Tal como era esperado, o Governo anunciou hoje aquilo que há muito se adivinhava: a escolha do grupo Lufthansa para entrar no capital da TAP. A posição do SITAVA sobre os sucessivos processos de privatização da empresa é conhecida e está amplamente documentada. Não advém de qualquer estigma ideológico (como muitos gostam de nos acusar) nem de qualquer opinião acerca do grupo Lufthansa (estas linhas seriam iguais fosse qual fosse o candidato a “vencer a corrida”). Advém sim, daquilo que a nossa história nos conta. Ao longo da história da TAP, sempre que se avançou para privatizações — totais ou parciais — foram os trabalhadores que acabaram chamados a resgatar a empresa das consequências que se seguiram. Esperemos que o mesmo não venha a suceder no futuro, próximo ou longínquo. Aliás, a nossa posição sobre este processo de privatização, foi comunicada, oportunamente, aos representantes do grupo Lufthansa (da mesma forma aos do grupo Air France/KLM) que connosco se reuniram por duas vezes nas nossas instalações.
Dir-nos-ão, como sempre, os defensores da cartilha neoliberal que “agora é diferente”, que “o comprador é robusto”, que “vai investir na empresa”, que “vai garantir o HUB de Lisboa”, que “vai manter o centro de decisão em Portugal” e que “a TAP não podia sobreviver sozinha”. Mas estas frases não são novas. Foram exatamente, as mesmas justificações usadas, para legitimar todos os processos de privatização anteriores e sabemos bem como terminaram. Avaliando o discurso do Sr. Ministro das Infraestruturas, há nele uma parte que já nos faz seguir este processo bastante cautelosos: a aparente segmentação da empresa, começando pela Manutenção & Engenharia com a integração desta na empresa de manutenção do grupo Lufthansa. A acontecer será um erro crasso. Veremos se não será apenas o primeiro de muitos.
A TAP foi construída, mantida e salva repetidamente pelos seus trabalhadores e não pelos sucessivos governos, nem pelos grupos económicos que, ao longo de décadas, tentaram transformar a empresa num instrumento de negócio. Cada ciclo de privatização trouxe promessas de estabilidade, investimento e modernização. Cada ciclo terminou com cortes, retrocessos, perda de controlo estratégico e, quase sempre, com a necessidade de intervenção pública para evitar o colapso.
O SITAVA acompanhará este processo com total atenção e exigência. Não permitiremos que se repita o passado. Não aceitaremos que os trabalhadores sejam novamente chamados a pagar a fatura de decisões políticas, estratégicas ou tecnológicas que não controlam. A TAP só terá futuro se esse futuro incluir, de forma clara e respeitosa, aqueles que todos os dias garantem que a empresa voe em segurança.
Fonte: SITAVA
