Atrasos na avaliação do desempenho do biénio 2023/2024 e do ano de 2025 impede a progressão e o consequente aumento do salário dos enfermeiros


É inaceitável o desrespeito do Conselho de Administração pela carreira de enfermagem e pelos enfermeiros.

Aos profissionais é exigido que atinjam objetivos com critérios impostos, que aceitem fazer turnos sem os descansos necessários, tantas vezes com alusões subtis que, caso não se disponibilizem isso terá tradução na avaliação do desempenho, mas, quando chega o momento de pagar, os enfermeiros são colocados em modo de espera.

E, apesar de na lei estarem previstas medidas de responsabilização pelo não cumprimento da operacionalização da avaliação do desempenho, nada acontece.

São centenas de enfermeiros que já deveriam estar a receber pelas posições remuneratórias seguintes às que detêm o que significa o aumento do valor hora, com impacto inclusive no valor hora do trabalho extraordinário, das horas penosas, no valor das ausências justificadas, como por exemplo, parentalidade, doença, etc. Os valores relativos a estas ausências (a formulação tem por base o salário dos últimos 6 meses) nunca serão pagos, ou seja, os enfermeiros nunca serão ressarcidos, nunca receberão retroativos.

Enquanto isto, a ULS do Algarve, entre janeiro e maio de 2026 já pagou 5 448 114 milhões de euros em prestações de serviços correspondente a 118 424 horas e 5 597 446 milhões em horas extraordinárias correspondente a 140 669 horas.

É inaceitável que a ULS do Algarve funcione com base no trabalho extraordinário e nas prestações de serviços (trabalho à tarefa) incluindo para a produção adicional.

É inaceitável que o Ministério da Saúde continue a preterir a valorização das carreiras e a exclusividade relativamente a este tipo de soluções que só se compreende num contexto de garantir o funcionamento dos hospitais privados nos quais há registo de existirem apenas cerca de 1200 médicos, no conjunto dos respetivos mapas de pessoal.  

Fonte: SEP