O sindicato promove na próxima sexta-feira, dia 21, na baixa do Porto, uma arruada para entregar uma Carta Aberta nos hotéis, restaurantes, cafés e similares onde exige um aumento extraordinário dos salários de 150€, uma vez que os salários são muito baixos, mais de 80% dos trabalhadores recebem apenas o Salário Mínimo Nacional, o salário médio no setor afunda cada vez mais e é hoje 384€ abaixo da média nacional e que mais de 100 mil trabalhadores estão este ano sem contratação coletiva.
A arruada tem o seu início marcado para as 9:30 horas, junto à porta do Hotel Brasileira, na Rua Sá da Bandeira, n.º 91, onde será dada uma CONFERÊNCIA DE IMPRENSA para denunciar publicamente a situação.
CARTA ABERTA ÀS EMPRESAS DO ALOJAMENTO, RESTAURAÇÃO E BEBIDAS
Exmos. Senhores,
O turismo nacional ultrapassou a fasquia histórica dos 36,2 mil milhões de euros em receitas anuais, consolidando o seu peso de 11,5% do PIB nacional. A Região Norte vive uma excelente situação económica, acumulando anos sucessivos de recordes no número de hóspedes, dormidas e faturação. Contudo, esta extraordinária saúde financeira contrasta de forma chocante com a dura realidade vivida pelos trabalhadores da Hotelaria, Restauração e Bebidas, cujos rendimentos continuam completamente congelados e desvalorizados.
O custo de vida disparou em áreas críticas onde as famílias não podem cortar. As rendas habitacionais registaram um aumento de 5,3% e as prestações bancárias mantêm-se em níveis asfixiantes. Os custos associados à eletricidade, água e combustíveis dispararam (chegando a registar picos de quase 15% na energia), sobrecarregando severamente os milhares de trabalhadores que, pela gritante falta de transportes públicos ajustados aos horários do setor, são obrigados a deslocar-se em viatura própria. O cabaz essencial mantém uma forte pressão inflacionária.
Enquanto os hotéis e restaurantes aumentam as suas margens de lucro, milhares de profissionais recebem apenas o Salário Mínimo Nacional. De acordo com os dados estatísticos oficiais do INE, o salário médio no setor do alojamento afunda 384 euros abaixo do salário médio nacional, caso fossem integradas as componentes da Restauração e Bebidas, este fosso salarial seria, substancialmente, mais profundo.
Esta realidade crítica perpetua-se também porque as associações patronais continuam a bloquear e a arrastar eternamente as negociações das tabelas salariais, recusando-se a redistribuir de forma justa a riqueza que os trabalhadores geram com o seu esforço diário. O momento atual exige uma intervenção e uma atualização extraordinária imediata.
Para repor o poder de compra perdido, valorizar as profissões do setor e garantir a sustentabilidade da economia local, os trabalhadores da Hotelaria, Restauração e Bebidas exigem a aplicação imediata das seguintes medidas:
Aumento Salarial Justo: Atualização salarial de 15%, garantindo um aumento mínimo de 150€ para cada trabalhador e fixando o salário de entrada do setor em 1.150€;
Prémio de Línguas: Atualização para 60€ mensais por cada língua estrangeira falada;
Diuturnidades: atualização do regime de diuturnidades para o valor de 30€ por cada período de quatro anos de antiguidade, aplicável a todos os trabalhadores;
Abono de Falhas: Atualização do valor mensal para 65€;
Subsídio de Alimentação: Atualização para 264€ mensais;
Compensação por Horários Desgastantes: Pagamento de um prémio de 25% da retribuição para trabalhadores em regime de turnos ou com horário repartido;
Trabalho ao Fim de Semana: Acréscimo de 25% sobre a retribuição por cada hora trabalhada ao sábado e domingo;
Conciliação Familiar: Garantia de, pelo menos, um fim de semana de descanso por mês para articulação com a vida pessoal e familiar;
Dia de Aniversário: Direito a dispensa remunerada no dia de aniversário do trabalhador;
Direito a Férias: Atribuição de 25 dias úteis de férias para todos os trabalhadores, sem quaisquer penalizações ou cortes;
Estabilidade de Vida: Implementação de horários previsíveis e previamente escalonados;
Redução do Horário de Trabalho: Redução progressiva da jornada de trabalho para as 35 horas semanais;
Trabalho em dias Feriados: Pagamento do trabalho prestado em dias feriados com um acréscimo de 200%.
Os trabalhadores alertam que a qualidade e a reputação internacional que o turismo do Norte tanto promove não podem continuar a ser subsidiadas pelos salários de pobreza de quem acolhe os visitantes. Sem uma resposta urgente a este caderno reivindicativo, o setor enfrentará uma escassez de mão de obra ainda mais severa.
O Turismo bate recordes com receitas históricas na Região Norte, os trabalhadores exigem aumento extraordinário face ao esmagamento dos salários e ao custo de vida.
Porto, 21 de agosto de 2026
