<br />40<br /> Colecção de cartazes: selecção, catalogação, digitalização, acondicionamento e<br />disponibilização no portal Web do CAD de 1194 exemplares;<br /> Colecção de jornais/revistas Alavanca (1974-1996): digitalização e disponibilização no<br />portal Web do CAD da totalidade da colecção, cerca de 5 000 páginas;<br /> Testemunhos orais: recolha de 30 depoimentos de antigos e actuais dirigentes sindicais,<br />com enfoque na década de 1970. Os depoimentos foram gravados, editados e descritos<br />na base de dados ICA-AtoM, sendo possível efectuar a sua pesquisa online, bem como<br />consultar excertos das respectivas gravações audiovisuais;<br /> Exposição comemorativa do 40.º aniversário da CGTP-IN: patente ao público na Praça<br />Luís de Camões, Lisboa, entre 3 e 11 de Dezembro de 2010;<br /> Criação do portal Web do CAD, um espaço de divulgação da actividade cultural da<br />CGTP-IN, bem como de pesquisa do seu acervo bibliográfico e arquivístico.<br />Doações documentais à CGTP-IN<br /> João Silva, ex-repórter fotográfico da CGTP-IN, doou, em Maio de 2008, parte do seu<br />espólio fotográfico, composto por cerca de 140 envelopes, com negativos em formato<br />35mm, retratando diversas actividades de sindicatos, federações e uniões do movimento<br />sindical unitário;<br /> O Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás do Centro,<br />Sul e Ilhas doou, em Outubro de 2008, para efeitos de inventariação e preservação, uma<br />colecção de bobines fílmicas que data de entre 1978 e 1982, em película de 16 e 35 mm,<br />e regista acontecimentos como o Congresso dos Sindicatos (1975), o 1.º de Maio de<br />1978 e 1981 e a greve geral de 1982;<br /> A esposa de Júlio Ribeiro, antigo dirigente sindical, doou, em Maio de 2010, uma<br />colecção de documentos (circulares, comunicados, informações, recortes de jornais,<br />etc.) de várias estruturas sindicais com sede em Aveiro, Guarda, Lisboa, Porto e Viseu.<br />A colecção contém, também, vários documentos aprovados nas reuniões intersindicais<br />realizadas antes do 25 de Abril de 1974;<br /> Américo Nunes doou, em 2011, uma colecção de documentos, entre originais e cópias,<br />que usou para a elaboração do texto que escreveu para o livro Contributos para a<br />história do movimento operário e sindical: das raízes até 1977.<br />Aquisições documentais<br /> Aquisição de parte do espólio fotográfico de Armindo Cardoso, repórter fotográfico da<br />CGTP-IN entre 1975 e 1979. Foram adquiridos 5 663 negativos, a preto e branco, no<br />formato 35mm, cujas datas medeiam, precisamente, entre 1975 e 1979, e que<br />documentam, directa ou indirectamente, a actividade da CGTP-IN e do movimento<br />sindical.<br />7. A ACTIVIDADE INTERNACIONAL<br />A actividade internacional desenvolvida no último quadriénio deu concretização às orientações<br />e prioridades traçadas pelo 11º Congresso da CGTP-IN, tendo sido assegurada a intervenção e a<br />participação da Central em inúmeros espaços sindicais ou de representação institucional. Apesar<br />da multiplicidade e elevado custo de algumas deslocações e actividades, foi possível responder à<br />grande maioria dos convites recebidos, promover iniciativas e realizar um vasto número de<br />contactos, traduzidos num incremento significativo da acção da Área.<br />A melhor utilização de meios informáticos e, designadamente, da página Web da Central,<br />permitiu a divulgação sistemática de actividades internacionais relevantes. De realçar, o grande<br />número de tomadas de posição, mensagens de solidariedade e notícias sobre relações<br />internacionais nela publicadas, em diversas línguas, o que também contribuiu para o reforço do<br />relacionamento de cooperação e solidariedade com o movimento sindical internacional.<br />41<br />7.1. Confederação Europeia de Sindicatos (CES)<br />Reforçou-se a participação da CGTP-IN num período em que se colocaram desafios de enorme<br />envergadura ao conjunto do movimento sindical europeu, em resultado da crise capitalista e das<br />suas consequências para os trabalhadores e os povos. Uma ofensiva sem precedentes – que se<br />tornou particularmente grave em países alvo de intervenções externas, como a Irlanda, a Grécia<br />ou Portugal – e que alastra rapidamente a outros países da UE.<br />Neste contexto, no quadro da CES e do movimento sindical europeu, a CGTP-IN procurou dar<br />um contributo específico à luz da análise e reflexão próprias, dos seus princípios e do seu<br />projecto sindical, para o desenvolvimento de uma perspectiva consequente de intervenção e luta.<br />A Central tem participado em reuniões informais do chamado “Grupo Latino” dos membros da<br />CES e na Conferência Social Conjunta, que agrupa organizações filiadas ou não na CES e<br />movimentos sociais europeus.<br />Em termos orgânicos, a Central reforçou a sua participação e intervenção nos órgãos estatutários<br />da CES – Congresso, Comité de Direcção e Comité Executivo – tal como nos vários Comités e<br />Grupos de Trabalho permanentes e temáticos e no Instituto Sindical Europeu (ETUI).<br />De realçar, a participação no 12º Congresso da CES, realizado em Atenas, em Maio de 2011. A<br />CGTP-IN participou activamente na fase preparatória e no Congresso, tendo sido uma das<br />organizações que mais propostas de alteração apresentou aos documentos principais.<br />Participámos, ainda, em 6 manifestações europeias: em 2008, na Eslovénia e em França; em<br />2009, em Espanha; em 2010 na Bélgica; e em 2011 na Hungria e no Luxemburgo. Em Maio de<br />2009, interviemos na Conferência de Meio Mandato da CES, em Paris, que, agendada para<br />debater questões organizativas e estatutárias, foi reorientada para o posicionamento face à crise.<br />Intervindo nas várias áreas e frentes de trabalho, é de realçar, nomeadamente, a iniciativa da<br />CGTP-IN no âmbito do processo de revisão da directiva sobre a organização do tempo de<br />trabalho. Neste domínio, realizámos, em Lisboa, em Novembro de 2008, um importante<br />Seminário Internacional sobre o Tempo de Trabalho, com a presença de 20 centrais sindicais<br />europeias e internacionais.<br />A Central participou ainda em inúmeras reuniões temáticas, nomeadamente, sobre: a crise;<br />economia e emprego; negociação colectiva e salários; desenvolvimento durável, energia e<br />mudança climática; higiene, segurança e saúde no trabalho; protecção social; política de<br />reestruturações e deslocalizações; formação ao longo da vida; formação sindical; migrações,<br />inclusão e luta anti-racista; participação dos trabalhadores; comércio e globalização; coesão<br />económica e social; fundos estruturais; diálogo social a nível europeu; assédio e violência no<br />trabalho; Directiva Bolkestein; Serviços Públicos; Trabalho Digno; Litigação; Flexigurança.<br />Manteve a sua participação em estruturas específicas, designadamente, na CES/Jovem<br />(integrando o Comité Executivo em 2010 e 2011), no Comité de Mulheres, na FERPA<br />(reformados) e EUROCADRES (organização de quadros) e, ainda, no Comité de Coordenação<br />do Fórum Sindical Euromediterrânico.<br />Manteve-se a actividade nos Comités Sindicais Inter-Regionais, de âmbito transfronteiriço,<br />garantida essencialmente pelas Uniões, e nos Comités de Empresa Europeus, actividade<br />acompanhada, no fundamental, pelas Federações e/ou Sindicatos.<br />Reforçaram-se, encetaram-se (caso da DGB/Alemanha) ou retomaram-se relações bilaterais de<br />cooperação com centrais sindicais filiadas na CES, a partir da presença da CGTP-IN nos<br />respectivos Congressos ou outras iniciativas e em contactos multilaterais por ocasião de<br />reuniões estatutárias ou temáticas da CES.<br />Em Novembro de 2008, realizou-se, em Guimarães, a Cimeira Sindical Ibérica, que aprovou<br />uma declaração comum das maiores Centrais da Península. Em Novembro de 2010, teve lugar,<br />em Portugal, uma importante iniciativa de solidariedade de organizações espanholas, francesas e<br />italianas, em torno da Greve Geral de 24/11.<br />42<br />7.2. Restante Movimento Sindical Europeu<br />Reactivaram-se relações com o STUC da Escócia, intensificaram-se com Centrais Sindicais não<br />filiadas na CES, com destaque para a PEO de Chipre (que visitou Portugal a convite da CGTPIN<br />em 2010) e a CIG da Galiza e mantiveram-se contactos com as Confederações Sindicais da<br />Rússia (FNPR), da Ucrânia (FSU) e SSS (Sérvia, que a CGTP-IN visitou em 2010).<br />Registaram-se, ainda, intercâmbios com organizações ou agrupamentos sindicais como a PAME<br />da Grécia, a CUT da Galiza e a LAB do País Basco.<br />7.3. Comunidade Sindical dos Países de Língua Portuguesa (CSPLP)<br />Durante o quadriénio, realizaram-se: o Congresso (Luanda, 2010), quatro reuniões da Comissão<br />Executiva e uma da Direcção Executiva desta Comunidade Sindical. Na sequência do<br />Congresso, a CGTP-IN assumiu, até Julho de 2012, a Secretaria Executiva da CSPLP. Em<br />Dezembro de 2011, a CGTP-IN foi anfitriã de reuniões da Direcção e Comissão Executiva desta<br />estrutura. Participámos em reuniões preparatórias e no 1º Fórum da Sociedade Civil da CPLP,<br />em Brasília. A CGTP-IN participou em diversos Congressos e iniciativas promovidas pelas<br />Centrais dos PALOP, do Brasil e de Timor-leste. O reforço de relações com centrais deste<br />espaço traduziu-se, designadamente, na renovação do protocolo de cooperação com a UNTACS<br />de Angola e na continuação do Projecto “Cooperar é construir”, desenvolvido no âmbito de<br />protocolo tripartido, entre a CGTP-IN, a UNTA-CS e o INOVINTER, bem como no<br />desenvolvimento de um Projecto de cooperação e formação, em conjunto com o IBJC, em apoio<br />à UNTC-CS de Cabo Verde. A CGTP-IN, em colaboração com a OIT, recebeu e participou em<br />diversas iniciativas de formação para os PALOP/CPLP.<br />7.4. África<br />Para além da cooperação com os movimentos sindicais dos PALOP, a CGTP-IN manteve<br />contactos e participou no Congresso da Organização de Unidade Sindical Africana (OUSA), a<br />Confederação Regional do Continente, e no Congresso da central sindical da África do Sul, a<br />COSATU.<br />7.5. Espaço Euro-Mediterrânico (EUROMED)<br />O Norte de África e o Médio Oriente têm sido palco de preocupantes conflitos, mas também de<br />alterações políticas que colocaram novos desafios neste espaço sindical. A CGTP-IN deu,<br />assim, atenção acrescida ao trabalho nesta região (Europa, Norte de África e Médio Oriente) e<br />participou nas reuniões do Comité Sindical de Coordenação.<br />A Central manteve o seu relacionamento com a Confederação Internacional dos Sindicatos<br />Árabes (CISA) – procurando contrariar a discriminação de que esta tem vindo, recentemente, a<br />ser alvo no âmbito do EUROMED –, participou no seu Congresso; com a USTMA (União dos<br />Sindicatos dos Trabalhadores do Magrebe Árabe); com os movimentos sindicais da Palestina,<br />Síria, Líbano, Iraque, Egipto, Líbia, Tunísia, Jordânia, Argélia, Marrocos, Turquia; e com a<br />central sindical saraui, UGTSARIO.<br />7.6.Espaço Latino-Americano<br />A CGTP-IN esteve presente em diversos Congressos e actividades das Centrais Sindicais do<br />Brasil, designadamente da CUT, Força Sindical, CTB, UGT, CGTB e NCST, tendo recebido em<br />Portugal algumas destas organizações.<br />Participámos também em Congressos Sindicais da CTA da Argentina, do PIT/CNT do Uruguai,<br />da CUT do Chile, da CROC e do SME do México, tendo recebido visitas do PIT/CNT do<br />43<br />Uruguai e da CTA da Argentina. Efectuámos uma visita e participámos em 1os. de Maio da<br />CTC de Cuba.<br />De relevo ainda a participação da Central em 3 Encontros Sindicais “Nossa América” e em<br />actividades regionais da CSI e da FSM no espaço latino-americano.<br />Estivemos ainda presentes em diversas Cimeiras Ibero-Americanas (Portugal, Espanha e<br />Brasil), sempre antecedidas de “Cimeiras Sindicais/Interlocutores Sociais” deste espaço.<br />7.7. Outros Espaços Sindicais<br />A CGTP-IN manteve relações com a Federação Geral dos Sindicatos da China (ACFTU),<br />organização sem filiação internacional, tendo recebido uma delegação sindical chinesa e<br />participado, ao longo do mandato, nas reuniões anuais do Fórum Sindical Internacional em<br />Pequim, cada vez mais participado por movimentos sindicais de todos os continentes.<br />Participámos no Congresso do CITU e efectuámos contactos com o AITUC, ambos da Índia;<br />estabelecemos relações, em duas visitas bilaterais, com a PLF do Paquistão.<br />Participámos no Congresso da CSN do Quebeque (Canadá).<br />Em deslocação aos EUA, foram estabelecidos contactos com as organizações sindicais AFLCIO<br />e CTW.<br />7.8. Movimento Sindical Mundial<br />A CGTP-IN participou, como observadora, em Junho de 2010, no 2.º Congresso da<br />Confederação Sindical Internacional (CSI), em Vancouver e, em Maio de 2011, no 16º<br />Congresso da Federação Sindical Mundial (FSM), em Atenas.<br />Num quadro de aprofundamento da crise, a CGTP-IN procurou incrementar a unidade na acção<br />com o movimento sindical internacional com e sem filiação internacional. Associou-se, assim,<br />às Jornadas Mundiais da CSI sobre o Trabalho Digno e aos Dias Internacionais de Luta<br />promovidos pela FSM, participou em várias iniciativas regionais, sectoriais ou temáticas,<br />promovidas por ambas as centrais mundiais e recebeu, em Lisboa, os respectivos Secretários-<br />Gerais.<br />Ainda no plano global é de realçar, entre outras, a presença de uma delegação da<br />Interjovem/CGTP-IN no 17º Festival Mundial da Juventude e Estudantes, realizado em 2010, na<br />África do Sul.<br />7.9. Paz, Cooperação e Solidariedade Internacional<br />A luta pela Paz ganhou importância acrescida no mandato, perante o agravamento do belicismo,<br />das tensões, ocupações e conflitos, do reforço da NATO e da crescente militarização da UE.