Assistimos nos últimos dias à intensificação da violência no Médio Oriente por parte dos EUA e de Israel. O bombardeamento ao Irão e as brutais ameaças por parte da administração norte-americana nos últimos dias têm promovido uma continuada desestabilização da região. Ameaças que subiram de tom, colocando em perigo toda a população iraniana, considerando qualquer alvo como legitimo, ameaçando destruir infraestruturas civis críticas – incluindo instalações nucleares –, numa perigosa afronta aberta e sem pudor ao direito internacional, a começar pela Carta das Nações Unidas.

Uma prática de décadas de violência e desestabilização do Médio Oriente por parte dos EUA e dos seus aliados para, através da força, impor o seu domínio na região e o controlo dos recursos naturais e energéticos.

O cessar-fogo agora acordado tem de ser efectivo e respeitado, abrangendo toda a região e garantindo o fim das ameaças e agressões sobre o Irão, o fim dos ataques e da ocupação da Síria e do Líbano por Israel e o fim do genocídio e a ocupação da Palestina, criando condições para a efectivação de uma Palestina livre, independente e soberana, com as suas fronteiras de 1967 e capital em Jerusalém Oriental, como ditam as sucessivas resoluções da ONU e garante da paz no Médio Oriente.

Após o acordo, Israel não só não interrompeu os ataques como intensificou o bombardeamento no Líbano, onde mantém uma parte do país ocupado, atacando infraestruturas civis e deslocalizando mais de um milhão de pessoas.

Este cessar fogo não mascara os crimes de Israel e dos EUA.  A impunidade das agressões e ameaças dos EUA e de Israel é prova da complacência dos seus aliados na NATO e na UE, nomeadamente Portugal. A CGTP-IN denuncia a cumplicidade do governo português com a agressão do imperialismo norte-americano, não só através do apoio político e diplomático, mas envolvendo directamente o país através da permissão tácita da utilização da Base das Lages como ponto de apoio à força aérea dos EUA.

A CGTP-IN exige que o governo do PSD/CDS respeite o direito internacional, a Carta das Nações Unidas, a Constituição da República Portuguesa e cesse o apoio e condene a escalada de agressão dos EUA e aliados no Médio Oriente e se posicione, inequivocamente, do lado da paz.

É urgente o fim das ameaças e agressões, da escalada do conflito. Aos trabalhadores não serve a guerra, a destruição e a morte que traz. A paz é condição essencial para a efectivação dos direitos e a melhoria das condições de vida e para a justiça social.