A CGTP-IN realizou este Sábado três grandes manifestações no Porto, em Coimbra e em Lisboa, numa jornada de luta por mais salário e melhores pensões, por melhores serviços públicos e contra o aumento do custo de vida que juntou milhares de trabalhadores.

Em Lisboa, na Manifestação que começou no Cais de Sodré e terminou no Rossio, o Secretário-geral, Tiago Oliveira, acusou o Governo de não sentir as dificuldades de quem trabalha. “Não podemos ter uma política que continua a condicionar a vida de todos nós, daqueles que menos têm”. Afirmando ser urgente o aumento dos salários e pensões. Durante a sua intervenção questionou ainda como é possível viver com um ordenado de 1.000 euros face a rendas de 800 ou 900 euros e ao preço dos combustíveis e dos bens essenciais, numa alusão directa ao aumento do custo de vida e aos problemas com a habitação que atinge fortemente a população. Considerou ainda que “aqueles que dizem que nunca há dinheiro para nada” têm de explicar aos trabalhadores como é possível que, no mesmo período, os grandes grupos económicos registem “os maiores lucros de sempre”. Sublinhando que esta circunstância “demonstra bem a política do Governo” e “a quem este presta vénia”.

No final foi aprovada a seguinte Resolução:  

Mais salário, melhores pensões e serviços públicos | Contra o aumento do custo de vida! | Um novo rumo para Portugal

A situação dos trabalhadores está profundamente marcada pelos efeitos do brutal e contínuo aumento do custo de vida, da ausência de medidas de controlo dos preços e pelo ataque ao valor dos salários e pensões. Os patrões aproveitam-se dos mecanismos gravosos da legislação laboral que permitem a proliferação de horários selvagens, vínculos precários e o ataque à contratação colectiva para aumentar a exploração. A desigualdade na distribuição da riqueza é crescente e escandalosa, com os grupos económicos a acumularem lucros colossais, enquanto os trabalhadores empobrecem a trabalhar.

Este é o retrato do país onde vivemos, resultado de décadas de política de direita, protagonizada, neste turno, pelo PSD e CDS, com o apoio, no fundamental, do CH e IL, e que se traduz nas dificuldades da vida dos trabalhadores e das populações e no ataque aos serviços públicos e funções sociais do Estado. Um ataque que promove o desmantelamento da Administração Pública, do SNS, da Escola Pública, o assalto à Segurança Social e que nega o direito à habitação.

O Orçamento do Estado para 2027 (OE) apresentado é mais um elemento da política de direita, de destruição de direitos e de empobrecimento do país. Um OE que não só não responde, como agrava os problemas com que os trabalhadores, os jovens, os reformados e a generalidade da população se deparam.

Um Orçamento que reflete a opção política do Governo PSD/CDS por degradar os serviços públicos e as funções sociais do Estado, por manter e agravar as condições que permitem a acumulação de riqueza por uma ínfima minoria, que fomenta o negócio dos grupos privados e mercantiliza direitos sociais. Um OE que acomoda e traduz todas as opções que estão na base das desigualdades crescentes, no avolumar de défices estruturais, contribuindo assim para o atraso do país.

É urgente um novo rumo para o país, uma política alternativa que permita construir um futuro de desenvolvimento, crescimento económico e de progresso social, com a valorização do trabalho e o reforço dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, alicerçado nos valores e nas conquistas de Abril, na CRP, na solidariedade e na justiça social, na paz e cooperação entre os povos.

Continuar a luta – é possível uma vida melhor!

A grande vitória da luta dos trabalhadores que derrotou o pacote laboral prova que a unidade, a organização e a mobilização dos trabalhadores é capaz de derrotar as maiores ofensivas.

Os trabalhadores derrotaram o Pacote Laboral, exigem a revogação das normas gravosas que já hoje a legislação contém e estão determinados na luta pela derrota de uma política que põe em causa o futuro do país.

Não aceitamos retrocessos, exigimos um outro rumo e uma outra política, que respeite e cumpra o consagrado na Constituição da República Portuguesa.

Sabemos que é possível garantir um futuro onde o trabalho seja valorizado, os direitos sejam efectivos, os serviços públicos sejam fortes e a riqueza seja distribuída de forma mais justa.

Por isso:

Exigimos o aumento significativo dos salários e das pensões para responder ao aumento do custo de vida!

Exigimos medidas para travar o aumento do custo de vida e o controlo dos preços do bens e serviços essenciais!

Exigimos a defesa, investimento e reforço dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, do SNS, da Habitação, da Escola Pública, da Segurança Social!

Daqui assumimos o compromisso de intensificar a luta reivindicativa e mobilização dos trabalhadores pelos salários e direitos, numa dinâmica crescente de luta.

Daqui saudamos a luta dos trabalhadores de vários sectores de actividade, do público e do privado, que farão do mês de Novembro um mês de intensa acção e luta pelos salários e os direitos, e desde já anunciamos que, entre outras acções, o próximo dia 24 de Novembro, dia em que está prevista a votação final do Orçamento de Estado, será marcado pela mobilização na rua com uma concentração na Assembleia da República.

Daqui afirmamos a determinação de recorrer a todas as formas de luta que a situação imponha, com vista à defesa dos direitos dos trabalhadores e à melhoria das condições de trabalho e de vida.

Será a luta dos trabalhadores, como a vitória sobre o pacote laboral nos demonstrou, que pode travar a ofensiva e forçar um novo rumo, com uma nova política, que garanta uma vida digna para todos os que vivem e trabalham no país.

A luta continua!
Viva a luta dos trabalhadores!
Viva a CGTP-IN!