<br />Em acções próprias ou em convergência com outras organizações – em particular, o Conselho<br />Português para a Paz e Cooperação (CPPC), o Movimento pela Paz na Palestina e no Médio<br />Oriente (MPPM) e o Tribunal do Iraque – priorizou-se a solidariedade com os trabalhadores e o<br />povo da Palestina, tendo a CGTP-IN integrado uma Missão à Palestina e assinalado as invasões<br />de Gaza e outras agressões ao povo Palestiniano. Realce também para os trabalhadores e povo<br />do Sahara Ocidental, com a realização da Conferência Sindical Internacional em Outubro de<br />2011, em Lisboa, a visita a Portugal da UGTSARIO, as participações nas Conferências<br />Europeias de Solidariedade (EUCOCO), iniciativas em Lisboa com a presença de Aminetou<br />Haidar, várias missões aos territórios ocupados e acampamentos de refugiados Saharauis.<br />Destaque para a presença da CGTP-IN, em Dezembro de 2011, no Congresso da Frente<br />POLISARIO.<br />A CGTP-IN promoveu, em 2009, em Lisboa, um encontro de solidariedade com a CTC, os<br />trabalhadores e o povo cubano, vítimas de um criminoso bloqueio e integrou o vasto movimento<br />público que exige a libertação dos 5 patriotas cubanos presos nos EUA. Participámos ainda em<br />44<br />várias acções e iniciativas de protesto e denúncia das acções imperialistas contra a Líbia, Síria,<br />Iraque, Irão, Afeganistão/Paquistão, Honduras (protestos pelo golpe de estado) e Turquia<br />(participação no 1º de Maio e julgamento na Turquia e acção pública em Lisboa, pela libertação<br />dos sindicalistas da central sindical KESK), entre outros.<br />Em 2010, teve uma particular importância o envolvimento da CGTP-IN no lançamento,<br />mobilização e realização da campanha PAZ SIM! NATO NÃO! que culminou com a maior<br />manifestação até então realizada pela PAZ, em 20 de Novembro, em Lisboa.<br />A CGTP-IN participou, ainda, em diversas manifestações anuais, junto da Base dos EUA, em<br />Rota, Espanha.<br />7.10. Globalização e Movimentos Sociais<br />A CGTP-IN interveio em diversas iniciativas sobre temáticas relacionadas com o processo de<br />globalização. Destacam-se nesta área a participação da CGTP-IN nos Fóruns Sociais Europeus<br />de Estocolmo, em 2008 e de Istambul, em 2010, bem como nos Fóruns Sociais Mundiais de<br />Belém, em 2009 e de Porto Alegre, em 2010, e também no Fórum Social da Finlândia, em 2009.<br />A CGTP-IN integra, ainda, o Comité de iniciativa da Conferência Social Conjunta europeia.<br />7.11. Actividades Comunitárias<br />No âmbito da aprovação do Tratado de Lisboa, a CGTP-IN realizou uma Sessão Pública, frente<br />à Assembleia da República, sob a consigna “Tratado tem de ser referendado” e dirigiu uma carta<br />aberta a todos os deputados, reclamando a realização de um referendo sobre a matéria.<br />No plano institucional, a Central participou nas auscultações a cada parceiro social, prévias à<br />realização da generalidade dos Conselhos Europeus, promovidas pelo governo e mantém dois<br />representantes no Comité Económico e Social Europeu (CESE).<br />A Central participou ainda em várias reuniões regulares de Comités Consultivos e Paritários, de<br />diversos sectores de actividade profissional ou temáticos, promovidas pela Comissão ou pelo<br />Parlamento Europeu.<br />Por nomeação da CES, a CGTP-IN participou, durante este período, em várias reuniões do<br />Comité Político do Diálogo Social, no Comité do Mercado de Trabalho do diálogo Social e no<br />Grupo de Trabalho Educação/Formação e noutras reuniões de grupos Ad-hoc, no quadro do<br />diálogo social europeu.<br />7.12.Organização Internacional do Trabalho (OIT)<br />A CGTP-IN participou nas sessões anuais da Conferência Internacional do Trabalho,<br />assegurando (ora com delegado efectivo, ora com suplente) a representação formal dos<br />trabalhadores portugueses.<br />Para além das participações nas sessões plenárias e comissões específicas das Conferências<br />anuais, a CGTP-IN interveio activamente na discussão das grandes temáticas dos últimos anos<br />que, face à crise do sistema, se centraram no Pacto Mundial para o Emprego, aprovado na OIT,<br />e na defesa e promoção do trabalho digno.<br />Realizaram-se encontros de trabalho com o Gabinete da OIT para as relações com os<br />trabalhadores (ACTRAV), recebemos em Portugal, em cooperação com a Organização, alguns<br />grupos de formandos sindicais de países da CSPLP e participámos, em Lisboa, na 8ª reunião<br />regional europeia da OIT, tendo mantido uma ligação regular ao seu Gabinete em Portugal.<br />45<br />A CGTP-IN elaborou, com regularidade, pareceres e respostas a inquéritos e solicitações da<br />OIT e do Governo Português, em preparação das Conferências e para reuniões técnicas ou<br />temáticas.<br />8. As Migrações<br />8.1. Imigração<br />No mandato, aprofundaram-se, na UE, orientações anti-sociais que põem em causa direitos dos<br />trabalhadores migrantes, sejam eles originários dos estados-membros ou de países terceiros. Sob<br />o espectro da “crise”, tenta-se encontrar nos migrantes as primeiras e mais “fáceis” vítimas. A<br />CGTP-IN prosseguiu, em Portugal e na Europa, o seu combate a estas políticas.<br />Num quadro de aprofundamento da crise, particularmente grave em Portugal, aumentou o<br />número de portugueses que emigrou e reduziu-se a dimensão da comunidade imigrante no nosso<br />País.<br />Em Portugal, interviemos sobre a situação e legislação relativa aos imigrantes e na Europa<br />dando combate a estes desenvolvimentos negativos.<br />De assinalar, o Seminário conjunto CGTP-IN/CUT do Brasil, “Migrações e Mundo do<br />Trabalho”, em Lisboa, em 2008.<br />Prosseguiram as participações da CGTP-IN nos organismos de migrações da UE (reuniões do<br />Comité Consultivo de Livre Circulação e do Comité Consultivo da Segurança Social dos<br />Trabalhadores) e da CES (Migrações e Luta Anti-Racista).<br />A nível nacional, a Central manteve a sua intervenção nos organismos oficiais que integra:<br />CICDR (Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial) e COCAI (Conselho<br />Consultivo para os Assuntos da Imigração).<br />Para além de iniciativas sindicais de mobilização, sindicalização e organização dos<br />trabalhadores imigrantes, realizaram-se reuniões com dirigentes, delegados e activistas sindicais<br />ligados à imigração, especialmente, no quadro do Projecto “Imigração – Informar e Formar para<br />Melhor Integrar”, desenvolvido em 2010 e 2011, que culminou com uma Conferência Sindical<br />Internacional, em Dezembro de 2011. A Central participou também em acções de solidariedade<br />com as comunidades estrangeiras e minorias étnicas no nosso país e contra o racismo e<br />xenofobia, muitas vezes em articulação com outros movimentos, ONG, igrejas e associações de<br />imigrantes.<br />8.2. Emigração<br />A CGTP-IN manteve contacto com Conselheiros das Comunidades Portuguesas, com o<br />movimento associativo na emigração e com sindicatos dos países de acolhimento.<br />No plano das instituições comunitárias, prosseguiu a sua participação nos Comités Consultivos<br />da UE sobre Segurança Social dos Trabalhadores Migrantes e sobre Livre Circulação de<br />Trabalhadores no espaço europeu.<br />Realizaram-se iniciativas conjuntas sobre trabalho e migrações no Reino Unido, na Tunísia, em<br />Chipre, na Grécia e na Ucrânia.<br />Em 2008 foi renovado o acordo de cooperação entre a CGTP-IN e a OGB-L do Luxemburgo.<br />Destaque para o II Encontro de Sindicalistas, Conselheiros e Associações na Europa, promovido<br />conjuntamente com a OGB-L do Luxemburgo, em Outubro de 2009.<br />A nível internacional, participámos, em 2010, numa Conferência Mundial da OIM (Agência da<br />ONU para as Migrações)<br />46<br />9. A ORGANIZAÇÃO SINDICAL E OS QUADROS<br />9.1. A Organização de Base<br />9.1.1. Sindicalização<br />Quanto à sindicalização, as metas definidas no 11.º Congresso não foram atingidas porque a<br />crescente precariedade e desregulamentação laboral, a destruição do aparelho produtivo com<br />encerramento e deslocalização de muitas e significativas empresas, por um lado, e, por outro, o<br />encerramento e desmantelamento de serviços públicos, condicionou o trabalho de base e não<br />propiciou as melhores condições para se concretizarem os objectivos definidos.<br />No entanto, apesar das condições difíceis e mesmo violentas para os trabalhadores e a<br />organização sindical nos locais de trabalho, foi possível desenvolver uma forte mobilização e<br />luta intensa com grandes acções de massas e simultaneamente dinamizar a sindicalização que<br />atingiu um resultado significativo neste mandato com mais 120.220 novas sindicalizações.<br />É de salientar o facto de as novas sindicalizações se reportarem a 63.322 mulheres (59,2 %) e<br />25.795 (24,1. %) a jovens do escalão etário até 30 anos, conforme consta no Quadro – I, sendo<br />que do total existem 13.347 novas sindicalizações que os sindicatos não desagregaram.<br />9.1.2. Delegados Sindicais<br />Registou-se uma evolução muito positiva na eleição e reeleição de Delegados Sindicais, tendo<br />sido ultrapassados os objectivos definidos para o mandato ao atingir-se o número de 12.528 de<br />novos mandatos de Delegados Sindicais, o que evidencia uma significa renovação da<br />organização de base dos sindicatos.<br />Dos 12.528 novos mandatos de Delegados Sindicais, pode constatar-se no Quadro – I, que<br />7.845 são mulheres (62,6%) e 916 são jovens até 30 anos (7,3%). É de salientar o crescimento<br />do número de mulheres com responsabilidades sindicais ao nível da base, assim como o<br />rejuvenescimento da rede de Delegados Sindicais com a entrada de mais de 916 jovens do<br />escalão etário até aos 30 anos.<br />Há que intensificar a renovação, o rejuvenescimento e o alargamento da rede de Delegados<br />Sindicais para que os sindicatos estejam representados e possam intervir quotidianamente em<br />maior numero de empresas e serviços, porque é nos locais de trabalho que se desenvolve a<br />intervenção sindical que tem de corresponder às aspirações dos/as trabalhadores/as e são<br />também os locais de trabalho a fonte que alimenta e dá vitalidade a toda a estrutura sindical.<br />9.1.3. Representantes para a SHST<br />Mesmo tendo presente que o Código do Trabalho criou algumas dificuldades à eleição de<br />representantes para a SHST, pela carga burocrática que impõe aos processos eleitorais, não é<br />menos verdade que alguns sindicatos não deram suficiente atenção a este trabalho, o que se<br />reflectiu no desaproveitamento das potencialidades de eleger mais representantes, na qualidade<br />da informação produzida e num insuficiente acompanhamento e organização estruturada dos<br />eleitos.<br />O número de processos eleitorais concluídos e a quantidade de trabalhadores eleitos, efectuado a<br />partir dos dados fornecidos pelos sindicatos, não traduz com rigor a realidade, uma vez que<br />foram efectuadas eleições e eleitos representantes que não foram registados centralmente devido<br />a não ter sido prestada a necessária informação. Em todo o caso, embora se considere que os<br />dados constantes do Quadro I – 1013 mandatos, estejam subestimados, é um facto que ainda<br />assim os resultados obtidos nesta importante tarefa de trabalho estão aquém do que é desejável e<br />mesmo necessário.<br />47<br />Por outro lado, o insuficiente apoio, ou até a ausência de acompanhamento aos representantes<br />eleitos, impede que eles possam desempenhar com eficácia o seu papel e que alguns sejam<br />mesmo tentados a desistir devido à falta de orientação, de condições e, consequentemente, de<br />motivação para o exercício das respectivas funções.<br />É preciso inverter esta situação, através de uma efectiva melhoria do trabalho de direcção,<br />impulsionando a intervenção sindical planificada e direccionada para empresas e serviços<br />prioritários, tendo como objectivo a eleição de mais representantes para a SHST e,<br />simultaneamente, intensificar a execução de acções de sensibilização dos dirigentes e delegados<br />sindicais, bem como a formação específica dos representantes eleitos.<br />No Quadro I estão registados os resultados entre Janeiro de 2008 e Junho de 2011<br />QUADRO-I<br /><br />SINDICALIZAÇ<br />ÃO<br /><br />DELEGADOS<br />SINDICAIS<br /><br />S.H.S.T.<br /><br />TOTAL<br />MANDATO<br />SECTORES DE<br />ACTIVIDADE<br />HOM<br />MU<br />LH<br />Até<br />30<br />ano<br />s<br />HO<br />M<br />MU<br />LH<br />Até<br />30<br />ano<br />s<br />HO<br />M<br />MU<br />LH<br />Até<br />30<br />ano<br />s<br /><br />SIND<br />.<br /><br />D.S.<br /><br />S.H.<br />S.T.<br />ADMINISTRAÇÃO<br />PÚBLICA 7675<br />157<br />19<br />335<br />4<br />112<br />0<br />242<br />8 145 90 83 3 23394<br />354<br />8 173<br />AGRICULTURA,<br />ALIMENTAÇÃO,<br />HOTELARIA,<br />BEBIDAS E<br />TURISMO 4605<br />107<br />43<br />273<br />7 311 359 130 60 27 10 15676 670 87<br />BANCA 526 764 343 227 112 17 0 1 0 1290 348 1<br />COMÉRCIO,<br />ESCRITÓRIOS E<br />SERVIÇOS 5765<br />124<br />62<br />594<br />0 200 420 148 0 0 0 21710 649 0<br />COMUNICAÇÕES E<br />TELECOMUNICAÇ<br />ÕES 1317<br />102<br />2 800 159 25 17 4 0 0 3007 184 4<br />CONSTRUÇÃO,<br />CERÂMICA E<br />VIDRO 4107 551 426 155 12 16 66 5 9 9289 187 71<br />MAR E PESCA 281 136 96 4 3 1 0 0 0 417 7 0<br />METALURGIA,<br />QUIMICA, FARM.,<br />ELÉCTRICA,<br />ENERGIA E MINAS 11212<br />364<br />1<br />400<br />2 839 152 121 528 75 64 16071<br />100<br />4 630<br />PROFESSORES 1844<br />655<br />5<br />260<br />0<br />126<br />7<br />399<br />4 194 0 0 0 8399<br />526<br />1 0<br />SAÚDE 507<br />273<br />1<br />217<br />5 102 193 87 0 1 0 3277 295 1<br />TÊXTIL,<br />LANIFÍCIOS,<br />VESTUÁRIO,<br />CALÇADO E PELES 2236<br />832<br />3<br />246<br />3 50 110 18 11 19 0 10607 160 32<br />48<br />TRANSPORTES 3416 629 842 167 37 22 10 4 3 6977 214 14<br />OUTROS 60 46 17 1 0 0 0 0 0 106 1 0<br />TOTAL 43551<br />633<br />22<br />257<br />95<br />460<br />2<br />784<br />5 916 769 215 89<br />12022<br />0<br />125<br />28<br />101<br />3<br />Nota: Os números referentes a Homens, Mulheres e Jovens apresentam algumas discrepâncias<br />relativamente ao Total do Mandato porque alguns Sindicatos não indicam os números desagregados,<br />somando estes casos 13347 novas sindicalizações.<br />9.1.4. Comissões de Trabalhadores<br />As Comissões de Trabalhadores não são estruturas sindicais, mas são estruturas de base e a<br />maioria das CTs cooperam com as estruturas do Movimento Sindical Unitário, num quadro de<br />respeito pela autonomia própria de cada uma das estruturas.