Na quinta-feira, dia 9, os trabalhadores da Otis Portugal vão fazer uma greve de 24 horas, a nível nacional, pelo aumento dos salários e pela negociação do Caderno Reivindicativo, contra a vergonhosa afronta da administração. A partir das 10 horas, realiza-se uma concentração, em Mem-Martins, junto da sede da empresa.
A filial portuguesa da multinacional sediada nos EUA, que se afirma como líder mundial de fabrico, instalação, manutenção e reparação de elevadores e escadas rolantes, tem as suas instalações centrais na Estrada de Mem Martins.
Por respeito e negociações sérias
Organizados nos sindicatos da Fiequimetal (SIESI, SITE Norte e SITE Centro-Norte), os trabalhadores exigem negociações sérias do Caderno Reivindicativo. Neste, como se refere numa nota de imprensa da federação, constam, nomeadamente:
- aumento do salário-base em 15%, garantindo um mínimo de 150 euros para todos, com efeitos a 1 de Abril de 2026;
- aumento do valor das diuturnidades, para 50 euros, até ao máximo de cinco diuturnidades;
- aumento do subsídio de refeição, para 14 euros, ou para 20 euros, fora da zona habitual de trabalho;
- criação, à semelhança do que acontece noutros países da Europa, de um subsídio de função, no valor mensal de 50 euros, para os trabalhadores que, pela natureza das suas tarefas, exercem funções de electromecânico.
Afronta vergonhosa
Os trabalhadores consideram uma afronta a resposta dada pela administração, no dia 18 de Fevereiro, que se resumiu a uma mera actualização dos salários, em 2,5%. A posição patronal ficou distante dos valores reivindicados também nas restantes matérias.
Foi igualmente uma resposta vergonhosa, porquanto a Otis Portugal obteve lucros de cerca de 22 milhões de euros, enquanto os resultados da OTIS Worlwide Corporation (casa-mãe) mostram que está em franco crescimento, com vendas líquidas de 15,3 mil milhões de dólares, no quarto trimestre de 2025. A operação em Portugal, com o profissionalismo e a dedicação dos seus trabalhadores, continua a contribuir para estes resultados.
Considera-se como inqualificável e intimidatória uma comunicação da administração, emitida para limitar o exercício do direito à greve, consagrado na Constituição e na lei, procurando forçar serviços mínimos, que não se aplicam a este ramo de actividade (basta ver o art,º 537.º do Código do Trabalho).
Também para cortar o passo a práticas como estas – prepotentes, ilegais e de ataque aos direitos dos trabalhadores, como direito à greve e à contratação colectiva – é decisivo derrotar o pacote laboral.
A resposta à administração será dada no dia 9, com a adesão à greve, cujo pré-aviso foi emitido pela Fiequimetal, depois da decisão tomada pelos trabalhadores, nos plenários realizados de norte a sul.
A acção de luta junto da sede da empresa será uma importante demonstração da unidade dos trabalhadores.
Fonte: FIEQUIMETAL
