Recebida a contraproposta da Administração no dia 18 de fevereiro, a primeira reunião de negociação coletiva discutida, na passada quarta-feira, trouxe uma proposta que traduz uma redução salarial e um ataque a direitos conquistados.
Informamos, de forma clara e objetiva, o essencial do que foi apresentado pela Administração da RTP :
- Aumento salarial:5€ por mês;
- Fim da comparticipação da Empresa para o Seguro de Complemento de Reforma (cerca de 3% do vencimento);
- Eliminação do subsídio de deslocação;
- Aumento para 3€/mês na comparticipação do trabalhador para o plano Médis, sem melhoria de serviços;
- Pagamento de 66€/ano por cada membro do agregado familiar para aceder ao plano Médis, nas mesmas condições do trabalhador.
O que isto significa:
A soma das medidas propostas transforma os 5€ anunciados num falso aumento: na prática, a maioria dos trabalhadores perde rendimento líquido, com impacto anual que se traduz em milhões de euros retirados aos salários. Acresce que a Administração propôs um aumento de 52€ para o nível 1 de desenvolvimento onde não existe quais quer trabalhadores da RTP.
A Administração afirmou que “não está a diminuir os custos com pessoal, mas a olhar para os custos da Empresa”, e chegou a ponderar denunciar o Acordo de Empresa antes de apresentar a proposta.
O presidente da RTP, Dr. Nicolau Santos , nesta reunião relembrou John Kennedy e parafraseou:
“Está na altura de os sindicatos deixarem de perguntar o que a RTP pode fazer por eles, mas perguntarem o que os sindicatos podem fazer pela RTP.”
Depois de 13 anos consecutivos de resultados positivos da empresa, mas também de 13 anos em que:
- Durante seis anos os trabalhadores tiveram aumentos salariais zero;
- Os subsídios de Natal e de férias foram retirados no período da troika e ficaram na empresa.
- O trabalho extraordinário passou a valer metade;
- Centenas de trabalhadores foram empurrados para falsos recibos verdes, sem direitos, nem
estabilidade; - O salário médio da RTP perdeu quase 25% do seu valor relativo, face ao salário médio nacional;
- Foram os trabalhadores os que sempre mais defenderam a Empresa e o Serviço Público.
Àquela provocação os sindicatos respondem enaltecendo Vinicius de Moraes:
“E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia que sim
Começou a dizer que não.”
Os sindicatos rejeitaram, liminarmente, a proposta.
Reafirmamos que os custos da empresa não podem ser suportados pelos trabalhadores.
Cabe ao Conselho de Administração garantir gestão eficaz — auditar, monitorizar e implementar procedimentos corretos — e cabe ao Estado assegurar o financiamento do Serviço Público de Media, evitando a asfixia que conduz ao desmantelamento da empresa.
Os sindicatos vão organizar um Plenário Geral de Trabalhadores para decidir as medidas de resposta. Daremos nota dos pormenores, oportunamente.
A próxima reunião com o CA está agendada para dia 30 de março.
Apelamos à participação ativa de todos, a defesa dos nossos direitos depende da presença e da voz coletiva.
É hora de agir em conjunto.
Ler Comunicado Conjunto Aqui
Fonte: SINTTAV