<br />Actualmente, a CGTP-IN tem o registo de 1.432 Comissões de Trabalhadores com estatutos<br />publicados. No decorrer do mandato, foram publicados 49 novos estatutos e 124 alterações a<br />estatutos de CTs. Foi também publicada neste período de quatro anos a identificação dos<br />membros que compõem 309 Comissões de Trabalhadores, representando 2378 membros, dos<br />quais 374 são mulheres (15,7 %).<br />Num levantamento relativo à eleição das CT’s no final de 2010, em 90 empresas representando<br />91.029 trabalhadores, 45.822 (50,3%) votaram para as comissões de trabalhadores, dos quais<br />34.306 (74,9%) votaram em listas unitárias identificadas com a CGTP-IN e 11.026 (24,6%)<br />votaram noutras listas.<br />A cooperação do Movimento Sindical com as CTs deve prosseguir, porque é útil para os<br />trabalhadores a convergência e complementaridade de acção de ambas as estruturas de base.<br />9.2. Eleições Sindicais<br />As eleições sindicais que ocorreram entre Janeiro de 2008 e o final do ano de 2011, foram 132<br />actos eleitorais em Sindicatos do MSU, tendo sido eleitos 4.388 dirigentes, dos quais 1.593 são<br />mulheres (36,3%) e 165 Jovens (3,8%).<br />Foram recolhidos e tratados dados relativos às eleições em 75 Sindicatos nos quais votaram<br />145.331 trabalhadores do total de 437.721 inscritos nos cadernos eleitorais e destes votaram nas<br />listas identificadas com a CGTP-IN 131.134 trabalhadores o que corresponde a 90,2% dos<br />eleitores que exerceram o seu direito de voto.<br />No estudo efectuado verificou-se que em 71 Sindicatos existem 2458 dirigentes, 817 são<br />mulheres e 151 jovens. A média etária geral é de 46 anos, sendo a dos homens de 47,6 e a das<br />mulheres de 42,2 anos e a dos jovens com menos de 30 anos, cuja média etária é de 25,6 anos.<br />Assim, no universo de Sindicatos do MSU regista-se um total de 5.007 dirigentes, sendo 1.729 –<br />36,6% mulheres e 164 – 6,3% jovens do escalão etário até 30 anos.<br />9.3. A Estrutura e a Reestruturação Sindical<br />9.3.1. Sindicatos<br />No período decorrido entre o último Congresso e o final Novembro de 2011, verificaram-se alterações<br />estruturais em diversos sindicatos. A reestruturação sindical teve continuidade através de fusões de<br />sindicatos e de Federações e consolidaram-se processos de reestruturação iniciados em mandatos<br />anteriores.<br />49<br />No 11.º Congresso da CGTP-IN registamos 141 sindicatos activos, dos quais 88 eram sindicatos<br />filiados, 21 a cooperarem com regularidade com a Central e 32 a cooperarem de forma pontual. Com<br />as medidas de reestruturação executadas ao longo do mandato passámos para 131 sindicatos activos,<br />destes 83 são filiados, 19 não são filiados mas cooperam de forma activa e regular com a CGTP-IN e<br />os restantes 29 sindicatos não filiados cooperam de forma pontual.<br />Extinguiram-se 15 Sindicatos, dos quais 12 eram filiados na CGTP-IN e 3 não filiados. Estas<br />extinções tiveram lugar na sequência da adopção de processos de integração e fusão dos seguintes<br />sindicatos:<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Cerâmica, Cimentos e Similares do Distrito de<br />Viana do Castelo;<br />• Sindicato dos Metalúrgicos e Ofícios Correlativos da Região Autónoma da Madeira;<br />• Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários da Região Autónoma da Madeira;<br />• Sindicato Nacional dos Profissionais de Serviço Social;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgica e Metalomecânica do Norte;<br />• STIENC – Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Eléctricas do Norte e Centro;<br />• SINORQUIFA – Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás<br />do Norte;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Distrito de<br />Braga;<br />• SINQUIFA – Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás do<br />Centro, sul e Ilhas;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas dos Distritos<br />de Aveiro, Viseu, Guarda e Coimbra;<br />• Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica dos Distritos de<br />Lisboa, Leiria, Santarém e Castelo Branco;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Sul;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Celulose, Papel, Gráfica e Imprensa;<br />• Sindicato dos Técnicos de Prótese Dentária;<br />• Sindicato dos Pescadores da Póvoa do Varzim.<br />Constituíram-se, ao longo deste mandato, 5 sindicatos:<br />- Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários e Actividades Metalúrgicas da Região Autónoma da<br />Madeira<br />- Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Energia e Actividades do Ambiente do Sul – SITE<br />Sul;<br />- Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do<br />Ambiente do Norte – SITE NORTE;<br />- Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do<br />Ambiente do Centro Norte – SITE CN;<br />- Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do<br />Ambiente do Centro Sul e Regiões Autónomas – CSRA.<br />Relativamente ao âmbito geográfico os Sindicatos do MSU, repartem-se da seguinte forma:<br />− 51 Sindicatos têm âmbito Nacional;<br />− 45 Sindicatos têm âmbito Pluridistrital;<br />− 17 Sindicatos têm âmbito distrital;<br />− 13 Sindicatos têm âmbito regional;<br />− 1 Sindicatos têm âmbito ao (s) Concelho (s);<br />− 2 Sindicatos têm âmbito ao estrangeiro;<br />− 2 Sindicatos têm âmbito às ilhas de São Miguel e Santa Maria.<br />50<br />Quanto ao âmbito pessoal:<br />− 43 Sindicatos têm âmbito profissional;<br />− 82 têm âmbito sectorial vertical;<br />− 3 têm simultaneamente âmbitos de actividade vertical e profissional;<br />− 3 têm âmbito profissional, numa parte, e vertical, na outra.<br />Também durante o mandato, alteraram os seus estatutos 80 Sindicatos, 9 Uniões Distritais e 6<br />Federações do MSU e constituíram-se 14 Sindicatos de identidade indefinida.<br />Alteraram estatutos, entre outros os seguintes Sindicatos:<br />• Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores;<br />• Sindicato dos Funcionários Judiciais – SFJ;<br />• Sindicato dos Trabalhadores Consulares e Missões Diplomáticas no Estrangeiro –<br />STCDE;<br />• Sindicato dos Magistrados do Ministério Público;<br />• Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos – STI;<br />• Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Centro;<br />• Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local — STAL;<br />• Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Bragança;<br />• Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura do Distrito de Portalegre;<br />• Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas do Distrito de Faro;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Celulose, Papel, Gráfica e Imprensa;<br />• Sindicato dos Trabalhadores da Construção, Madeiras, Mármores, Pedreiras, Cerâmica<br />e Materiais de Construção de Portugal;<br />• Sindicato dos Trabalhadores da Construção, Madeiras, Mármores, Pedreiras,<br />• Cerâmica e Afins da Região a Norte do Rio Douro;<br />• Sindicato dos Trabalhadores dos Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Doméstica<br />e Actividades Diversas;<br />• Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual —<br />SINTTAV;<br />• Associação Sindical dos Profissionais de Policia – ASPP/PSP;<br />• Sindicato dos Jornalistas;<br />• Sindicato Nacional dos Profissionais de Serviço Social<br />• Associação Sindical dos Trabalhadores dos Serviços Prisionais;<br />• SPEUE — Sindicato Português dos Engenheiros Graduados na União Europeia;<br />• Sindicato dos Professores da Região Centro – SPRC<br />• Sindicato dos Professores do Norte – SPN<br />• Sindicato dos Fogueiros, Energia e Indústrias Transformadoras – SIFOMATE<br />• Sindicato dos Metalúrgicos e Ofícios Correlativos da Região Autónoma da Madeira;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do<br />Ambiente do Sul, SITE – SUL;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do<br />Ambiente do Sul, SITE – NORTE;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do<br />Ambiente do Centro Norte, SITE – CN;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do<br />Ambiente do Centro Sul e Regiões Autónomas, SITE – CSRA;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgica e Metalomecânica do Norte;<br />• STIENC — Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Eléctricas do Norte e Centro;<br />• SINORQUIFA — Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e<br />Gás do Norte;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Distrito<br />de Braga;<br />51<br />• SINQUIFA — Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás<br />do Centro, Sul e Ilhas;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas dos<br />Distritos de Aveiro, Viseu, Guarda e Coimbra;<br />• Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica dos Distritos<br />de Lisboa, Leiria, Santarém e Castelo Branco;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Sul;<br />• Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgica e Metalomecânica do Norte;<br />• Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Centro;<br />• SQTD — Sindicato dos Quadros e Técnicos de Desenho:<br />• Sindicato Nacional dos Profissionais de Serviço Social;<br />• Sindicato dos Médicos do Norte;<br />• Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social — STSSSS;<br />• Sindicato dos Trabalhadores dos Sectores Têxteis, Vestuário, Calçado e Curtumes do<br />Distrito do Porto;<br />• Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil de Aveiro;<br />• Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários e Actividades Metalúrgicas da Região<br />Autónoma da Madeira;<br />• Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários da Região Autónoma da Madeira;<br />• Associação Nacional de Dentistas;<br />• Sindicato dos Enfermeiros Portugueses;<br />• Sindicato dos Professores da Região Açores;<br />• Sindicato do Corpo da Guarda Prisional;<br />• Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte.<br />• Sindicato dos Músicos, dos Profissionais do Espectáculo e do Audiovisual – CENA<br />Relativamente a filiações de sindicatos na CGTP-IN, é de salientar que, durante o mandato, não<br />se verificou qualquer desfiliação de sindicatos, embora se registe que dos 88 sindicatos filiados<br />na altura do 11º.º Congresso, passamos para 83 filiados, sendo esta redução do número de<br />sindicatos filiados resultante dos processos de fusão e integração dos sindicatos.<br />Registaram-se neste período novas filiações de Sindicatos que cooperavam com a CGTP-IN e<br />que passaram a ser Sindicatos filiados:<br />- Sindicato dos Trabalhadores da Actividade Financeira – SINTAF<br />- Sindicato dos Capitães, Oficiais Pilotos, Comissários e Engenheiros da Marinha Mercante –<br />OFICIAISMAR<br />Registou-se, também, a filiação dos seguintes Sindicatos, que se constituíram na sequência de<br />processos de reestruturação:<br />- Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários e Actividades Metalúrgicas da Região Autónoma da<br />Madeira;<br />- Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Energia e Actividades do Ambiente do Sul – SITE<br />Sul;<br />- Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do<br />Ambiente do Norte – SITE NORTE;<br />- Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do<br />Ambiente do Centro Norte – SITE CN;<br />- Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do<br />Ambiente do Centro Sul e Regiões Autónomas – CSRA.<br />Estas cinco filiações constituem um importante reforço orgânico da CGTP-IN, fortalecendo-se, assim,<br />a solidariedade entre todos os trabalhadores. Há que prosseguir e aprofundar a cooperação aos<br />diversos níveis da estrutura sindical com os sindicatos não filiados, tendo em vista alargar o<br />52<br />envolvimento e a participação dos trabalhadores na acção sindical e nas iniciativas definidas pela<br />Central e as suas estruturas regionais e sectoriais.<br />9.3.2. Uniões de Sindicatos<br />As Uniões Distritais e Regionais são vinte e duas (22), que estatutariamente são estruturas<br />intermédias da CGTP-IN. Durante o mandato, registaram-se 20 Congressos / Plenários eleitorais<br />em 18 Uniões distritais.<br />Nos Órgãos estatutários máximos destas estruturas intermédias foram eleitos 446 dirigentes, dos<br />quais 151 (33,8%) são mulheres e 32 (7,1%) são Jovens. A média etária geral apurada é de 45,8<br />anos, sendo a dos homens de 46,4 anos, a das mulheres de 44 e a dos jovens de 27,2 anos.<br />Das 7 Uniões Locais existentes, reuniram, durante o mandato, 1 em Plenários eleitorais, tendo<br />sido eleitos 15 dirigentes, dos quais 12 (80%) são mulheres e 3 (20%) são Jovens.<br />9.3.3. Federações de Sindicatos<br />As Federações que se assumem como estruturas intermédias da CGTP-IN são 10. Durante o<br />mandato, registaram-se 5 Congressos / Plenários eleitorais em 5 Federações tendo sido eleitos<br />133 dirigentes, dos quais 45 (33,8%) são mulheres e 7 (5,26%) são Jovens. A média etária<br />geral apurada nas 5 federações é de 46,1 anos, sendo a dos homens de 49,3 anos, a das mulheres<br />de 43,3 e a dos jovens de 27,8 anos.<br />9.4. As Organizações Especificas<br />9.4.1. Interjovem/CGTP-IN<br />A acção da Interjovem/CGTP-IN teve, nos últimos anos, como eixo central, a Luta pelo<br />Trabalho com Direitos, num forte combate à precariedade e a todas as discriminações em que os<br />jovens são vítimas, cumprindo, assim, as orientações traçadas no último Congresso da CGTP-IN<br />e as conclusões da 6ª Conferência Nacional da Interjovem/CGTP-IN.<br />Ao longo do mandato, foram feitos esforços para uma maior participação dos jovens<br />trabalhadores nas acções do momento sindical que se fizeram, em larga medida, através da<br />articulação entre a Interjovem/CGTP-IN e as estruturas sindicais.<br />Realizámos a 6ª Conferência Nacional da Interjovem/CGTP-IN no dia 30 de Janeiro de 2009,<br />numa fase de graves ataques aos direitos dos jovens trabalhadores mas também de forte<br />resistência e exigência daquilo que nos propusemos a ter como plano de acção – Lutar contra a<br />Precariedade, pelo trabalho estável e com direitos.