A administração da Cabelte anunciou prémios no valor de um milhão de euros e até deu logo a média que isso dá por trabalhador. Mas a média esconde injustiças e a decisão do prémio não está desligada da luta de 2025. O que os trabalhadores querem mesmo é a valorização do seu salário.
De 31 de Janeiro até 29 de Junho, nas duas fábricas da Cabelte, em Arcozelo (sede da empresa, no concelho de Vila Nova de Gaia), e Ribeirão (concelho de Vila Nova de Famalicão), os trabalhadores, organizados no SITE Norte, realizaram várias séries de greves de duas horas por turno, exigindo melhores salários, a 5.ª diuturnidade (prémio de antiguidade na categoria) e que o trabalho seja considerado como nocturno a partir das 20h00.
Com lucros recorde, em 2025, os aumentos salariais na Cabelte foram de 25, 50 ou 75 euros, dependendo da avaliação dada a cada trabalhador. Para muitos, o aumento foi inferior ao valor de actualização do salário mínimo nacional. Houve quem não visse sequer reposto o poder de compra perdido com a inflação.
Agora, veio o anúncio do prémio, com a administração a explicar que, em média, daria dois mil euros por trabalhador. Seria um valor mais do que justo. Mas, na realidade, não foi assim. Quantos trabalhadores receberam dois mil euros de prémio? A administração podia explicar. A grande maioria ficou muito longe de tal importância, isso é certo.
Também neste caso, a administração usou o poder da avaliação, que tanto serve para premiar como para castigar. E castigou trabalhadores apenas porque exerceram um direito que a Constituição lhes reconhece: o direito à greve.
Os truques de ilusionismo não pagam as contas do mês. As injustiças aumentam a indignação.
A administração diz que reconhece o contributo determinante dos trabalhadores para os seus resultados. Persiste a necessidade de valorizar os salários. Os trabalhadores e o SITE Norte mantêm esta justa reivindicação.
Fonte: FIEQUIMETAL
