Com a EDP e a REN na esfera do Estado, não seria a mesma coisa, afirma a Fiequimetal, numa nota divulgada aos órgãos de comunicação social, sobre as intempéries e o sector eléctrico nacional.

 As tempestades das últimas semanas, de onde se salienta a Kristin, vêm colocar em evidência a necessidade da alterar o paradigma da rede eléctrica nacional, observa a Direcção Nacional da federação.

São nomeadas duas vertentes essenciais dessa alteração: a recuperação da EDP e da REN para a esfera pública e, ao mesmo tempo, a valorização e dignificação dos trabalhadores do sector, que demonstram toda a sua prontidão, profissionalismo e dedicação ao serviço público de energia eléctrica.

Confirma-se que, como a Fiequimetal e os sindicatos têm defendido, estas empresas-chave para o País devem estar sob gestão pública. A EDP e a REN, pelo serviço público que prestam, são fundamentais para a vida das pessoas e para a economia.

A grande demora na reposição do fornecimento de energia eléctrica, para lá das questões técnicas que importa considerar, evidencia a necessidade de mais meios humanos e equipamentos. Ora, a gestão privada não responde a esta premência, porque o seu principal propósito é a maximização do lucro.

Nos últimos 365 dias, fora a necessária actividade diária de manutenção da rede pública, vários momentos (por exemplo, as tempestades Martinho e Núria, o apagão nacional de 28 de Abril, os incêndios florestais) puseram à prova a capacidade destas empresas para garantirem a normalidade na vida das pessoas.

Estes casos demonstram também que é preciso romper com a trajectória de redução de trabalhadores e aumento do recurso à prestação de serviços, com preços esmagados.

Na linha da frente do combate a estas adversidades, estão os trabalhadores das empresas do Grupo EDP, que enfrentam o frio, a chuva e o vento e, mais grave, um ataque da administração aos seus direitos. É isso que decorre da denúncia do Acordo Colectivo de Trabalho e de uma proposta patronal que recusa melhorar a progressão na carreira a trabalhadores que há anos lutam por essa reivindicação justa.

Estão também os trabalhadores da REN, perante uma administração que ignora as suas aspirações. Estão igualmente os trabalhadores das empresas prestadoras de serviços, tanto os que atendem a população nas lojas e nos centros de contacto, a troco de salários no limiar do mínimo nacional, como os de campo, essenciais para assegurar o abastecimento eléctrico ao País.

É tempo de valorizar todos os profissionais, sublinha-se na nota, porque todos, com a sua dedicação e o seu empenho, são indispensáveis para garantir um serviço público de qualidade.

É hora de as administrações olharem para os trabalhadores, todos os trabalhadores, valorizando salários e melhorando as perspectivas de futuro. Fica cada vez mais visível que eles são fundamentais ao dia-a-dia de Portugal.

Fonte: FIEQUIMETAL