<br />A preparação e realização da Conferência permitiram que a Interjovem consolidasse a sua linha<br />de acção, centrada nos locais de trabalho, espaço estratégico de contacto, conhecimento e<br />resolução dos problemas que mais afectam os jovens trabalhadores, sempre em articulação e<br />com trabalho planificado conjuntamente com os Sindicatos e Uniões, promovendo sempre a<br />participação activa dos jovens trabalhadores na acção dos seus sindicatos.<br />É de valorizar a participação dos activistas sindicais na Interjovem/CGTP-IN nas várias<br />iniciativas e acções dos seus sindicatos, assim como nas iniciativas de carácter mais geral<br />promovidas pelas Uniões de sindicatos de cada distrito e pela CGTP-IN.<br />Ao longo do mandato, foram editados vários comunicados, cartazes e outros materiais próprios<br />da Interjovem/CGTP-IN, dirigidos aos trabalhadores mais jovens que serviram para importantes<br />acções de contacto, esclarecimento e mobilização nas empresas e locais de trabalho. A<br />participação da Interjovem/CGTP-IN foi visível, em diversas acções de luta e de protesto,<br />conseguindo-se que a sua presença fosse sentida no início das acções de rua, de forma visível,<br />53<br />dando sinais da combatividade e participação dos jovens trabalhadores, principalmente nas<br />grandes manifestações nacionais que se realizaram ao longo deste mandato.<br />A realização de diversas iniciativas a nível distrital, em empresas e locais de trabalho,<br />nomeadamente, através de tomadas de posição da Interjovem/CGTP-IN, conferências de<br />imprensa sobre os problemas sentidos nas empresas ou a realização de diversas tribunas<br />públicas, tornaram-se importantes para chamar a atenção dos ataques aos direitos dos jovens<br />trabalhadores que, cada vez mais se fazem sentir. São de realçar as dezenas de acções de<br />contacto e mobilização nas empresas, as tribunas públicas e conferências de imprensa que temos<br />promovido todos os anos para divulgar o dia nacional da Juventude, a 28 de Março.<br />Anualmente, assinalámos este dia como Dia Nacional da Juventude e como um dia de Luta que<br />a Interjovem/CGTP-IN desde 2006 tem marcado pela positiva, com a realização de uma<br />Manifestação Nacional em Lisboa em torno dos problemas que afectam os jovens trabalhadores<br />e que têm contado com a participação de milhares de jovens trabalhadores.<br />A participação dos jovens trabalhadores nas acções de luta desenvolvidas, nomeadamente, a<br />importante participação na construção das duas greves gerais, em Novembro de 2010 e 2011,<br />demonstrou que é possível a participação dos jovens trabalhadores, de forma organizada na<br />acção sindical, juntando ao protesto de todos os trabalhadores, as suas reivindicações<br />específicas.<br />A realização de acções da Interjovem/CGTP-IN, de denúncia dos problemas específicos que<br />afectam os jovens trabalhadores foi uma constante ao longo de todo o mandato, ainda que,<br />muitas vezes, houvesse dificuldades para a sua realização em todo o país.<br />A “Estafeta contra a Precariedade”, realizada em Fevereiro de 2009, campanha dirigida para os<br />locais de trabalho com grande concentração de trabalhadores com vínculo precário foi disso um<br />exemplo importante. Durante esta campanha, estivemos em contacto com centenas de jovens<br />trabalhadores, incentivando-os à denúncia dos seus contratos, muitas vezes ilegais, à<br />sindicalização e ao seu envolvimento na resolução do problema da precariedade.<br />Realizámos o “PIC-NIC contra a Precariedade”, em Julho de 2010 envolvendo associações e<br />movimentos como a JOC (Juventude Operária Católica), a ABIC (Associação de Bolseiros de<br />Investigação) e o M12M (Movimento 12 de Março), momento importante de convívio e de<br />afirmação dos valores do trabalho estável e com direitos, onde foi possível a realização de<br />debates sobre temas relacionados com as reivindicações dos jovens trabalhadores acerca do<br />trabalho com direitos, bem com a aprovação de um documento subscrito pelos participantes<br />com o lema “Tomemos nas nossas mãos os destinos das nossas vidas”.<br />Realizamos ainda, 16 de Setembro de 2010, uma acção de luta da juventude trabalhadora,<br />descentralizada, pelo trabalho com direitos, contra a Precariedade e o desemprego.<br />Esta foi uma acção que assumiu contornos diferentes em cada um dos distritos, realizando-se,<br />nesse dia, acções de rua e tribunas públicas em várias praças centrais das cidades, acções de<br />contactos em empresas e centros de emprego, concertos, recolha e entrega de assinaturas em<br />defesa do Trabalho com Direitos, entre outras acções.<br />No dia 1º de Maio do ano de 2010 lançámos uma petição para a qual foram recolhidas nas<br />empresas e locais de trabalho, em locais de concentração de jovens e durante as iniciativas de<br />protesto realizadas, mais de 20 mil assinaturas exigindo “Que a um posto de trabalho<br />permanente, corresponda um vínculo de trabalho efectivo”.<br />Esta petição, promovida pela Interjovem/CGTP-IN foi entregue na Assembleia da República em<br />Outubro do mesmo ano com um Cordão Humano constituído por mais de 100 dirigente e<br />delegados sindicais jovens que voltaram à Assembleia da República no dia da discussão dos<br />grupos parlamentares sobre este documento, em Setembro de 2011.<br />Destacamos as recentes iniciativas lançadas durante o mês de Dezembro para realizar em alguns<br />distritos no mês de Janeiro de 2012, onde a INTERJOVEM adoptou como lema “Contra o<br />desemprego! Não fiques parado! Marcha pelo Trabalho com Direitos! iniciativas estas que têm<br />54<br />presente o protesto e luta contra o desemprego e a precariedade, rejeitar o programa de agressão,<br />afirmando as nossas propostas e o XII congresso da nossa CGTP-IN.<br />É de realçar que, apesar de todas as dificuldades sentidas pelos jovens trabalhadores,<br />nomeadamente o aumento da ofensiva nas empresas para que não participem no protesto, as<br />manifestações deste dia, tem sido, grandes acções de afirmação dos direitos da juventude<br />trabalhadora, da sua capacidade de resistência e de rejeição dos retrocessos sociais que querem<br />impor à juventude.<br />Ao longo destes 4 anos, realçamos como positivo o reforço do trabalho conjunto e articulado<br />entre os Sindicatos, as Uniões e a Interjovem, sempre centrado no local de trabalho e no<br />contacto com os jovens trabalhadores. Realçamos ainda a importância de se darem passos para a<br />criação de Comissões de jovens nas estruturas sindicais.<br />Persistem ainda dificuldades de criação de estruturas de jovens em Sindicatos, Uniões e<br />Federações e a fraca participação de alguns dirigentes nacionais nas iniciativas e na actividade<br />regular da Interjovem/CGTP-IN, muitas vezes motivada pela procura de novos empregos (até<br />no estrangeiro), melhor remunerados e com mais direitos, outras vezes motivada pelo<br />desemprego crescente (encerramento e deslocalização de empresas, fim dos contratos, etc.) que<br />afecta largamente os jovens trabalhadores.<br />Entendemos que progressivamente devem ser dados passos no sentido do reforço da<br />participação de jovens nas direcções sindicais e na sua responsabilização, direccionando-se<br />esses jovens e dando-lhe condições para que participem no trabalho da Interjovem/CGTP-IN.<br />9.4.2. Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens/CGTP-IN<br />Desde o 10.º Congresso da CGTP-IN, as questões de género têm constituído matéria de<br />discussão e deliberação institucional, tanto ao nível nacional como europeu e internacional,<br />mantendo-se como uma questão política na ordem do dia.<br />A título de exemplo, referem-se alguns factos e acontecimentos ocorridos ao longo do mandato:<br />(1) No plano nacional Governamental, a continuação dos Planos que vigoraram entre 2007 e<br />2010, sobre Igualdade-Cidadania e Género (III Plano), Contra a Violência Doméstica (III<br />Plano) e Contra o Tráfico de Seres Humanos (I Plano) e a aprovação de novos Planos, que<br />iniciaram em 2010 e vigorarão até 2013 – Igualdade-Cidadania e Género (IV Plano), Contra a<br />Violência Doméstica (IV Plano) e Contra o Tráfico de Seres Humanos (II Plano); (2) No plano<br />europeu, a reformulação da directiva sobre igualdade de tratamento em domínios ligados ao<br />emprego e à actividade profissional, em 2006; o Roteiro para a Igualdade entre Homens e<br />Mulheres (2006-2010); a aprovação, pelo Conselho Europeu, do Pacto para a Igualdade entre<br />Homens e Mulheres, em 2006; a criação do Instituto Europeu para a Igualdade de Género, em<br />2007; o Relatório da Comissão ao Conselho, ao Parlamento Europeu, ao Comité Económico e<br />Social Europeu e ao Comité das Regiões sobre a Igualdade entre Homens e Mulheres, em 2007;<br />a instituição do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos (2007) – Para uma<br />Sociedade Justa, por decisão do Parlamento Europeu e do Conselho; Participação na discussão<br />sobre a revisão da Directiva 92/85/EEC sobre o alargamento da licença de maternidade e a<br />protecção da saúde; Resposta a Questionário da CES sobre a transversalidade das politicas de<br />Género; Participação no Relatório conjunto sobre a implementação ao nível da contratação<br />colectiva da matéria relativa ao assédio e à violência no trabalho (2010); participação na<br />discussão sobre a aplicação da Directiva 2010/18/EU do Conselho de 8 de Março que aplica o<br />Acordo Quadro revisto sobre licença parental que revoga a Directiva 96/34/CE e que terá efeitos<br />na ordem interna em Março de 2012 (3) No plano internacional, o Relatório da OIT, “Igualdade<br />no Trabalho – Um desafio contínuo”, em 2011, sobre as políticas de trabalho, no âmbito da<br />igualdade de oportunidades.<br />As mudanças e a evolução normativa no domínio da igualdade de género têm sido<br />acompanhadas pela CGTP-IN, essencialmente por via da sua organização específica – a<br />55<br />Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens (CIMH/CGTP-IN) –, que tem procurado,<br />numa perspectiva integrada, dar contributos coerentes e eficazes para a desconstrução dos<br />estereótipos de género e para a efectivação da igualdade entre mulheres e homens em todas as<br />esferas da sociedade, com destaque para o mundo do trabalho.<br />Neste contexto, foram desenvolvidas as seguintes actividades:<br />No plano da acção sindical e das iniciativas<br />No decurso do mandato, dinamizou o esclarecimento e a participação das mulheres<br />trabalhadoras, quer nas 2 Greves Gerais, de 24 de Novembro de 2010 e de 2011, quer em todas<br />as Jornadas de Luta promovidas pela CGTP-IN, procurando dar visibilidade aos seus problemas<br />e reivindicações específicas, no quadro da acção e das reivindicações mais gerais e<br />mobilizando-as para o combate às discriminações, à destruição dos postos de trabalho e ao<br />aumento do desemprego e da precariedade, ao aumento dos horários de trabalho e ao ataque à<br />Leia da Parentalidade, nomeadamente, à conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal,<br />ao despedimento e à não renovação ilegal dos contratos de trabalho de grávidas, puérperas ou<br />lactantes, ao retrocesso nos direitos determinados pelo Código do Trabalho e pela sua<br />Regulamentação, aos baixos salários e o aumento das doenças profissionais e à degradação do<br />poder de compra; às insuficiências em matéria de infra-estruturas de apoio à família, ao ataque<br />às funções sociais do Estado, à destruição do Serviço Nacional de Saúde, ao alargamento da<br />idade de reforma e à redução das pensões.<br />A 22 de Maio de 2009 realizou-se a V Conferência de Igualdade entre Mulheres e Homens, sob<br />o lema “Agir em Igualdade, Lutar para Mudar”, onde foram aprovados o Relatório do mandato<br />anterior (2005-2009), o Programa de Acção da Conferência e a Carta Reivindicativa (com as<br />resoluções e moção) e foi eleita a nova Comissão de Igualdade entre Mulheres e Homens.<br />No decorrer do mandato, têm sido adoptadas tomadas de posição públicas, através de<br />comunicados de imprensa e junto dos órgãos do poder e deu-se continuidade à publicação do<br />Boletim Igualdade e Parentalidade.<br />A organização específica da CGTP-IN para a igualdade entre mulheres e homens promoveu,<br />participou e fez-se representar em numerosas iniciativas sindicais e em eventos públicos:<br />debates, seminários, lançamento de obras de investigação sobre a problemática de género,<br />audições públicas, entre outras iniciativas.<br />Globalmente, registou-se uma tendência para o reforço da representação das mulheres na<br />sindicalização, na organização de base e nos órgãos de direcção dos sindicatos, verificando-se,<br />em média, maiores dificuldades no nível intermédio e de topo da estrutura sindical, no que<br />respeita à participação das mulheres.<br />Nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, 8 de Março – 2008 / 2011<br />Para a CGTP-IN, as comemorações do Dia Internacional da Mulher não se limitam a evocar<br />uma data histórica e a assinalar um evento, antes constituindo, desde sempre, motivo de<br />afirmação da luta, em torno da defesa dos direitos das mulheres trabalhadoras, pelo direito ao<br />trabalho com direitos e pelo aprofundamento da democracia.<br />Entre 2008 e 2009, o 8 de Março foi assinalado por diversas iniciativas, tais como, um<br />“Tribunal de opinião pública”, uma “Marcha pela Igualdade”, uma “Manifestação Nacional” e<br />distribuições de propaganda nos locais de trabalho das diversas regiões e empresas.<br />No âmbito das comemorações do centenário do 8 de Março – Dia Internacional da Mulher, a<br />CIMH/CGTP-IN desenvolveu diversas actividades, entre Março de 2010 e Março de 2011,<br />prosseguindo as orientações para a acção sindical, aprovadas na V Conferência para a Igualdade<br />entre Mulheres e Homens, que se realizou no dia 22 de Maio de 2009.<br />Foram realizados debates, sessões públicas, exposições, plenários, iniciativas de rua,<br />distribuição de documentos e flores à população, conferências de imprensa, exposições, sessões<br />de poemas e canções, alusivos ao tema, jantares comemorativos, espectáculos de música, dança<br />56<br />e teatro, de onde se destaca a organização de uma sessão de teatro, com a apresentação da Peça<br />“ Não se ganha, não se paga”, no Teatro da Trindade (Lisboa) e de um espectáculo no Cinema<br />Batalha (Porto), em 2009.