Em Portugal mais de metade dos trabalhadores (55,9%) recebia, no máximo, 1.000 euros de salário base bruto1 em Novembro de 2025.

No caso das mulheres trabalhadoras a percentagem subia para 58,7% (face a 53,5% entre os homens trabalhadores), por via das discriminações directas e indirectas que sobre elas impendem, o que abrangia perto de 1 milhão e 200 mil mulheres.

De entre estas, 411 milhares auferiam apenas o salário mínimo nacional, no valor de 870 euros, representando 20,5% do total, ou seja, uma em cada cinco trabalhadoras2.

Outras 441,8 milhares (21,6%) recebiam entre 1.001 e 1.500 euros base brutos.

No total, 80% das trabalhadoras recebiam no máximo 1.500 euros de salário base bruto, ou seja, quatro em cada cinco trabalhadoras3.

1 Antes de efectuados os descontos para o IRS e Segurança Social.

Os dados são do Instituto da Segurança Social/MTSSS com base das Declarações de Remunerações à Segurança Social.

2 De acordo com dados disponibilizados pelo Instituto da Segurança Social referentes a Junho de 2025.

3 A um salário bruto de 1.500 euros corresponde um salário líquido de 1.197 euros se a trabalhadora fizer parte de um casal com dois filhos dependentes, de 1.175 euros no caso de um casal com um só filho dependente e de 1.154 euros no caso de trabalhador/a sem dependentes.

Remuneração base mensal do trabalho dependente – Novembro de 2025

Dados do Eurostat referentes a 2024 confirmam o baixo nível dos salários praticados em Portugal, que representam apenas 58% da média da União Europeia, situação que afecta em particular as mulheres trabalhadoras, como os dados atrás indiciam e se confirmará a seguir.

Analisando agora os rendimentos salariais líquidos, verifica-se que as mulheres trabalhadoras ganham, em média, 1.214 euros por mês, mas as que têm vínculos de trabalho precários auferem salários ainda mais baixos, recebendo, em média, menos 20% que as trabalhadoras com vínculo permanente no caso dos contratos com termo e menos 33% no caso do falso trabalho independente, de acordo com dados do INE.

 

Rendimento salarial médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem segundo o tipo de contrato de trabalho, por sexo

Os dados do INE mostram também que as mulheres recebem rendimentos salariais líquidos inferiores, em média, em 14,4% ao recebido pelos homens trabalhadores, o que no 4º trimestre de 2025 ascendia a 205 euros mensais.

 

Este diferencial agrava-se nas qualificações mais elevadas.

Voltando aos valores brutos, os Quadros de Pessoal de 2024, do GEP/MTSSS, indicam que existe uma diferença de 12% no salário base bruto em desfavor das mulheres – diminuindo ligeiramente em relação ao ano anterior - o que em valores absolutos corresponde a menos 166,5 euros mensais, e de 14,6% nos ganhos, num total de menos 248 euros recebidos pelas mulheres todos os meses.

Entre os quadros superiores a diferença é de 729 euros no salário base (um diferencial de 25,4%, que melhorou apenas ligeiramente face ao ano anterior).

Entre os quadros médios é de 15,6% (306 euros), tendo aumentando face a 2023, e de 14,3% entre os profissionais altamente qualificados (218 euros), melhorando ligeiramente face a 2023.

O diferencial é de apenas 3,8% entre os trabalhadores não qualificados devido à existência do salário mínimo nacional.

mesmo padrão repete-se quando se analisam os ganhos, embora com percentagens e valores ligeiramente superiores.

O diferencial aumenta mais entre os trabalhadores não qualificados, provavelmente por via do trabalho extraordinário que é realizado mais frequentemente por trabalhadores do sexo masculino.

Os baixos salários praticados de forma generalizada no nosso país não permitem fazer face às despesas crescentes com que as trabalhadoras e as suas famílias têm que suportar, nomeadamente com bens essenciais e habitação, despesas a que não conseguem fugir ou diminuir.

De acordo com dados do INE, uma em cada dez trabalhadoras é pobre, número que seria o dobro se não existissem transferências sociais.

Os salários baixos levam muitas trabalhadoras a ter que recorrer a mais do que um trabalho para conseguirem fazer face ao custo de vida.

De acordo com o INE, em 2025, cerca de 140 mil trabalhadoras tinham uma segunda actividade profissional, correspondendo a 5,4% do total do emprego feminino, o que nos parece subavaliar o número real de trabalhadoras com duplo ou triplo emprego.

Esta percentagem tem aumentado face a anos anteriores.

CIMH/CGTP-IN
18.02.2026