<br />Foi também pintado um quadro e feitas 200 serigrafias do mesmo, alusivas à mulher<br />trabalhadora, assim como criada uma sala na CGTP-IN, com exposições das várias iniciativas<br />realizadas ao longo dos anos, sobre a luta e participação das mulheres trabalhadoras.<br />Algumas destas iniciativas foram desenvolvidas em parceria com o Movimento Democrático de<br />Mulheres.<br />Nos Projectos co-financiados<br />No âmbito dos projectos, continuando a decorrer alguns deles, a actividade, desde o último<br />Congresso, incidiu sobre:<br />a) Projecto Equal – Agir para a Igualdade, que teve o seu início em 2001 e se desenvolveu em<br />3 fases, tendo terminado em Junho de 2009.<br />A partir de Fevereiro de 2007, deu-se um novo impulso à Acção 3, no sentido de se disseminar<br />os materiais pedagógicos construídos para as escolas do âmbito da FENPROF. Estabeleceramse<br />parcerias com a Secretaria Regional da Educação e Ciência dos Açores e com a Secretaria<br />Regional da Educação e Cultura da Madeira e, entre 2007 e 2009, foram envolvidas 14 escolas<br />(continente e regiões autónomas), realizadas 15 acções de formação para professores e<br />professoras (creditadas pelo Conselho Científico Pedagógico da Formação Contínua, do<br />Ministério da Educação), formados cerca de 270 professores e professoras e abrangidos cerca de<br />3830 alunos e alunas.<br />b) Projecto Equal – Revalorizar o trabalho para promover a Igualdade, que teve início em 2005<br />e terminou em Junho de 2009. Tendo como entidade coordenadora a CGTP-IN, integrou, na<br />parceria de desenvolvimento, a FESAHT, a ARESP, a CITE, o CESIS, a IGT e a OIT. Teve<br />como objectivos desenvolver e testar uma metodologia de avaliação dos postos de trabalho sem<br />enviesamento de género, centrada no valor do trabalho que, no futuro, permita uma verdadeira<br />aplicação do princípio “salário igual ou de igual valor” e seja passível de aplicação a outros<br />sectores de actividade, com as devidas adaptações, assim como conceber módulos de formação<br />da metodologia criada, destinados a formar dirigentes, delegados/as sindicais e profissionais<br />afectos/as aos Recursos Humanos na análise objectiva e sem enviesamentos de género nos<br />postos de trabalho. Esta metodologia foi validada, tendo sido criada uma unidade de formação<br />de curta duração – UFCD – de 25 horas, certificada e integrada pela Agência Nacional para a<br />Qualificação – ANQ no Catálogo Nacional de Qualificações, mais concretamente nos<br />referenciais de Técnico/a de Relações Laborais e Técnico/a de Apoio à Gestão<br />Na fase final deste projecto foram realizados 3 workshops de 7 horas, no Funchal, Lisboa e<br />Coimbra, com 75 participantes para a experimentação da metodologia e referencial de<br />formação. Esta actividade pretendeu sensibilizar as ORT’s para as vantagens de, em sede de<br />negociação colectiva, introduzir a medida do valor do trabalho. Foi também realizada uma<br />acção de 30h. em Turim/ACTRAV (21 participantes nacionais da parceria de desenvolvimento,<br />mais a Agência Nacional para as Qualificações, Centro Nacional para a Qualificação na<br />Formação, Sindicato do sector dos escritórios e serviços e Direcção Geral do Emprego e das<br />Relações de Trabalho). Pretendeu-se gerar um efeito multiplicador junto de actores-chave de<br />cada entidade parceira, com vista à implementação do princípio de “salário igual para trabalho<br />igual ou de igual valor”. Actualmente, este referencial integra a oferta formativa do Centro<br />Internacional de Formação da OIT em Turim.<br />O projecto foi distinguido com o Prémio Manuel Lopes 2008.<br />c) Projecto Diálogo Social, que teve o seu início em 2005 e foi finalizado em Setembro de 2008.<br />d) Foi desenvolvido um Projecto, Co-financiado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de<br />Género, no âmbito do apoio às ONG’s.<br />57<br />O projecto teve início em Novembro de 2009 e terminou em Abril de 2010. No seu âmbito, foi<br />construído um boletim sobre os Direitos de Parentalidade, tendo sido editados 50.000<br />exemplares do mesmo. Foram também realizadas 3 acções de sensibilização, para divulgação do<br />mesmo, abrangendo um total de 54 Dirigentes, Delegados e Activistas Sindicais<br />e) Em Outubro de 2010 teve início um projecto, no âmbito do POPH, que decorrerá até Julho de<br />2012, com o tema “Organizar e Efectivar os Direitos para uma Vida Melhor” – Organização dos<br />Tempos de Trabalho e Conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal e os efeitos na<br />saúde dos/as trabalhadores/as. Este Projecto, envolve 6 sectores de actividade, ao nível nacional,<br />abrangendo 66 empresas, correspondendo a cerca de 50.000 trabalhadores/as na totalidade, onde<br />25.000 são homens e 25.000 são mulheres.<br />No plano institucional<br />A CGTP-IN participou nas reuniões dos organismos nacionais em que está representada – CITE<br />e CIG –, mantendo uma presença mais regular no organismo vocacionado para a igualdade no<br />trabalho e no emprego, a CITE.<br />Em 2010, houve uma alteração da Orgânica da CITE (conferida pelo Decreto Lei 124/201, de<br />17 de Novembro), atribuindo-lhe novas funções, que resultaram em alterações<br />significativamente positivas, permitindo ainda, mais activamente, a participação da CGTP-IN<br />nas tomadas de decisão e emissão de pareceres, em defesa de trabalhadores e trabalhadoras,<br />nomeadamente ao nível dos direitos de parentalidade. Quanto à CIG, o facto de ter alargado a<br />sua intervenção, passando de uma organização, cujo seu âmbito era apenas a Igualdade de<br />Género (CIDM), para uma, cujo o âmbito são todas as Igualdades e formas de discriminação,<br />não gerou uma alteração muito positiva, muito pelo contrário, resultou que a abordagem à<br />Igualdade e Discriminação baseadas no género começasse a ser feita de uma forma muito<br />generalizada e pouco profunda,<br />Ao nível da CES, a CGTP-IN participou nas reuniões do Comité de Mulheres, em Seminários,<br />no Grupo do Diálogo Social para a Igualdade de Género e na Conferência (em Março de 2007)<br />que antecedeu o último Congresso da Confederação Europeia dos Sindicatos, tendo colaborado,<br />designadamente: na elaboração do 1º Relatório conjunto dos parceiros sociais portugueses sobre<br />o Quadro de Acções para a Igualdade (celebrado em Março de 2005 entre a CES e a Associação<br />patronal Europeia); na resposta a um questionário sobre Balanço intercalar do Plano de<br />Igualdade da CES 2003-2007; na resposta a um questionário sobre “Mulheres nas Organizações<br />sindicais Europeias”tendo-se procedido já no decurso deste ano 2011 à actualização de dados<br />relativos a esta matéria; participação em Bruxelas em Fevereiro de 2011 numa Conferência<br />relativa aos impactos nos países da transposição da Directiva relativa à Licença parental já<br />revista e constante da Directiva 2010/18/EU do Conselho; Intervenção na discussão sobre o<br />Trabalho Decente dos Trabalhadores Domésticos; participação na discussão sobre o princípio da<br />Igualdade de Tratamento, assente na conjugação dos artigos 141 e 13 do Tratado, como forma<br />de combate à discriminação relacionada com a orientação sexual e os trabalhadores migrantes.<br />9.4.3. Inter-Reformados<br />A carta reivindicativa da Inter-Reformados, aprovada na sua 6ª Conferência, mantém-se válida e<br />incumprida em aspectos essenciais. Como a actualização de todas as pensões de Reforma,<br />defesa do S. N. Saúde, contra a sua privatização, definição de política de saúde e do<br />medicamento, protecção social na dependência, criação de lares e centro de dia públicos,<br />cobertura do território por serviços de apoio domiciliário, combate ao isolamento dos idosos,<br />entre outros.<br />Em Portugal 1 897 321 de reformados vivem com uma Pensão média de 369,29 € e mais de<br />22% estão em risco de pobreza. O impacto das medidas do programa de austeridade dos<br />Governos do PS/PSD/CDS que atingem os reformados é brutal. Os reformados estão<br />confrontados com aumentos de preços de bens essenciais como alimentação, electricidade, gás<br />natural, transportes medicamentos, corte de 50% do subsídio de Natal nas pensões acima de<br />58<br />485,00 €. Os programas de austeridade conduz ao empobrecimento e para 2012 estão<br />anunciadas mais medidas que põem em risco até a nossa sobrevivência.<br />Em 2011, os Reformados viram ainda mais agravadas as suas condições de vida pelas políticas<br />de direita que impõem a esta camada social, medidas inaceitáveis como o congelamento de<br />todas as pensões de Reforma, inclusive todas as mínimas, assim como o congelamento do<br />complemento social para idosos e o I.A.S. (Indexante de Apoios Sociais) o que não permite<br />nenhuma alteração em todas as prestações e apoios sociais.<br />O Orçamento de Estado de 2012, mantêm o congelamento das pensões e complementos, foi a<br />acção da CGTP-IN e da Inter-Reformados que levou o Governo a anunciar um aumento de<br />3,1% para a Pensão Social agrícolas e 1º escalão do Regime Geral, para além de ser insuficiente<br />face à perda de poder de compra, é inaceitável não aumentar todas as pensões mínimas.<br />Na politica de saúde, foram tomadas medidas pelos Governos que afectam em primeira linha os<br />pensionistas e idosos, dado que são eles que têm mais problemas de saúde e tanto mais com o<br />seu envelhecimento, como o encerramento das urgências dos Centros de Saúde – e no período<br />nocturno – novas regras nos transportes de doentes; diminuição das comparticipações com<br />medicamentos por parte do Estado atingindo até os doentes crónicos e os com menos recursos.<br />O Governo do PSD/CDS, para além do brutal aumento dos transportes, no último semestre de<br />2011, já prepara para em Janeiro um novo aumento, e ameaça acabar com a redução universal<br />de 50% nos passes sociais para os cidadãos com mais de 65 anos.<br />A Inter-Reformados, em 2011, procurou reforçar a sua capacidade de intervenção junto dos<br />reformados e aposentados, promovendo plenários de Reformados, reuniões de Comissões<br />Sectoriais e de Empresas a discussão dos problemas dos Reformados mas também das políticas<br />que afectam todos os trabalhadores e população em geral, levando à luta um maior número de<br />Reformados nos Distritos em que mantemos ou reforçamos a intervenção.<br />A Inter-Reformados pediu audiências parlamentares para apresentação das suas reivindicações.<br />Realizou Tribunas Públicas para discussão dos temas específicos como Pensões, Saúde,<br />Serviços Públicos entre outros.<br />Em 25 de Agosto promoveu uma Acção de protesto junto à Residência Oficial do 1º Ministro<br />contra as medidas gravosas do Governo que “retiravam aos reformados direito a ter Férias”.<br />Aprovada Resolução e entregue ao 1º Ministro.<br />Em 10 de Dezembro, em convergência com o MURPI, promovemos a manifestação Nacional<br />de Reformados “CONTRA O PACTO DE AGRESSÃO E DE RAPINA DA TROIKA” que envolveu mais<br />de 2 mil reformados mobilizados pela IR’s Distritais com grande empenhamento das Uniões<br />Sindicais Distritais. Feitos pedidos de audiência parlamentares para entrega da Moção aprovada<br />e discussão das Reivindicações.<br />A IR tem procurado sensibilizar as estruturas do MSU para a utilidade desta organização dos<br />trabalhadores Reformados que voluntariamente contribuem para o trabalho sindical.<br />A IR continua a reforçar a sua organização no Centro e Norte do País através das Uniões<br />Distritais mas a Sul só em Setúbal a IR tem organização. Em Beja, Évora, Portalegre e Algarve<br />as tentativas para desenvolver trabalho têm sido infrutíferas. É um défice a corrigir se houver<br />compreensão dos responsáveis distritais e sectoriais do MSU.<br />Os reformados têm dado grande contributo para todas as lutas da CGTP-IN com a sua presença<br />mas também na preparação e mobilização das acções de luta.<br />A IR reúne todos os seus órgãos regularmente e com grande participação. Tem mantido<br />participação regular nos órgãos da FERPA – Federação Europeia de Reformados e Pessoas<br />Idosas. Em 2011 houve eleição de 2 representantes da IR no 6º Congresso da FERPA.<br />59<br />9.5. A Gestão Financeira e os Contratos Programa<br />A situação financeira ao nível central pautou-se pela contenção dos custos sem afectar a actividade<br />sindical e em conformidade com o volume de receitas, nomeadamente da quotização. Há a realçar que<br />as quotizações recebidas em 2007 atingiram 2.492.304 euros, quando em se prevê que em 2011 se<br />venham a cifrar em 2.246.356 euros, o que representa um decréscimo nominal médio neste período de<br />cerca de 9,86 %.<br />Por outro lado, enquanto em 2007 as receitas de quotização representavam cerca de 81,9 % das<br />receitas totais, em 2011 (até ao final do 3.º trimestre) representavam cerca de 79 %.<br />No que se refere às despesas, elas têm acompanhado a evolução das receitas, evidenciando no entanto<br />uma significativa melhoria estrutural. De facto, no ano de 2007 as despesas de funcionamento da<br />Central (fornecimentos e serviços externos + remunerações de pessoal e dirigentes) representavam<br />cerca de 85,11% do total da quotização recebida. Em 2011 (até ao final do 3.º trimestre), os mesmos<br />custos representavam cerca de 92,62% das receitas de quotização, o que reflecte um agravamento<br />acentuado.<br />É ainda de salientar que os custos com actividade sindical têm registado um decréscimo crescente ao<br />longo dos últimos anos, com especial destaque para as transferências para as Uniões Distritais que em<br />2007 eram de 650.000 euros e em 2011 de 588.000 euros, o que equivale a um decréscimo nominal<br />médio, nesta tipologia de despesas, de cerca de 2,39 % ao ano.<br />Quanto ao Património da Central, da análise comparada das principais rubricas dos balanços de 2007,<br />a 2010 são de realçar os seguintes aspectos:<br />- O Activo Líquido era de 5.340. 962 euros em 2007, sendo de 5.180.137 no final de 2010;<br />- Os Capitais Próprios diminuíram no mesmo período cerca de 219.285 euros;<br />- O Passivo por seu lado registou também no mesmo período, um aumento de 58.459 euros e<br />representava em 2007 cerca de 19,88 % do Activo Líquido, enquanto no final de 2010 esta<br />relação passou para 21,63%.<br />O Fundo Central de Solidariedade e Reestruturação constituído em Julho de 2000 no âmbito da<br />CGTP-IN e que nos regulamentares, podem recorrer os filiados nos casos de insuficiência económica,<br />para adoptarem processos de reestruturação sindical, administrativa e financeira, desde a sua criação<br />foram recebidos no Fundo (até final de Novembro de 2011) cerca de 955.989 euros provenientes de<br />dotações da CGTP-IN, bem como de solidariedade proveniente das entregas dos representantes da<br />Central em diversos organismos.<br />No âmbito do respectivo regulamento foram assinados vários protocolos que se traduziram em<br />transferências a fundo perdido (até final de Novembro de 2011) no montante de 700.998 euros. Foram<br />ainda transferidos no âmbito dos respectivos protocolos e no mesmo período, 64.392 euros<br />reembolsáveis nos prazos definidos.<br />Foram também efectuadas comparticipações da CGTP-IN na aquisição de instalações sindicais em<br />Bragança, Horta, Santarém e Vila Real de Trás-os-Montes no montante de 136.064 euros.<br />Finalmente note-se que o saldo do Fundo em 30 de Novembro de 2011 é de 190.599 euros.<br />Relativamente aos Contratos-Programa, importa salientar que estão consagrados nos Estatutos desde o<br />8º Congresso da CGTP-IN, continuam a revelar-se uma medida transparente e responsabilizadora dos<br />sindicatos, relativamente à definição e concretização de objectivos de reforço de organização e<br />reestruturação bem como ao dever de quotização.<br />São de realçar os seguintes aspectos: A discussão dos contratos-programa e dos compromissos neles<br />assumidos, aumentou o número de sindicatos a estabelecer metas concretas quanto à sindicalização,<br />eleição de Delegados Sindicais e de representantes para a Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho,<br />bem como medidas de contenção de despesas e de reestruturação sindical, administrativa e financeira<br />e ainda o numero de sindicatos com a situação regularizada perante a CGTP-IN e as estruturas<br />intermédias.<br />60<br />10. A FORMAÇÃO SINDICAL<br />10.1. Apoio à Estrutura<br />A formação sindical desenvolveu a sua actividade num contexto de combate à forte pressão<br />ideológica neoliberal que procura impor a difusão de ideias e valores contrários aos princípios e<br />valores fundamentais da CGTP-IN visando enfraquecer a consciência de classe, individual e<br />colectiva dos trabalhadores. Daí que a formação pedagógica (inicial e contínua) de formadores<br />tenha tido uma importância de destaque, quer tendo em atenção a necessidade de<br />descentralização da equipa de formação quer a nível sectorial, nomeadamente com a acção<br />dirigida à FIEQUIMETAL. É ainda de referir a construção de novos e inovadores materiais<br />pedagógicos para o desenvolvimento do sistema de formação<br />A Comissão Específica de Formação Sindical (CEFS) não foi constituída.<br />As acções de formação sindical desenvolvidas no âmbito do Departamento de FS envolveram<br />cerca de 2184 quadros sindicais, quer estas tenham sido promovidas directamente pelo<br />Departamento em ligação com as estruturas do MSU, ao nível sectorial ou distrital/regional,<br />quer em colaboração com outras entidades ou através de projectos, como a seguir se apresenta<br />de forma mais pormenorizada no quadro infra.<br />Como foi referido, reportamo-nos apenas à actividade em que a Central participou directamente,<br />tendo sido também realizadas dezenas de acções de formação organizadas e ministradas pelas<br />diversas estruturas, nomeadamente por Federações/Sindicatos Nacionais. No quadro é possível<br />ver o papel importante desempenhado, nos anos 2010 e 2011, pela Campanha Nacional de<br />Informação e Actualização de Quadros e Activistas Sindicais em complemento às acções de<br />formação e sensibilização realizadas.<br />A actividade de apoio às estruturas do MSU decorreu com maior incidência na planificação de<br />acções de formação e na disponibilização de formadores para a sua realização, assim como o<br />acompanhamento pedagógico, quer ao nível da identificação de necessidades de formação e sua<br />planificação, quer organizando acções de formação e disponibilizando formadores e materiais<br />pedagógicos.<br />Acções de formação promovidas pelo DFS ou em que participou a pedido das estruturas<br />sindicais, envolveram cerca de 282 quadros sindicais (18 acções), tendo as restantes sido<br />realizadas maioritariamente em parceria com o Inovinter. Este tipo de colaboração desenvolveuse<br />nomeadamente com as seguintes estruturas: US de Aveiro, Braga, Porto, Portalegre, Castelo<br />Branco, Santarém e Faro, Fiequimetal, STML, SNTCT, STEC, Sector da Celulose, Gráfica e<br />Imprensa, Sindicatos da Função Pública, Sector Ferroviário, FEVICCOM.<br />70<br />120<br />99<br />50<br />45<br />16<br />53<br />6<br />120<br />200<br />86<br />20<br />96<br />32<br />4<br />30<br />45<br />51<br />195<br />212<br />7<br />62<br />32 19<br />156<br />226<br />4<br />123<br />5<br />282<br />397<br />255<br />421<br />141<br />438<br />20 208<br />22<br />0%<br />10%<br />20%<br />30%<br />40%<br />50%<br />60%<br />70%<br />80%<br />90%<br />100%<br />2008 2009 2010 2011 Total<br />Nº Participantes por ano e Projecto Formativo<br />Etui-Rehs<br />Euridice<br />CEEs - 2 projectos<br />CNIAQAS (POPH)<br />Igualdade - 2 projectos<br />Sensibilização-IO<br />Professores<br />Inovinter<br />DFS<br />61<br />10.2. Desenvolvimento do Sistema de Formação<br />A formação realizada, embora tenha assumido diversas estruturações temáticas face às<br />necessidades e disponibilidade de tempo de cada sector, desenvolveu-se de forma integrada no<br />âmbito do Sistema de Formação Sindical, através do Departamento da Formação Sindical e dos<br />Institutos ligados à CGTP-IN:<br />- Actividade em cooperação com o INOVINTER<br />Em colaboração com o Inovinter, realizaram-se 27 acções de formação sindical certificada, no<br />âmbito do Referencial do Técnico de Relações Laborais com duração de 25 horas cada,<br />envolvendo cerca de 397 quadros sindicais, distribuídos pelos distritos de Aveiro, Beja, Braga,<br />Castelo Branco, Coimbra, Faro, Guarda, Lisboa, Porto e Viana do Castelo. As áreas temáticas<br />abrangidas foram:<br />- Organização e Intervenção Sindical no Local de Trabalho<br />- Direitos Individuais e Colectivos dos Trabalhadores<br />- Organização do Trabalho e Direcção Sindical.<br />- Animadores de Formação Associativa (Formação de Formadores Sindicais)<br />- Técnicas de Comunicação<br />- Economia e Organização Empresarial.<br />- Técnicas de Negociação<br />- Direito ao Trabalho e Sustentação do Emprego<br />- Toxicodependência em Meio Laboral<br />- Globalização e Direitos dos Trabalhadores<br />- Direito do Trabalho – Evolução histórica e situação actual<br />- História do Movimento Sindical<br />A redução de acções, algumas aprovadas em candidatura, é consequência das dificuldades<br />financeiras com que o Inovinter se tem confrontado, em resultado das medidas tomadas pelo<br />IEFP e ainda da imposição de normas que inviabilizam a participação dos quadros sindicais, em<br />especial nos distritos do interior.<br />- Actividade em articulação com o IBJC<br />Continuaram a realizar-se acções de formação em SST para Representantes dos Trabalhadores e<br />Seminários para dirigentes sindicais.<br />Foram ainda concretizadas acções noutras áreas temáticas, cujo público-alvo preferencial eram<br />quadros sindicais e foi definido que a formação sindical será desenvolvida também em<br />articulação com o Instituto Bento Jesus Caraça (IBJC).<br />Campanha Nacional de Informação e Actualização de Quadros e Activistas Sindicais<br />Grande parte da actividade desenvolvida foi dirigida especialmente para a área dos Direitos,<br />através de 18 oficinas, com a duração de 2 dias, de actualização dos quadros sindicais em<br />colaboração com o GES e a OS, inseridas no Plano Nacional “Direitos para Todos”, da<br />Campanha Nacional de Informação e Actualização dos Quadros e Activistas Sindicais (POPH) e<br />ainda a realização de uma Conferência /Debate sobre temas laborais actuais em que<br />participaram 129 dirigentes sindicais e juristas. Nas oficinas foi dada especial atenção ao<br />Estatuto dos Quadros Sindicais, Contratação e Negociação Colectiva, Contrato de Trabalho,<br />Precariedade, Tempo de Trabalho e Igualdade.<br />Este projecto integrou também a Campanha de Sensibilização e Informação “Aprender é um<br />Direito”, onde se efectuaram 12 oficinas de 2 dias sobre “Trabalho de Direcção e Planificação<br />Individual e Colectiva”, “Local de Trabalho, Local Privilegiado da Acção Sindical” e “Ensinar e<br />aprender os saberes sindicais”. Foi elaborado o Guia “Acção Sindical e Sindicalização”, tendo<br />sido testado em oficina realizada para o efeito. Efectuou-se ainda o curso “Curso de formação<br />62<br />para Correspondentes sindicais”, dirigido a activistas dos diversos distritos, que contou com 15<br />participantes. No âmbito desta campanha participaram 438 quadros e activistas sindicais.<br />10.3. Formação Pedagógica de Formadores<br />O acompanhamento e reforço da rede de formadores sindicais constitui uma das prioridades<br />nesta área, nesse sentido realizaram-se oficinas com actividades pedagógicas, em Lisboa e no<br />Porto, com o objectivo de actualizar os/as formadores/as ao nível das metodologias e conteúdos<br />e motivar novos quadros para esta frente de trabalho. Realizou-se também uma acção de<br />formação pedagógica de formadores específica para dirigentes sindicais da Fiequimetal, na linha<br />de consolidação da estratégia de formação sindical desenvolvida no sector.<br />10.4. Instrumentos Pedagógicos Inovadores<br />A participação em diversos projectos tem permitido o desenvolvimento de estudos e criação de<br />materiais técnico-pedagógicos que têm contribuído para o enriquecimento dos meios ao nosso<br />dispor. Têm constituído ainda, em alguns casos, desafios à abordagem de novos temas e/ou à<br />criação de instrumentos de análise e intervenção inovadores, dos quais o principal exemplo é o<br />projecto “Revalorizar o Trabalho para promover a Igualdade” com o referencial de formação,<br />considerado como instrumento inovador pela avaliação dos parceiros e pelo CIF da OIT, assim<br />como a formação de professores, no âmbito da Igualdade de Oportunidades contribuindo para<br />um salto qualitativo na formação sindical e na intervenção na sociedade.<br />Projecto EURIDICE – Prevenção das Toxicodependências em Meio Laboral<br />Continuámos a dinamizar e desenvolver este Projecto, em parceria com o Instituto da Droga e<br />Toxicodependência, em várias empresas/organizações.<br />Para além das parcerias integradas no projecto, já existentes (Câmara Municipal e Serviços<br />Municipalizados de Loures e Câmara Municipal do Seixal), foram integradas no mesmo, a<br />empresa LOGICA (2009), a empresa SAICA PACK (2010), as Autarquias de Águeda (2010) e<br />Vendas Novas (2011) e a Empresa Águas Públicas do Alentejo, SA (2011).<br />No âmbito do projecto foram elaborados diversos materiais de sensibilização sobre a<br />problemática (Toalhetes de tabuleiro, folhetos de divulgação do projecto, folhetos de divulgação<br />de resultados dos questionários, postais e guias orientadores para chefias), tendo sido<br />disseminados por todos/as os/as trabalhadores/as das diversas empresas/organizações. Foram<br />aplicados, em 5 organizações onde estamos a intervir, questionários aos/às trabalhadores/as para<br />identificar as suas representações sociais face à dependência de substâncias, tendo-se obtido um<br />total de 2320 respostas.<br />Realizaram-se 8 acções de sensibilização em Educação Parental, envolvendo 91<br />trabalhadores/as; 2 acções de formação sobre “Promoção da Saúde”, envolvendo 24<br />formandos/as (técnicos/as e comissões sindicais); 2 sessões para Dirigentes sobre Guias<br />orientadores, envolvendo 20 formandos/as; 3 acções de sensibilização sobre a dependência do<br />álcool, abrangendo 15 trabalhadores/as e 7 acções de sensibilização sobre dependências em<br />meio laboral, abrangendo 93 encarregados/as, chefias intermédias, assistentes operacionais e<br />assistentes técnicos.<br />Curso de Especialização Tecnológica em Relações Laborais – na sequência de um protocolo<br />assinado entre a OIT, o ISCTE, o IEFP, a CGTP-IN e a UGT, através do qual se criou este<br />curso, onde participaram 15 quadros sindicais, com reconhecimento de competências adquiridas<br />pelo exercício da actividade sindical, dirigentes e colaboradores sindicais, mediante bolsas de<br />formação suportadas pelo IEFP, tendo sido realizadas 3 edições.<br />Projecto Agir para a Igualdade (Programa EQUAL) – projecto que decorreu de 2001 a 2009 e se<br />dividiu em 3 fases ou Acções. Na fase final da Acção 3 entre outras actividades foram<br />realizadas acções de Sensibilização, de 12 horas, em Igualdade entre Mulheres e Homens,<br />63<br />abrangendo 70 Dirigentes, Delegados/as e Activistas Sindicais de diversos sectores de<br />actividade. O objectivo é integrar a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens, na<br />negociação colectiva e permitir a aquisição de novas competências em análise de quadros de<br />pessoal e balanços sociais.<br />Ainda, no âmbito deste projecto, foram realizadas acções de formação de professores/as, em<br />igualdade entre Mulheres e Homens, com a duração de 30 horas, creditadas pelo Conselho<br />Científico Pedagógico da Formação Contínua, do Ministério da Educação, abrangendo cerca de<br />180 Professores/as. Esta experiência permitiu abrir uma nova área de formação na CGTP-IN e<br />com isso dar resposta a uma necessidade identificada no sector da educação:<br />Formação de Professores em Igualdade entre Mulheres e Homens<br />Assim, após o projecto, continuámos a realizar em parceria com a FENPROF acções de<br />formação para professores/as, nesta área temática, tendo sido efectuadas acções onde<br />participaram 67 professores/as, na área do SPRC e do SPGL. Em 2011 conseguimos que fosse<br />creditada pelo Conselho Científico Pedagógico da Formação Contínua, do Ministério da<br />Educação, mais uma acção com a duração de 58 horas, “Formação de Públicos estratégicos para<br />obtenção da especialização em Igualdade de Género”, integrada na oferta formativa do IBJC.<br />Projecto Revalorizar o Trabalho para Promover a Igualdade” (EQUAL), projecto de que a<br />CGTP-IN foi a entidade interlocutora e parceria com ACT; ARESP; CESIS; CITE; FESAHT;<br />OIT. No seu desenvolvimento foi concebido e testado o referencial de formação “Igualdade<br />Salarial entre Homens e Mulheres”, Esta actividade pretendeu sensibilizar as ORT’s para as<br />vantagens de em sede de negociação colectiva, introduzir a medida do valor do trabalho.<br />Foi, ainda, realizada uma acção de 30h em Turim/ACTRAV (21 participantes nacionais da<br />parceria de desenvolvimento, mais a Agência Nacional para as Qualificações, Centro Nacional<br />para a Qualificação na Formação, Sindicato do sector dos escritórios e serviços e Direcção<br />Geral do Emprego e das Relações de Trabalho). Pretendia-se gerar um efeito multiplicador junto<br />de actores-chave de cada entidade parceira, com vista à implementação do princípio de “salário<br />igual para trabalho igual ou de igual valor”. Este referencial integra já a oferta formativa do<br />Centro Internacional de Formação da OIT em Turim e após contactos com a Agência Nacional<br />para a Qualificação, em Portugal, integra o referencial do Catálogo Nacional de Qualificações.<br />O projecto foi distinguido com o Prémio Manuel Lopes 2008.<br />Projecto Diálogo Social e Igualdade nas Empresas (EQUAL), projecto de que a CITE é entidade<br />interlocutora, a CGTP-IN é a entidade parceira mais a APEE; CCP; CESIS; IAPMEI; ISCTE;<br />RTP; UGT, concluiu-se a acção II, tendo sido concebido, entre outros recursos técnicopedagógicos,<br />um Referencial de Formação em Igualdade de Género para consultores/as e<br />auditores/as, por forma a que, no exercício da sua actividade junto das empresas, sejam<br />facilitadores/as de uma cultura empresarial que incorpore a igualdade de género nas suas<br />políticas, procedimentos e práticas. Também se desenvolveu a acção III para disseminação dos<br />produtos do projecto, tendo-se alargado a Parceria de Desenvolvimento à ADC; ANE; e CIG e<br />organizado um workshop de disseminação.<br />Organizar e Efectivar os Direitos para uma Vida Melhor – Organização dos Tempos de<br />Trabalho e Conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal e os efeitos na saúde dos/as<br />trabalhadores/as, é um projecto candidatado ao POPH, que decorrerá até Julho de 2012.<br />No âmbito deste projecto, foram editados materiais de divulgação e sensibilização (apresentação<br />do projecto e boletins de igualdade) e realizadas 7 oficinas sobre Igualdade e Parentalidade,<br />abrangendo um total de 156 Dirigentes, Delegados e Activistas Sindicais. Será também editado<br />um Guia Orientador sobre a organização do tempo de trabalho.<br />Foram também realizadas 3 acções de sensibilização, para divulgação do boletim sobre os<br />Direitos de Parentalidade, abrangendo um total de 54 Dirigentes, Delegados e Activistas<br />Sindicais. Estas acções decorreram no âmbito de um Projecto, Co-financiado pela Comissão<br />para a Cidadania e Igualdade de Género, no âmbito do apoio às ONG’s.<br />64<br />Projecto MATCH – Análise de Necessidades de Formação de Formadores/as Sindicais<br />Este Projecto tem como Parceria a LO (Suécia) – entidade coordenadora, CITUB (Bulgária),<br />LBAS (Letónia), ABF (Suécia), RUNO (Suécia), a CGTP-IN e uma técnica da Universidade de<br />Lancaster, como avaliadora externa.<br />Foi construído um Questionário, comum aos 4 países, a ser aplicado às estruturas sindicais, de<br />cada um deles, sobre a análise de necessidades de formação. No que respeita à CGTP-IN, este<br />questionário foi aplicado às Federações, resultando um perfil de competências, que poderá<br />servir de base para a actualização e ajustamento da formação de formadores.<br />Projecto INCONPARable – Informação, Consulta e Participação nos Conselhos de Empresa<br />Europeus<br />O Projecto teve como parceria a Escola Confederal das CCC.OO. (Espanha - entidade<br />coordenadora), KNSB (Bulgária), CGIL Lombardia (Itália) e DGB (Alemanha).<br />Elaborámos um estudo nacional sobre os CEE integrado no produto final do projecto, assim<br />como outros contributos (entrevistas, etc.). Participámos num curso transnacional com 4<br />quadros sindicais, realizámos em Lisboa um curso nacional com 16 representantes sindicais<br />ligados a esta frente de trabalho e um Seminário de Disseminação. No âmbito do projecto foi<br />produzido um CD-ROM e um Manual de apoio à formação sindical dos representantes dos<br />trabalhadores nos CEEs.<br />Projecto CO.MIN.TRA – projecto sobre formação em Técnicas de Comunicação e Gestão da<br />Informação para os Representantes dos CEEs, coordenado pelas CC.OO. (Espanha), em<br />parceria com as confederações CITUB (Bulgária) e OPZZ (Polónia). Tendo como produto um<br />guia prático de “Comunicação” para organizações sindicais e CEEs.<br />Projecto EPMEC – Educação Popular como Método para uma Europa Cidadã.<br />O Departamento de Formação Sindical colaborou com o Departamento de Desenvolvimento<br />Sustentável neste projecto, mais concretamente, na elaboração de um módulo de formação sobre<br />desenvolvimento durável. Este módulo é parte integrante do kit formativo (kit do cidadão<br />europeu), produto final do projecto.<br />Neste módulo são abordados temas, como:<br />- Desenvolvimento Durável: definição, origens e evolução<br />- Instrumentos de medida aplicadas ao desenvolvimento durável<br />- Greenwashing e crimes ecológicos<br />- Papel dos Trabalhadores e dos Sindicatos no Desenvolvimento Durável<br />- Os desafios do Desenvolvimento Durável<br />10.5. Cooperação Internacional<br />ETUI – A CGTP participou em diversas acções de formação do Instituto, tendo 22 camaradas<br />integrado quer na qualidade de formandos quer de formadores, Estágios de Formação de<br />Euroformadores, “Gestão de Projecto para Sindicalistas, “Imigração”, “Formação para futuros<br />Dirigentes Sindicais Europeus”, “Estratégias de Recrutamento”, “Curso para Jovens<br />sindicalistas europeus – uma nova abordagem”, acção no âmbito do Projecto Grundvig –<br />Cidadania Participativa, entre outros.<br />Continuou a nossa participação no Conselho Consultivo e na rede de euro-formadores, nas<br />equipas de desenvolvimento de novos programas formativos, na equipa de formadores conjunta<br />com ACTRAV/OIT, no grupo de trabalho para a qualificação, certificação e validação da<br />formação sindical e no grupo de euroformadores para a inovação pedagógica.<br />65<br />Organizámos a Conferência de Educação Europeia em Lisboa.<br />ACTRAV/OIT/CIF – Acolhimento de 2 grupos em formação (2009/2011) de 27 sindicalistas da<br />CPLP Sindical (12+15), num programa de uma semana, integrando estágios sobre “Organização<br />e Acção Sindical” e “Formação Sindical sobre as Normas Internacionais de Trabalho da OIT”,<br />cujas primeiras 3 semanas decorreram em Turim, no Centro de Formação da OIT.<br />Este programa contou com 2 formadores da CGTP-IN e a colaboração do Inovinter.<br />11. A INFORMAÇÃO E PROPAGANDA SINDICAIS<br />A comunicação sindical incrementou e continua a desenvolver um importante papel ao serviço<br />da acção sindical no que concerne ao combate que tem de travar contra a gigantesca ofensiva<br />com que se defronta permanentemente no plano ideológico e que visa atingir os mesmos de<br />sempre, as/os trabalhadores.<br />Reforçar a unidade, a solidariedade, construir sentido crítico e desenvolver consciência de<br />classe, foi e é um dos principais objectivos da organização sindical.<br />O apoio ao esclarecimento de dirigentes, delegados e activistas sindicais, para os desafios que se<br />colocam aos trabalhadores e à opinião pública, desenvolveu-se sobretudo através<br />• da edição e distribuição do “CGTPAcção” e de acordo com as seguintes características:<br />- Produção temática de documentos relativos ao 11.º Congresso;<br />- Edição de um conjunto de DVD’s com as principais intervenções e outra<br />documentação relativa ao 11.º Congresso<br />- A Carta Reivindicativa;<br />- Código do Trabalho, distribuídos por 4 edições e para uma tiragem de 436.000<br />exemplares;<br />- Cadernos de Organização e Quadros e CGTP Cultura<br />- CGTP Cultura e Reformados Uma Força que Conta<br />- CGTPAcção, Organização e Quadros Organizar e Sindicalizar – Mais, Reformados<br />Uma Força que Conta<br />- Documentos a apresentar ao 12.º Congresso<br />• Tempos de Antena: produziram-se 23 tempos de antena para televisão e 24 para rádio<br />de 2008 a 2011;<br />• Concepção, execução, reprodução e distribuição de materiais de propaganda,<br />nomeadamente folhetos, cartazes, cartazetes, tarjas, tempos de antena, cassetes de rua e<br />muppies;<br />• Colaboração pontual com Uniões ou outras organizações do movimento sindical, bem<br />como movimentos cívicos;<br />• Concepção e realização do filme e de toda a animação, multidisciplinar e interactiva,<br />que abriu o 12.º Congresso da CGTP-IN;<br />• A emissão de uma News Letter com periodicidade regular e para mais de 15.000<br />endereços;<br />• Greves Gerais – a preparação e o acompanhamento das greves gerais de 2010 e 2011<br />mobilizaram uma atenção particular do departamento nos domínios da propaganda;<br />• A preparação das comemorações do 40.º aniversário da Central, associada a outros<br />departamentos, registou uma atenção particular nos modos de promoção e de<br />divulgação da mensagem sindical;<br />• Criação das bases técnicas para a transição da página web para um novo formato;<br />• A presença da CGTP-IN na Internet reflectiu a actividade da Central, particularmente,<br />dando visibilidade na Web às iniciativas mais destacadas nos planos laboral, social e<br />político. Ao mesmo tempo evoluiu no aspecto tecnológico e procurou acompanhar o<br />aumento das potencialidades do uso da Internet.<br />66<br />• A título indicativo registaram-se mais de 255.00 visitas ao site no decurso do ano de<br />2011;<br />• A Central participou com iniciativas específicas na Web (sites) para dinamizar as suas<br />posições designadamente na promoção das greves gerais de 2010 e 2011 com site<br />próprio, assim como para o XII Congresso da CGTP-IN.<br />De assinalar, de modo crítico, nesta área de trabalho, apesar do aumento significativo de<br />produção de materiais audiovisuais, a ainda exígua produção multimédia que se impõe nos<br />tempos de hoje, a necessidade de encurtar prazos de produção gráfica, não obstante a falta de<br />controlo dos serviços sobre a rede de distribuição e sobre a impressão gerada a partir da<br />estrutura distrital e local, assim como, as tarefas concebidas a montante da execução.<br />12. A COMUNICAÇÃO SOCIAL E AS RELAÇÕES PÚBLICAS<br />O Departamento de Comunicação Social em articulação com os demais Departamentos<br />procedeu à redacção e emissão de comunicados e notas, num total respectivo de 283 e 449,<br />exprimindo as posições da CGTP-IN acerca de diferentes matérias como:<br />• Igualdade entre Mulheres e Homens, Sinistralidade Laboral, Exclusão Social,<br />Produtividade, Privatizações, Salários, Emprego, Precariedade, Questões da Guerra e da<br />Paz, Custo de Vida, Organização do Tempo de Trabalho, Fiscalidade, Segurança Social,<br />Políticas de Saúde e do Medicamento, Maternidade/Paternidade, Contratação Colectiva,<br />Desemprego, Políticas para a Educação, Legislação Laboral, Justiça, Políticas Salariais,<br />Migrações, Cooperação, Solidariedade Internacional, de entre outras.<br />Informou e apresentou propostas acerca das grandes questões sindicais aos responsáveis dos<br />órgãos de comunicação social, em tempo adequado e oportuno.<br />Promoveu reuniões com directores de vários órgãos de comunicação social realçando as<br />propostas da Central que visavam o desenvolvimento económico e social das/dos trabalhadores<br />e do país.<br />Concluiu um Estudo sobre Comunicação Sindical, em 2011.<br />Interveio com particular relevo na promoção das Greves Gerais de 2010 e 2011,<br />designadamente na sua promoção junto dos órgãos de comunicação social, na recepção a<br />jornalistas nacionais e estrangeiros no próprio dia da GG, no tratamento jornalístico posterior,<br />etc.<br />As comemorações do 40.º aniversário da Central corresponderam, igualmente, a um foco de<br />destaque junto da comunicação social.<br />Realizou encontros com jornalistas especializados nas temáticas sindicais, sociais e económicas,<br />em especial os motivados pela realização do 11º Congresso e da Conferência Internacional que<br />o precedeu.<br />Assegurou e defendeu as posições assumidas pela CGTP-IN na representação que faz no<br />Conselho de Opinião da RTP, SA.<br />Forneceu aos jornalistas estudos e pareceres de especialistas da CGTP-IN sobre questões de<br />relevância social e económica.<br />Ao longo dos anos deste mandato, registou-se um número crescente de pedidos de<br />esclarecimento e informação por parte de trabalhadores, sem contar com os estudantes ou<br />investigadores que solicitaram documentação e outro tipo de apoio para estudos e ensaios que<br />estão a elaborar. Mais foram também os trabalhadores não sindicalizados encaminhados por este<br />departamento para os sindicatos competentes. As Relações Públicas têm vindo,<br />progressivamente, a fazer a triagem das chamadas e pedidos de audiência endereçados a<br />dirigentes da confederação.<br />67<br />Neste domínio, pode considerar-se operativa e adequada a resposta dos serviços, embora<br />insuficiente ainda o acompanhamento que se julga devido a cada “dossier” aberto.<br />13. OS ÓRGÃOS ESTATUTÁRIOS E O CUMPRIMENTO DO MANDATO<br />13.1. Plenário de Sindicatos<br />O Plenário de Sindicatos reuniu regularmente, quer em sessões ordinárias para aprovação dos<br />orçamentos e planos gerais de actividade, quer em sessões extraordinárias, nestes casos sempre<br />por iniciativa do Conselho Nacional, perfazendo um total de 08 sessões.<br />Nas reuniões realizadas, registou-se, em média, a presença de 62 associações sindicais,<br />contando-se, entre estes, os sindicatos não filiados que, nos termos estatutários, apenas não<br />participam nas deliberações sobre as contas e relatórios, bem como os orçamentos e planos<br />gerais de actividade e, ainda, as federações, uniões e as organizações específicas (Interjovem,<br />Inter-Reformados e Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens).<br />As reuniões do Plenário de Sindicatos tiveram, em média, a presença de 356 delegados.<br />O Plenário de Sindicatos aprovou o seu Regulamento de Funcionamento, na sessão de 02.04.08<br />e elegeu o Conselho Fiscalizador, na sessão de 14.01.09.<br />No âmbito do cumprimento das suas obrigações estatutárias, o Plenário de Sindicatos analisou<br />com regularidade a situação político-sindical e aprovou um importante conjunto de resoluções e<br />moções com vista a definir, em cada momento, os objectivos reivindicativos da Central e as<br />acções de luta a desenvolver.<br />O Plenário de Sindicatos continuou a desempenhar um importante papel para o conhecimento<br />da realidade sócio-laboral do país, constituiu-se como um espaço privilegiado de debate sindical<br />e um elemento aglutinador da análise e das respostas a dar aos problemas específicos dos<br />diferentes ramos e sectores económicos, contribuindo, dessa forma, para o reforço da<br />capacidade de acção e coesão de todo o movimento sindical.<br />Pese embora alguns aspectos menos positivos que se registaram no funcionamento das reuniões,<br />designadamente em termos da participação plena e activa dos delegados, o Plenário de<br />Sindicatos cumpriu com eficácia o seu papel de órgão máximo entre congressos.<br />13.2. Conselho Fiscalizador<br />O Conselho Fiscalizador, eleito pelo Plenário de Sindicatos, na reunião de 14.01.09, ficou<br />constituído pelas seguintes associações sindicais: Sindicato dos Trabalhadores da Administração<br />Local; Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores; Sindicato dos<br />Professores da Grande Lisboa; Sindicato dos Enfermeiros Portugueses; Sindicato Nacional dos<br />Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações; Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias<br />Metalúrgicas e Metalomecânicas dos Distritos de Aveiro, Viseu, Guarda e Coimbra e o<br />Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte.<br />O Conselho Fiscalizador exerceu com regularidade e eficácia as suas competências estatutárias,<br />mas reconhece-se a possibilidade e interesse em dinamizar mais a sua intervenção, com<br />vantagem para as funções dos órgãos de direcção da Central.<br />13.3. Conselho Nacional<br />O Conselho Nacional, eleito pelo 11º Congresso, tomou posse em 21.02.08 e na sua primeira<br />reunião, realizada nesse mesmo dia, aprovou por maioria o seu Regulamento de Funcionamento<br />e elegeu a sua Comissão Executiva e o seu Secretariado e o Secretário-Geral.<br />68<br />No decorrer do mandato, o Conselho Nacional aprovou a constituição das seguintes comissões<br />específicas permanentes, definindo a sua composição e atribuições: Administração Pública;<br />Contratação Colectiva; Formação Profissional e qualificação em 08.06.10.<br />Ao longo do exercício, o Conselho Nacional reuniu regularmente, perfazendo um total de 30<br />reuniões, registando-se uma participação média de 92 conselheiros.<br />Perdeu o mandato, por motivo de falecimento, o conselheiro António José dos Santos Cardoso<br />Macedo e por terem pedido a demissão ou terem deixado de participar Armando Ferreira Dias e<br />Valdemar Rodrigues Henriques.<br />O Conselho Nacional desempenhou com empenho as suas competências estatutárias,<br />assegurando uma eficaz acção de direcção da actividade sindical. Procedeu com regularidade à<br />análise da situação político-sindical, definindo as acções a desenvolver, deliberou sobre as<br />posições a assumir pela CGTP-IN, face às principais questões sindicais, aprovou as propostas a<br />apresentar ao Plenário de Sindicatos e deu andamento às decisões por este tomadas. Organizou<br />as comemorações do 1º de Maio, definiu a programação dos aniversários da CGTP-IN e<br />convocou a Greve Geral de 24 de Novembro de 2010 e a Greve Geral de 24 de Novembro de<br />2011 bem como as diversas manifestações e outras acções de massas que ocorreram durante o<br />mandato. O Conselho Nacional promoveu, também, um importante conjunto de iniciativas para<br />debate de questões temáticas com interesse para a acção sindical, algumas das quais contaram<br />com a participação de especialistas de reconhecida competência nas matérias tratadas. O<br />Conselho Nacional aprovou e impulsionou um grande conjunto de iniciativas que decorreram<br />no plano nacional, a nível regional e sectorial, evocativos da comemoração do 40º aniversário<br />da CGTP-IN.<br />Regista-se, assim, um balanço positivo, em termos gerais, do exercício do mandato. Não pode<br />deixar de se apontar alguns défices no funcionamento das reuniões, designadamente algumas<br />ausências, participações menos empenhadas e preparação menos cuidada dos assuntos a tratar<br />em cada reunião, daí decorrendo, pontualmente, insuficiências de análise para as quais, sem<br />dúvida, também concorreram as limitações dos tempos de debate.<br />13.4. Secretariado do Conselho Nacional<br />O Secretariado do Conselho Nacional, eleito em 21.02.2008, ficou constituído pelo Secretário-<br />Geral Manuel Carvalho da Silva, pelos membros da Comissão Executiva Deolinda Carvalho<br />Machado, Fernando José Machado Gomes, João António Torrinhas Paulo, Joaquim Filipe<br />Coelhas Dionísio e Maria Graciete Martins da Cruz.<br />O Secretariado aprovou as normas do seu funcionamento em 01.04.08. Nessa mesma reunião,<br />além de definir os objectivos de trabalho, fixou a atribuição de responsabilidades e as tarefas<br />específicas de cada um dos seus membros.<br />O Secretariado respondeu às diversas tarefas que lhe estão atribuídas e revelou-se um<br />importante instrumento de execução da gestão corrente da CGTP-IN e da situação financeira da<br />Central.<br />Com regularidade o Secretariado deu andamento às diversas solicitações provenientes de<br />organismos públicos e privados, no sentido de assegurar a representação e participação da<br />CGTP-IN em diversos eventos de natureza diversa.<br />O Secretariado reuniu, em regra, semanalmente e extraordinariamente sempre que as<br />circunstâncias o exigiram, cumprindo cabalmente as funções cometidas pelo Conselho<br />Nacional.<br />13.5. Comissão Executiva do Conselho Nacional<br />A Comissão Executiva do Conselho Nacional, eleita em 21.02.2008, ficou constituída pelos<br />seguintes dirigentes: Adão Ribeiro Mendes; Amável José Alves; Ana Joaquina Gomes Avoila;<br />69<br />Arménio Horácio Alves Carlos; Armindo Amaro de Carvalho; Carlos Manuel Alves Trindade;<br />Deolinda Carvalho Machado; Fernando José Machado Gomes; Francisco José Santos Braz;<br />João António Torrinhas Paulo; João da Silva; João Fernando Fernandes Lourenço; João<br />Fernando Freitas Torres; Joaquim Almeida da Silva; José Carlos Correia Martins; Libério<br />Violante Domingues; Manuel António Teixeira de Freitas; Manuel Carvalho da Silva; Manuel<br />Francisco Guerreiro; Maria da Conceição R. dos Santos de Sousa; Maria de Fátima Marques<br />Messias; Maria do Carmo de C. Tavares Ramos; Maria Graciete Martins da Cruz; Maria Luísa<br />Marques Pinto Batista; Mário Oliveira Nogueira; Rui Manuel Neto Paixão; Ulisses Maria de<br />Matos S. Garrido.<br />A Comissão Executiva propôs, por unanimidade, ao Conselho Nacional, a eleição de Manuel<br />Carvalho da Silva para o cargo de Secretário-Geral.<br />Nas suas reuniões de 03.03.2008 e 17.03.2008, a Comissão Executiva aprovou, em definitivo, o<br />seu Regulamento de Funcionamento, definindo as funções de cada um dos seus membros, as<br />áreas e departamentos de acção sindical e a estrutura de acompanhamento da actividade ao nível<br />das regiões e sectores.<br />Ao longo do seu mandato, a Comissão Executiva reuniu com regularidade quinzenal, em<br />sessões ordinárias, e extraordinariamente, por 8 vezes, perfazendo um total de 104 reuniões (até<br />16 Jan.).<br />A Comissão Executiva garantiu o cumprimento e execução das tarefas que lhe estavam ou<br />foram cometidas, em cada momento, pelo Conselho Nacional e pelo Plenário de Sindicatos,<br />assegurou a direcção político-sindical permanente da Confederação, a direcção das áreas e<br />frentes de trabalho constituídas e a coordenação da acção sindical nas diversas regiões e<br />sectores.<br />No quadro das suas funções, assegurou a representação da CGTP-IN nos múltiplos contactos<br />institucionais e outros decorrentes da actividade sindical. Do mesmo modo, garantiu a<br />intervenção da Central no Conselho Económico e Social e na Comissão Permanente de<br />Concertação Social, actividade que exigiu uma participação constante, qualificada e<br />determinada na defesa das posições sindicais, face aos significados das questões em debate e<br />aos contextos políticos vividos. Assegurou, igualmente, a intervenção da CGTP-IN nos diversos<br />órgãos e organismos de participação sindical, quer nacionais, quer comunitários, directamente<br />ou por via dos representantes para eles designados, acompanhando a sua actividade.<br />Por intermédio dos seus membros e, por vezes também, de membros do Conselho Nacional,<br />participou em inúmeras iniciativas (conferências, seminários, colóquios, debates), promovidas,<br />quer por entidades oficiais, quer privadas, para que a Confederação foi convidada, bem como<br />uma ampla intervenção e presença na actividade e realizações sindicais no plano internacional,<br />dando concretização à postura de solidariedade internacionalista que a Central assume.<br />A actividade da Comissão Executiva processou-se com normalidade e eficácia no tratamento e<br />resolução dos problemas inerentes às suas funções, malgrado insuficiências reconhecidas,<br />designadamente no défice de análise de algumas questões temáticas, na articulação do debate ao<br />nível das áreas de acção sindical e no próprio seio destas, no acompanhamento e controle de<br />execução das decisões tomadas, no acompanhamento dos sectores e regiões não representados<br />na CECO, bem como no acompanhamento algo deficiente das actividades dos representantes<br />sindicais, nos órgãos e organismos de participação sindical.<br />O exercício da direcção político-sindical e de coordenação da actividade da estrutura sindical,<br />atribuído estatutariamente à Comissão Executiva, revelou-se eficaz e satisfatório, em termos<br />gerais.<br />13.5.1. Secretário-Geral<br />O Secretário-Geral, eleito pelo Conselho Nacional em 21.02.2008, exerceu as competências<br />regulamentares que lhe foram atribuídas, assegurando a coordenação e articulação da actividade<br />70<br />dos órgãos da Central, promovendo a representação da CGTP-IN, no plano nacional, a nível<br />europeu e internacional garantindo a execução das orientações e decisões tomadas e o<br />andamento dos assuntos carecidos de resolução imediata.<br />No quadro das suas funções e em representação da Direcção da Central, integrou inúmeras<br />acções de protesto e luta dos trabalhadores, ao nível de empresas, sectores de actividade e a<br />nível nacional, promovidas pelas respectivas organizações sindicais.<br />A Comissão Executiva, no seu balanço de mandato, considera ser importante reforçar o trabalho<br />de coordenação desenvolvido pelo Secretário-Geral junto das áreas e na exigência de articulação<br />do trabalho entre elas, podendo esta acção constituir-se como um elemento importante para<br />colmatar os défices atrás enunciados e para assegurar que a Central tenha uma direcção efectiva<br />que a dirige como um todo integrado.<br />A sua participação em múltiplas e variadas iniciativas promovidas por entidades oficiais,<br />organizações cívicas, sociais e profissionais, movimentos sociais e políticos diversos,<br />universidades e associações de estudantes, bem como os convites da comunicação social para<br />intervir em debates ou produzir artigos de opinião comprovam o prestígio da CGTP-IN e o<br />reconhecimento da importância da sua actividade na sociedade.<br />13.6. Apreciação geral<br />Em termos globais, os órgãos da Central cumpriram com empenho e eficácia as funções que<br />lhes foram atribuídas. Para tal, muito contribuiu o apoio inestimável de todos aqueles que<br />participaram nas actividades da CGTP-IN.<br />Às personalidades e organizações não sindicais que se disponibilizaram a partilhar com a<br />CGTP-IN as suas estimulantes reflexões, é devido um agradecimento muito especial, pelo<br />valioso contributo daí decorrente para a actividade sindical.<br />Aos representantes sindicais nos órgãos e organismos de participação sindical, nacionais e<br />comunitários, aos técnicos do Gabinete de Estudos e aos que, habitualmente, colaboram com a<br />CGTP-IN, bem como aos funcionários da Central, os órgãos de direcção da CGTP-IN<br />agradecem, muito reconhecidos, o empenho e a disponibilidade da sua participação, e a elevada<br />qualidade dos seus contributos, para o desenvolvimento da acção sindical.<br />A acção desenvolvida pela CGTP-IN comprovou a validade e perenidade do sindicalismo,<br />reforçou a sua implantação no seio dos trabalhadores e consolidou o seu prestígio na sociedade.<br />No termo do seu mandato, a Direcção da CGTP-IN está convicta de que a acção global de toda<br />a sua estrutura foi um factor determinante na defesa dos direitos dos trabalhadores portugueses,<br />na promoção dos seus interesses sócio-profissionais e um contributo muito valioso e<br />progressista para o processo de desenvolvimento da sociedade portuguesa.<br />16 de Janeiro de 2012</p>]]></description>
			<author>julio.cardoso@cgtp.pt (Super User)</author>
			<pubDate>Fri, 14 Feb 2014 11:42:04 +0000</pubDate>
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